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segunda-feira, outubro 19, 2026
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Abandono escolar cai 62% em Volta Redonda

Na semana em que os professores celebram seu dia, os dados da educação em Volta Redonda mostram um avanço na permanência dos estudantes na escola, mas também revelam desafios que persistem. O número de registros de abandono escolar caiu 62,4% entre 2021 e 2024, passando de 452 para 170, segundo o Censo Escolar, realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Apesar da redução, o ensino médio concentrou 90 dos casos registrados em 2024.

            Nos anos finais do ensino fundamental, do 6º ao 9º ano, foram registrados 62 casos. Nos anos iniciais, do 1º ao 5º ano, foram 18. Os números mostram que, embora o abandono tenha diminuído no período, o problema ainda atinge estudantes de diferentes etapas da educação básica.

            O abandono escolar ocorre quando o estudante deixa de frequentar a escola durante o ano letivo. As informações são fornecidas pelas instituições de ensino ao Inep, por meio do Censo Escolar, e ajudam a dimensionar o problema e a orientar políticas públicas voltadas à permanência dos alunos na escola.

            Representante do Coletivo Na Pele e do Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação (Sepe), a professora Juliana Carvalho avalia que diferentes fatores podem ter contribuído para a redução dos registros. Entre eles, está o programa federal Pé-de-Meia, que oferece incentivo financeiro a estudantes do ensino médio da rede pública.

            “Acredito que a implementação do programa federal Pé-de-Meia pode ter ajudado na permanência dos estudantes do ensino médio”, afirma Juliana.

            A professora também aponta mudanças nas políticas educacionais e nas condições de vida das famílias como fatores que influenciam a permanência dos alunos. Segundo ela, a ampliação das escolas em tempo integral, por exemplo, pode representar uma dificuldade para estudantes que precisam trabalhar ou ajudar no sustento de casa.

            A vulnerabilidade social também pesa nessa equação. Problemas relacionados à moradia, ao transporte e ao acesso à saúde podem comprometer a frequência escolar. Juliana cita ainda as dificuldades enfrentadas por famílias que precisam se deslocar para buscar atendimento de saúde, como no caso do Hospital da Criança, no Retiro.

            Outro problema apontado pela professora é a falta de integração entre as redes municipal e estadual de ensino. A transição do 9º ano do ensino fundamental para o ensino médio pode deixar estudantes sem acompanhamento adequado, especialmente quando não há uma articulação eficiente para garantir a matrícula na etapa seguinte.

Busca ativa ajuda a combater o abandono escolar

            Uma das estratégias para enfrentar o problema é a Busca Ativa Escolar, iniciativa desenvolvida pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) em parceria com a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime). A metodologia utiliza uma plataforma para identificar crianças e adolescentes fora da escola ou em risco de abandonar os estudos, permitindo que as redes de ensino acompanhem cada caso.

            A proposta envolve a atuação conjunta de diferentes setores, como educação, assistência social e saúde, para identificar os motivos que afastam os estudantes das salas de aula e buscar soluções para garantir o retorno e a permanência na escola.

            Para Juliana, porém, a discussão sobre abandono escolar também precisa considerar as condições de trabalho dos profissionais da educação. Ela critica problemas relacionados ao tempo destinado ao planejamento das aulas, à implementação do plano de carreira e ao adoecimento dos trabalhadores.

            “Não resta dúvida que a educação, assim como outro serviço público, é feita por pessoas, e pessoas precisam ter estrutura financeira, emocional e formação adequada para prestar um trabalho de excelência”, afirma a professora.

            A queda nos registros representa uma melhora no cenário de Volta Redonda, mas os números e os relatos dos profissionais indicam que a permanência dos estudantes na escola depende de ações contínuas. O desafio é evitar que dificuldades sociais, falhas no acompanhamento e problemas na estrutura da educação interrompam a trajetória escolar de crianças e adolescentes.

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