A fábrica da Nissan em Resende pode ganhar um novo parceiro industrial. A montadora chinesa Dongfeng Motors, que adotará a marca comercial DFM no Brasil, mantém negociações avançadas com a Nissan para viabilizar a produção de veículos no país. O município do Sul Fluminense está no radar da empresa, que pretende definir até o fim de 2026 o modelo de operação que será adotado no mercado brasileiro.
A informação foi revelada pelo CEO regional da Dongfeng para as Américas, Wang Jiong, em entrevista ao portal Jornal do Carro, do Estadão, realizada na segunda-feira (dia 3). Segundo o executivo, a empresa avalia três possibilidades: utilizar uma fábrica já existente, formar uma joint venture com outra montadora ou construir uma estrutura própria.
Entre as negociações em andamento, a Nissan é apontada como a parceira mais adiantada. As equipes técnicas das duas empresas já avaliam a possibilidade de utilização da unidade industrial instalada em Resende, onde a Nissan produz veículos desde 2014.
“Estamos conversando. O progresso é muito positivo”, afirmou Wang Jiong, ao comentar as tratativas com a fabricante japonesa.
O executivo, no entanto, afastou a possibilidade de uma aquisição integral do complexo industrial de Resende pela Dongfeng. Segundo ele, a tendência é que a Nissan permaneça na unidade e busque um novo parceiro para ampliar a operação. “Pelo que sei, a Nissan pretende manter a fábrica. Acredito que ela procure mais um parceiro do que um comprador”, declarou.
Procurada, a Nissan informou que avalia continuamente oportunidades em diferentes mercados, mas afirmou que qualquer novidade será comunicada oficialmente pela empresa.
Produção pode começar em 2027
A estratégia industrial da Dongfeng no Brasil deverá ser definida até o encerramento de 2026. A expectativa é que a produção nacional tenha início no segundo semestre de 2027. Até lá, a DFM pretende atuar no país com veículos importados. A meta apresentada pela empresa é chegar a um índice de 60% de nacionalização de componentes quando a produção local estiver consolidada.
O grupo chinês também avalia a possibilidade de produzir baterias no Brasil. Para Wang Jiong, o país possui uma vantagem importante por contar com matérias-primas necessárias para a cadeia de eletrificação, mas ainda precisa ampliar sua capacidade tecnológica e industrial.
“O Brasil tem a matéria-prima. O que falta é tecnologia e capacidade de produção”, afirmou. A chegada da DFM ao mercado brasileiro começa nos próximos meses. O primeiro lote, com cerca de 300 veículos destinados à apresentação da marca, está previsto para desembarcar em setembro. As vendas oficiais devem começar em outubro, com um segundo lote de até 1.500 unidades.
Hatch elétrico está entre os primeiros modelos
Um dos principais modelos cotados para a estreia da marca no país é o DFM Box, hatch elétrico que já foi flagrado em testes no Brasil e deve disputar espaço com modelos como BYD Dolphin, MG4 Urban, GAC Aion UT e Geely EX2.
O Box é equipado com motor elétrico de 70 kW, equivalente a cerca de 95 cv, e torque de 16,3 kgfm. A bateria utiliza tecnologia LFP e pode chegar a 42,6 kWh de capacidade, com autonomia de até 430 quilômetros no ciclo de testes chinês.
Outro modelo previsto para o mercado brasileiro é o Vigo, um SUV elétrico de maior porte. As informações disponíveis ainda são mais limitadas, mas o veículo deve ter potência próxima de 130 cv e autonomia estimada em até 470 quilômetros.
Gigante chinesa
Fundada em 1969, a Dongfeng é um dos grandes grupos da indústria automotiva chinesa. A companhia possui complexos industriais em cidades como Wuhan, Shiyan, Xiangyang e Guangzhou e afirma já ter produzido cerca de 60 milhões de veículos.
No primeiro semestre de 2026, o grupo vendeu 1,021 milhão de veículos na China, ocupando a sétima posição entre as maiores fabricantes do país. Ficou atrás de SAIC, BYD, Geely, FAW, Chery e Changan.
Em 2025, as vendas globais da Dongfeng chegaram a aproximadamente 2,4 milhões de unidades. Mais de 1,5 milhão foram de marcas próprias, que já respondem por cerca de 63% dos negócios do grupo.
A companhia possui cerca de 120 mil funcionários e receita anual estimada em 416 bilhões de yuans, equivalente a aproximadamente R$ 313 bilhões. O conglomerado reúne marcas como Aeolus/Fengshen, eπ, Nammi/Nano, Voyah e M-Hero, além de operações e joint ventures com fabricantes como Honda, Nissan e Stellantis.
Controlada pelo governo central chinês, a Dongfeng atua em diferentes segmentos da indústria automotiva, incluindo veículos de passeio, elétricos, caminhões, ônibus, componentes e tecnologias próprias. A empresa também mantém operações em mais de cem países.
No Brasil, a estratégia prevê uma expansão acelerada da rede comercial. A DFM pretende iniciar a operação com cerca de 60 concessionárias e chegar perto de 200 revendedores até o fim de 2027. Para o Sul Fluminense, entretanto, a possibilidade de uma parceria com a Nissan em Resende é o principal ponto de atenção.
Caso as negociações avancem, a chegada da Dongfeng poderá representar a entrada de uma nova marca global na cadeia automotiva da região e reforçar a posição de Resende como um dos principais polos do setor no Estado do Rio.













































