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quinta-feira, outubro 1, 2026
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Operação Escola de Papel mira ex-secretária de Educação do governo Castro por suspeita de desvio de recursos

A Polícia Civil e o Ministério Público do Rio de Janeiro deflagraram, nesta quinta-feira (1º), a Operação Escola de Papel, que investiga suspeitas de fraudes em contratos da Secretaria Estadual de Educação durante a gestão da ex-secretária Roberta Barreto de Oliveira. Segundo os investigadores, o possível prejuízo aos cofres públicos pode chegar a R$ 1,6 bilhão.

Ao todo, são cumpridos 19 mandados de busca e apreensão, sem mandados de prisão. As ordens judiciais foram autorizadas pela Justiça e são cumpridas em endereços de pessoas físicas e empresas na capital, na Baixada Fluminense e na Região dos Lagos. Também foi determinado o bloqueio de aproximadamente R$ 19 milhões em bens dos investigados.

A investigação apura possíveis irregularidades em contratações realizadas entre 2024 e 2025 para reformas de escolas da rede estadual. Entre os investigados estão ex-integrantes da Secretaria de Educação, um capitão do Corpo de Bombeiros, um policial militar e empresários.

Segundo o MPRJ, há indícios de direcionamento de contratos, superfaturamento e lavagem de dinheiro. Os investigadores apuram possíveis crimes de corrupção ativa e passiva, peculato, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

De acordo com a investigação, os recursos eram repassados pela Secretaria de Educação às Associações de Apoio às Escolas (AAEs), responsáveis por administrar verbas destinadas à manutenção e melhorias das unidades. Os valores, então, eram transferidos para empresas contratadas para realizar as obras.

A suspeita é de que alguns contratos apresentavam valores superiores aos custos efetivos dos serviços. Após os pagamentos, parte do dinheiro seria sacada em espécie ou transferida para outras empresas ligadas ao grupo, dificultando o rastreamento dos recursos e a identificação dos possíveis beneficiários.

Um dos elementos que ajudaram a investigação foi a apreensão de R$ 500 mil em dinheiro vivo, em janeiro deste ano, na saída de uma agência bancária em Duque de Caxias. Segundo os investigadores, o dinheiro havia sido sacado pelo administrador de uma empresa contratada para realizar obras em escolas estaduais.

O homem estava em uma caminhonete conduzida por um policial militar armado, que seria responsável pela segurança durante o transporte dos valores.

Ainda segundo o depoimento do administrador, a empresa teria recebido cerca de R$ 6 milhões para aproximadamente 15 obras, mas somente R$ 2 milhões teriam sido utilizados na execução dos serviços. Os outros R$ 4 milhões, segundo ele, teriam ficado com um intermediário responsável por organizar as contratações e controlar a movimentação financeira.

A análise dos contratos e das informações financeiras também identificou que uma das empresas investigadas recebeu aproximadamente R$ 19,8 milhões em recursos públicos somente em 2025. Desse total, cerca de R$ 8,93 milhões foram sacados em espécie, de acordo com a investigação.

A operação tem como objetivo identificar os possíveis beneficiários dos desvios e reunir novas provas sobre a atuação dos investigados. O caso permanece sob sigilo e as investigações continuam em andamento.

 Foto: Divulgação

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