“Volta Redonda vai continuar sendo uma cidade segura.” Foi com essa afirmação que o prefeito Neto (PP) comentou, na manhã de quinta-feira (dia 29), a onda de violência que atingiu o município desde domingo (dia 25). Em entrevista à Rádio Sintonia do Vale, o chefe do Executivo falou sobre a suspeita de participação de policiais militares na invasão da Vila Brasília, a mudança no comando do 28º BPM e o reforço do policiamento, que, segundo ele, será mantido por tempo indeterminado.
Até então, o prefeito não havia se pronunciado oficialmente em suas redes sociais sobre os episódios. Ao explicar o silêncio, disse que estava sem celular e sem acesso ao WhatsApp. Segundo ele, na quarta-feira (dia 28), conseguiu uma liminar na Justiça para desbloquear o aparelho.
“Primeiramente, eu dei um azar muito grande, porque fiquei sem celular, sem WhatsApp. O meu WhatsApp está até hoje bloqueado. Ontem [quarta-feira] eu ganhei uma liminar na Justiça para desbloquear, porque não há motivo nenhum”, afirmou.
Neto atribuiu ao secretário municipal de Comunicação Social, Rafael Paiva, papel importante na articulação com as forças de segurança durante o período em que esteve sem acesso ao aplicativo. Também agradeceu ao secretário de Estado de Polícia Militar, coronel Sylvio Guerra, e à comandante do 5º CPA, coronel Daniele Farias, pelo apoio ao município.
Imagens mostram viaturas acompanhando veículos da invasão
A Polícia Militar reconheceu a participação de policiais nos acontecimentos da Vila Brasília. Imagens do sistema de monitoramento da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Semop) registraram veículos utilizados na invasão sendo acompanhados por duas viaturas do Grupamento de Ações Táticas (GAT) do 28º BPM.
Durante a entrevista, Neto afirmou que houve conivência no comando do batalhão e disse que seis policiais foram afastados por participação nos acontecimentos. Em meio à crise, a então comandante do 28º BPM, tenente-coronel Amanda Neves Ferreira, foi exonerada, conforme publicação no Boletim Interno da Polícia Militar. O tenente-coronel Décio Keiji Takamine assumiu o comando na quarta-feira (dia 28).
“Já se constatou que houve uma conivência do comando do 28º Batalhão e que seis policiais já estão afastados por terem participado desse momento terrível para a população de Volta Redonda”, declarou o prefeito.
Neto afirmou que a apuração está sob responsabilidade da Corregedoria da Polícia Militar e ponderou que as responsabilidades precisam ser estabelecidas após a investigação. “Não podemos ser injustos e acusar sem que haja total apuração”, disse.
O prefeito também afirmou que o 28º BPM reúne profissionais competentes, mas reconheceu a gravidade das suspeitas. “Tem muita gente boa, mas houve uma certa contaminação do batalhão”, declarou.
Ocupação policial sem prazo para terminar
O prefeito Neto afirmou que o reforço da segurança será mantido em Volta Redonda e que a ocupação da Vila Brasília não tem data para acabar. “Com o reforço do policiamento que está chegando para Volta Redonda, a ocupação da cidade pelas forças de segurança não tem prazo para terminar”, disse.
O prefeito destacou a atuação do novo comandante do 28º BPM, tenente-coronel Décio Keiji Takamine. Na entrevista, lembrou que o oficial já foi corregedor da Polícia Militar e coordenava o programa Segurança Presente na região.
Neto também agradeceu à Polícia Civil, citando o delegado Vinícius Coutinho, o delegado adjunto José Carlos Neto e as equipes da instituição. Segundo ele, um dos suspeitos de envolvimento nos episódios foi preso na tarde de quarta-feira (dia 28), e os veículos utilizados na ação foram apreendidos. O prefeito afirmou que os carros eram roubados.
O chefe do Palácio 17 de Julho, acrescentou, que o governo municipal está dando suporte às equipes enviadas à cidade, incluindo providências para hospedagem e estrutura de trabalho dos policiais. Entre os reforços que atuam em Volta Redonda estão agentes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e do Batalhão de Rondas Especiais e Controle de Multidão (Recom), unidades especializadas da PM.
Violência afeta rotina de escolas e moradores
Durante a entrevista, Neto reconheceu a preocupação dos moradores e os impactos da violência sobre a rotina da cidade. Citou a suspensão das atividades na creche Lar Irmã Zilá, no bairro Belmonte, e no Centro Universitário de Volta Redonda (UniFOA), além dos reflexos em outras unidades de ensino.
O prefeito também mencionou o temor de moradores diante de relatos de possíveis toques de recolher. Sobre as mensagens compartilhadas pelo WhatsApp, alertou para a necessidade de distinguir informações confirmadas de rumores.
Neto afirmou que a Prefeitura não determinou uma suspensão generalizada das atividades e que as paralisações adotadas na segunda-feira (dia 26) foram pontuais, diante do cenário de insegurança.
Prefeitura oferece apoio ao reforço policial
Ao longo da entrevista, Neto agradeceu ao comando da Polícia Militar pelas medidas adotadas e afirmou que o governo municipal continuará oferecendo apoio às forças de segurança. O prefeito também mencionou a destinação de seis motocicletas para o programa Segurança Presente, cinco delas atribuídas ao deputado federal general Eduardo Pazuello (PL), além de 50 coletes à prova de balas.
Ao final, Neto reafirmou a confiança na retomada da normalidade e disse acreditar que os episódios não voltarão a acontecer. “Volta Redonda vai continuar sendo uma cidade segura. Nós vamos restabelecer tudo aquilo que sempre teve em Volta Redonda. Tenho certeza absoluta de que isso jamais voltará a acontecer na nossa cidade”, afirmou.














































