O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) confirmou, neste sábado (dia 10), a vitória de Douglas Ruas (PL) na disputa pelo governo do estado, após a retotalização dos votos do primeiro turno das eleições. Com a exclusão dos 274.411 votos recebidos por Anthony Garotinho (Republicanos), anulados por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Ruas passou de 49,27% para 50,88% dos votos válidos, percentual suficiente para garantir a eleição sem a necessidade de segundo turno.
O procedimento foi realizado na sede do TRE-RJ, no Palácio da Democracia, sob a condução do presidente da Corte, desembargador Cláudio de Mello Tavares. A sessão contou com a participação dos sete integrantes do tribunal, além de representantes do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e de partidos políticos.
Durante o anúncio, o presidente do TRE-RJ afirmou que Douglas Ruas alcançou mais da metade dos votos válidos, requisito previsto na legislação eleitoral para a vitória no primeiro turno.
Como ficou o resultado da eleição
Na apuração inicial, realizada após a votação de domingo (dia 4), Douglas Ruas recebeu 4.271.199 votos, o equivalente a 49,27% dos votos válidos. Eduardo Paes (PSD), que concorria à reeleição, ficou em segundo lugar, com 3.706.984 votos, correspondentes a 42,76%. Anthony Garotinho havia recebido 274.411 votos, ou 3,17%.
Com a retirada dos votos de Garotinho do cálculo, os percentuais dos demais candidatos foram recalculados. Ruas passou a registrar 50,88%, enquanto Paes ficou com 44,16%. A diferença entre os dois candidatos permaneceu em 564.215 votos.
Antes da decisão judicial, a previsão era de segundo turno entre Ruas e Paes, marcado para 25 de outubro. Com a nova totalização, a disputa foi definida no primeiro turno.
Por que os votos de Garotinho foram anulados?
Anthony Garotinho teve o registro de candidatura indeferido pela Justiça Eleitoral em razão de uma condenação por improbidade administrativa. A defesa sustentava que o período de inelegibilidade já havia sido cumprido.
O ex-governador recorreu ao TSE para tentar validar a candidatura. Enquanto o caso estava em análise, os votos recebidos por ele apareceram na apuração como anulados sub judice, ou seja, dependentes de uma decisão judicial definitiva sobre a situação da candidatura.
Na quinta-feira (8), o TSE manteve o indeferimento do registro e decidiu, por cinco votos a dois, anular os 274.411 votos. A maioria entendeu que essa votação não deveria continuar sendo considerada no cálculo dos votos válidos para a definição do resultado.
A defesa de Garotinho havia pedido a desistência do recurso após o primeiro turno, mas o TSE não acolheu o pedido.
Paes tentou suspender a decisão
Após o julgamento do TSE, a coligação de Eduardo Paes recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar suspender os efeitos da decisão e garantir a realização do segundo turno.
O pedido cautelar foi negado pelo ministro Cristiano Zanin. A decisão teve como fundamento questões processuais: ainda não havia sido apresentado o recurso extraordinário necessário, nem realizado o exame de admissibilidade pelo TSE.
Depois da decisão do STF, Paes afirmou que respeitaria o resultado da Justiça Eleitoral e informou que não insistiria na tentativa de reverter a definição do pleito.
Quem é Douglas Ruas
Aos 37 anos, Douglas Ruas dos Santos é formado em Direito e pós-graduado em Gestão Pública pela Universidade Estácio de Sá. Antes de ingressar na política, atuou como policial civil.
Filho de Capitão Nelson (PL), prefeito de São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, Ruas iniciou sua trajetória na administração pública municipal. Entre 2017 e 2018, foi subsecretário de Trabalho de São Gonçalo. Depois, ocupou a superintendência do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), entre 2019 e 2020, e a Secretaria Municipal de Gestão Integrada e Projetos Especiais, de 2021 a 2022.
Em 2022, foi eleito deputado estadual com 175.977 votos, a segunda maior votação para a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) naquele pleito.
Em setembro de 2023, licenciou-se do mandato para assumir a Secretaria de Estado das Cidades, durante a gestão de Cláudio Castro (PL). Permaneceu no cargo até março de 2026. Posteriormente, retornou ao Legislativo e foi eleito presidente da Alerj em abril.
Foto: Divulgação/Alerj













































