Fechamento do Hospital Vita: Prefeitura se oferece para fazer transição até chegada de novo administrador

A situação do Hospital Vita de Volta Redonda vem criando uma grande expectativa, negativa, na população da cidade e região. Na sexta-feira (dia 4), a 4ª Vara Cível atendeu parcialmente o pedido dos ministérios públicos do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) Federal (MPF) e determinou a suspensão da desocupação do imóvel, na Vila Santa Cecília, até a realização de audiência especial, marcada para o próximo dia 16. Deverão comparecer à audiência representantes do hospital e da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), proprietária do imóvel, os secretários municipal e estadual de Saúde, bem como membros do MPRJ e do MPF.

Atento aos rumos da negociação na esfera judicial, o prefeito Samuca Silva (Podemos) iniciou conversa com o empresário Benjamim Steinbruch sobre a possibilidade do Município assumir a gestão da unidade hospitalar. "Me coloquei à disposição para fazer a transição até a chegada de um novo hospital.  Isso é o que nos comete, pois o hospital é privado", afirmou o chefe do Executivo. "Como se sabe a CSN pediu o imóvel por falta de pagamento de alugueis e consequente quebra de contrato. O Vita tem, ainda, uma dívida de mais de R$ 15 milhões só de ISS com o município", completou.

O hospital ocupa um imóvel de propriedade da CSN e a empresa pediu judicialmente a desocupação devido à inadimplência do aluguel. Em abril, a Justiça havia autorizado o despejo e determinou a desocupação no mês de maio. O MPF e o MPRJ consideram esse prazo exíguo e inviável de ser cumprido sem comprometer a continuidade da prestação do serviço público de saúde, pois a rede hospitalar da região não tem capacidade de absorver os serviços. "Verifica-se que os hospitais públicos desta região funcionam com quase 100% dos leitos ocupados e não suportariam, em absoluto, a absorção das demandas ao Hospital Vita", afirmam a procuradora da República Bianca Britto de Araujo e o promotor de Justiça Leonardo Zulato Barbosa, que assinam a petição conjunta.

Atualmente, a CSN negocia para que outra empresa (a Unimed VR) assuma o hospital. Na decisão que suspendeu a desocupação do imóvel, o juiz considera que a substituição deve ser feita de forma a prejudicar o menos possível os usuários, por isso considerou razoável a pretensão do Ministério Público de tentar uma transição suave, sem a paralisação total do hospital.

Desocupação

Durante a semana, antes da decisão do juiz da 4ª Vara Cível de Volta Redonda, a direção do Vita tinha informado, por meio de nota, "o encerramento das atividades do Centro Médico, Pronto Atendimento e internações eletivas, a partir do dia 25 de maio". Até o dia 31 de julho, segundo o comunicado, "serão mantidos os atendimentos em Cardiologia, Endoscopia Digestiva, Laboratório de Análises Clínicas, Banco de Sangue, RX, Ultrassonografia, Tomografia Computadorizada e Ressonância Magnética".

O Hospital Vita é o maior da região Sul Fluminense e realiza, em média, 2.864 atendimentos médicos e 698 internações. Além disso, é o único hospital da região que realiza cirurgias cardíacas pela rede pública e também possui convênio com o SUS para internação em UTI neonatal.

Nota de funcionários na rede social

Funcionários da CSN e conveniados à rede Vita receberam, pelas redes sociais, nota emitida por médicos e profissionais da unidade hospitalar. No texto, a equipe demostra preocupações com o fechamento do hospital, previsto até então para o próximo dia 25. "Nós, médicos e funcionários lembramos que se trata da maior unidade hospitalar da região Sul Fluminense. Bem equipada, com excelentes profissionais em todos os setores, capacitados a atuar de forma firme e segura, treinados a atendimentos mais complexos, nível 3 em excelência, o primeiro do Estado do RJ, a conseguir esta classificação e vai fechar", ressalta o texto.

O comunicado segue lembrando o desempenho do hospital e relaciona atendimentos executados. E mais, alerta de que o fechamento da unidade vai provocar um caos, "não só na cidade de Volta Redonda, mas em toda a região". A nota segue apresentando um balanço dos serviços executados pela unidade no ano passado. Ainda de acordo com o texto, em 2017 foram realizadas: cirurgias cardíacas, angioplastias, implantes de marca-passo e outros procedimentos.

O Vita, também segundo a nota, realizou 2.206 atendimentos pelo convênio, somando média mensal de 184. O comunicado mostra ainda que os atendimentos por intermédio do Sistema Único de Saúde (SUS) somaram 976, com média mensal de 81; o Pronto-Socorro fechou com 92.062, média mensal de 7.670. Já os atendimentos nos ambulatórios, de acordo com o comunicado, foram de 144.000, ou seja, 12.000 por mês. Além de cirurgias, internações em UTI adulto (com taxa de ocupação de 100%), UTI neonatal e pediátrica com taxa de ocupação também em 100%; tratamentos para pacientes oncológicos (quimioterapia), que foram, de acordo com a nota, "realizados em centenas!!!"

O comunicado conclui informando que a capacidade instalada do Vita é de 126 leitos, com 76 cuidados não críticos; 50 cuidados críticos; 300 médicos credenciados; 450 empregos diretos e 250 empregos indiretos. Por fim, a nota faz um apelo: "Estamos pedindo apoio! Muitas vidas foram salvas neste hospital, muitas vidas chegaram a este mundo neste hospital, melhoria de qualidade de vida de milhares de pacientes foi conseguida com a aplicação de nossos conhecimentos e nossa dedicação".

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