Crise econômica afeta 56% dos municípios do Sul e Centro-Sul Fluminense

A crise econômica, que teve início em 2014 e causou forte recessão no país, fez com que o nível socioeconômico das cidades brasileiras retrocedesse três anos. É o que aponta o Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM), divulgado com base em dados oficiais de 2016, últimos disponíveis. A crise se manifestou fortemente no Sul e Centro-Sul Fluminense e 56% dos municípios regrediram na comparação com o ano anterior.

Das 25 cidades das regiões, todas estão com conceito moderado e nenhuma foi classificada como alto desenvolvimento. Piraí, Volta Redonda e Resende estão entre as 10 mais desenvolvidas do estado. A última colocada no ranking regional com menor desenvolvimento foi Quatis.

O índice monitora todas as cidades brasileiras e a avaliação varia de 0 a 1, sendo que quanto mais próximo de 1 maior o seu desenvolvimento. Cada uma delas é classificada em uma das quatro categorias do estudo: baixo desenvolvimento (de 0 a 0,4), desenvolvimento regular (0,4 a 0,6), desenvolvimento moderado (de 0,6 a 0,8) e alto desenvolvimento (0,8 a 1). 

São acompanhadas as áreas de Emprego e Renda, Saúde e Educação e avaliadas conquistas e desafios socioeconômicos de competência municipal: manutenção de ambiente de negócios propício à geração local de emprego e renda, Educação Infantil e Fundamental, e atenção básica em saúde. O IFDM avaliou 5.471 cidades. As novas, para as quais ainda não há dados, e aquelas com ausência, insuficiência ou inconsistência de informações, não foram analisadas.

Das 10 melhores cidades no ranking fluminense, seis retrocederam. Uma delas foi o Rio de Janeiro, que caiu de 5º lugar para 11º lugar na lista das capitais na comparação do período pré-crise (2013) com 2016, por conta, principalmente, de Emprego e Renda. Como reflexo, quatro municípios do Sul e Centro-Sul Fluminense tinham alto desenvolvimento e hoje são classificadas com desenvolvimento moderado: Piraí, Porto Real, Resende e Volta Redonda. Apesar do cenário, as regiões tiveram nota média 3,9% superior à do estado. Na análise das vertentes, as regiões também se destacam: Emprego e Renda (+5,1%), Saúde (+5,1%) e Educação (+2,0%).

Piraí, que ocupa o terceiro lugar entre os dez municípios mais bem avaliados do Rio de Janeiro, foi a única entre as dez melhores do estado que evoluiu nas três áreas de desenvolvimento e teve o maior avanço em Emprego e Renda em 2016, na comparação com 2015. No ranking regional, Sapucaia e Valença também apresentaram crescimento em todas as vertentes. Volta Redonda, quarta colocada no Top 10 fluminense, retrocedeu (-0,4%) frente a 2015 e se coloca mais distante do alto desenvolvimento alcançado entre 2010 e 2014.

A cidade com pior colocação nas regiões Sul e Centro-Sul Fluminense é Quatis (-4,1%), seguido de São José do Vale do Rio Preto (0,7%), Rio Claro (-1,3%) e Engenheiro Paulo de Frontin (+10,8%). Sapucaia (+11,5%) e Engenheiro Paulo de Frontin (+10,8%) foram as que mais evoluíram no IFDM Geral em razão do crescimento da variável de renda.

No IFDM Geral, 95,7% das cidades fluminenses apresentaram desenvolvimento moderado, 2,2%, regular, e nenhuma baixo desenvolvimento. Nas vertentes Saúde e Educação, 52,2% dos municípios foram classificados como alto desenvolvimento.

Mercado de trabalho encolheu em quase 60% das cidades brasileiras

Em relação à totalidade das cidades brasileiras, o estudo mostra que, na comparação com 2015, Educação e Saúde em todo o país tiveram o menor avanço da última década. Nesta edição, o IFDM Brasil atingiu 0,6678 ponto – abaixo do nível observado em 2013.  No resultado geral, que inclui a média das notas dos três indicadores (Emprego e Renda, Saúde e Educação) só 431 municípios (7,9%) tiveram alto desenvolvimento.

Em Emprego e Renda, o IFDM destaca que, entre 2015 e 2016, foram fechados quase 3 milhões de postos de trabalho formais no país. Em 2016, quase 60% das cidades brasileiras fecharam postos de trabalho. Com isso, o indicador de Emprego e Renda do estudo registrou 0,4664 ponto, com pequena recuperação com relação a 2015 (0,4336). O movimento é explicado pelo aumento no rendimento real do trabalhador formal, em parte por conta da política de reajuste do salário mínimo.

Louveira (SP) foi a cidade melhor avaliada de todo o país (0,9006). O segundo e terceiro lugares no ranking nacional ficaram também com cidades paulistas: Olímpia e Estrela do Norte, que avançou 13,4% no IFDM Emprego e Renda graças a aberturas de novos postos de trabalho.

Só cinco cidades alcançaram alto desenvolvimento nesse indicador: São Bento do Norte (RN), Capanema (PR), Telêmaco Borba (PR), Selvíria (MS) e Cristalina (GO). Foi o pior resultado da série histórica. O estudo destaca que a crise foi tão severa que mesmo que o IFDM Emprego e Renda cresça nos próximos anos com variação média de 1,5%, o país só alcançará o nível de 2013 em 2027. A recessão custou mais de uma década de desenvolvimento para o mercado de trabalho formal dos municípios.

O estudo revela que o país mantém enormes disparidades regionais: o Sul é a região mais desenvolvida, tendo 98,8% de cidades com desenvolvimento alto ou moderado. O Sudeste e o Centro-Oeste têm perfil semelhante. Já Norte e Nordeste têm, respectivamente, 60,2% e 50,1% dos municípios com desenvolvimento regular ou baixo. Florianópolis, com 0,8584, ocupa o primeiro lugar entre as capitais. No último lugar do ranking, com 0,3214, está Ipixuna, no Amazonas.

Desafios em Saúde e Educação continuam grandes

Nesta edição o IFDM Saúde teve o menor avanço da última década (1,6%). Entre as variáveis que compõem esse indicador, a que mais precisa se desenvolver é a de percentual de gestantes com sete ou mais consultas pré-natal, o recomendado pelo Ministério da Saúde. Em 2016, um terço (32,2%) delas não tiveram a quantidade mínima de consultas. A perspectiva não é positiva: caso a cobertura evolua na taxa média dos últimos três anos a universalização só será atingida em 2029.

O IFDM Educação também progrediu lentamente: foi o menor avanço da última década (0,6%): os indicadores que compõem esse quesito continuam longe das metas definidas pelo Plano Nacional de Educação (PNE). A meta de universalizar a educação infantil na pré-escola, por exemplo, que deveria ter sido atingida em 2016, só deve ser alcançada em 2035 caso a taxa de crescimento permaneça em 1,2%.

Para o Sistema FIRJAN, políticas macroeconômicas para o equilíbrio fiscal e gestão eficiente dos recursos públicos são essenciais para que as cidades se recuperem e atinjam nível de desenvolvimento que atenda às necessidades dos brasileiros.

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