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quinta-feira, novembro 5, 2026
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Troca no comando da CSN repercute entre políticos de Volta Redonda

            A saída de Benjamin Steinbruch da presidência executiva da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) movimentou não apenas o mercado financeiro, mas também a classe política de Volta Redonda. Depois de 24 anos à frente da companhia, Steinbruch deixou na quinta-feira (dia 3) o comando executivo da empresa e passou a presidir o Conselho de Administração.

            Para Volta Redonda, onde está instalada a Usina Presidente Vargas (UPV), principal unidade siderúrgica do grupo, a mudança abre uma nova etapa na relação entre a empresa e a cidade. A CSN anunciou a mudança na noite de quarta-feira (dia 2). Para o cargo de presidente executivo, o Conselho de Administração aprovou a eleição de Fabio Schvartsman, ex-presidente da Vale. Apesar de deixar a gestão cotidiana da companhia, Steinbruch, que também é controlador do grupo, continuará tendo participação direta nas decisões estratégicas da CSN.

            A alteração ocorre em um momento importante para a empresa. A CSN conduz um processo de reorganização financeira, com negociação de ativos para reduzir o endividamento, e a chegada de Schvartsman foi recebida positivamente pelo mercado. As ações da companhia negociadas em São Paulo chegaram a subir 20% durante o pregão de quinta-feira, na maior alta intradiária desde março de 2020.

            Em Volta Redonda, porém, a pergunta vai além do comportamento das ações: o que muda na relação da CSN com a cidade? A Folha do Aço ouviu lideranças políticas e representantes dos trabalhadores para saber como a mudança foi recebida e o que esperam da nova fase da companhia.

Expectativa por mais diálogo

            O prefeito Neto (PP), que já viveu às turras com Steinbruch, afirmou esperar que a nova gestão consiga conciliar os objetivos econômicos da companhia com suas responsabilidades sociais e ambientais. “Esperamos que ele possa cumprir com as metas econômicas, sem deixar de levar em conta o aspecto social e ambiental. Na verdade, temos convicção de que isso será alcançado. Desejamos sorte e sucesso”, afirmou.

            Presidente da Câmara Municipal, Nilton Alves de Faria, o Neném (PP), disse ter recebido a mudança “com atenção e respeito” e destacou o legado de Steinbruch à frente da CSN e sua importância para Volta Redonda. Para o presidente do Legislativo, a nova fase deve ser acompanhada de uma relação próxima entre empresa e município.

            “Neste novo momento, espero que a companhia mantenha uma relação próxima e transparente com a cidade, com investimentos, geração de empregos, responsabilidade ambiental e participação no desenvolvimento de Volta Redonda”, afirmou.

 

Jari cobra investimentos na usina

            O deputado estadual Jari Oliveira (PSB) também considera a mudança uma oportunidade para a CSN ampliar o diálogo com Volta Redonda. “Mais do que discutir nomes, precisamos olhar para o futuro”, afirmou.

            Entre as principais expectativas apresentadas pelo parlamentar estão investimentos na Usina Presidente Vargas, modernização da planta e adoção de equipamentos e tecnologias capazes de reduzir as emissões de poluentes. Jari também defende que a companhia tenha participação mais efetiva na geração de emprego e renda, inclusive por meio da atração de novas empresas ligadas à cadeia do aço para Volta Redonda e o Sul Fluminense.

            “A CSN faz parte da história de Volta Redonda, mas essa relação precisa olhar para o futuro. Queremos uma empresa forte, competitiva e que também seja parceira da cidade, contribuindo para o desenvolvimento econômico e, principalmente, respeitando o direito da população a um meio ambiente mais saudável”, afirmou.

 

Sindicato quer garantia de empregos

            Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Sul Fluminense, Odair Mariano disse que a entidade acompanha a mudança com atenção e colocou a preservação dos postos de trabalho entre as principais preocupações.

            “Esperamos um diálogo transparente, de mais respeito com a cidade e com forte responsabilidade socioambiental. O crescimento da CSN precisa caminhar junto com a valorização de Volta Redonda”, afirmou.

            O sindicalista também cobrou investimentos na UPV, principalmente em modernização tecnológica, manutenção das instalações e controle ambiental. “Investir na UPV é essencial para garantir a segurança no chão de fábrica, a saúde dos trabalhadores e a longevidade da usina”, disse.

            Odair afirmou ainda que o Sindicato espera que a nova diretoria mantenha uma postura de valorização dos trabalhadores nas próximas negociações salariais, com melhores condições de trabalho e ganho real.

 

Furtado espera novo momento

            Vereador e candidato a deputado federal, Rodrigo Furtado (PL), que trabalhou durante dez anos na CSN, classificou a mudança como um momento histórico para a empresa e para Volta Redonda. Ele ressaltou, entretanto, que a saída de Steinbruch da presidência executiva não representa seu afastamento da companhia.

            “É uma mudança importante de comando, mas não um afastamento completo de Steinbruch da empresa”, afirmou. Furtado defendeu que a chegada de Schvartsman seja acompanhada por uma nova etapa de diálogo entre a companhia e o município. Entre as prioridades citadas estão investimentos na UPV, preservação e geração de empregos, qualificação profissional e fortalecimento da economia local.

            O vereador também colocou a questão ambiental entre os principais desafios. Segundo ele, Volta Redonda espera avanços no controle das emissões atmosféricas e uma solução para a montanha de escória, tema que há anos provoca preocupação na cidade.

            “Queremos uma CSN forte, competitiva, investindo, produzindo e gerando empregos. Mas queremos também uma empresa que compreenda que crescer economicamente significa assumir integralmente suas responsabilidades com a cidade onde está instalada”, afirmou.

 

Munir fala em cautela

            O deputado estadual Munir Neto (Solidariedade) adotou uma postura mais cautelosa diante da mudança e afirmou que qualquer previsão sobre os rumos da companhia neste momento seria prematura. “O novo presidente está assumindo agora e, neste momento, qualquer previsão sobre os rumos da gestão seria apenas especulação”, afirmou.

            Munir disse esperar uma gestão “bem-sucedida, humanizada e aberta ao diálogo”, capaz de fortalecer a companhia sem deixar de lado suas responsabilidades sociais e ambientais. Para o parlamentar, a mudança não altera a postura da classe política local em relação à empresa.

            “Independentemente de quem esteja na presidência da empresa, uma coisa não muda: a nossa postura. Vamos continuar firmes na fiscalização, na defesa dos interesses da população e, ao mesmo tempo, sempre dispostos ao diálogo para construir uma relação cada vez melhor entre a CSN, seus trabalhadores e a sociedade”, afirmou.

Steinbruch continua no comando estratégico

            Apesar da mudança, não se trata de uma saída completa de Steinbruch da CSN. O empresário continuará como presidente do Conselho de Administração e controlador do grupo, concentrando sua atuação na estratégia da companhia e no desenvolvimento de novos negócios. A sucessão, segundo ele, vinha sendo discutida havia pelo menos três anos.

            Steinbruch afirmou que a escolha de Schvartsman ocorreu após conversas iniciadas há cerca de cinco meses e classificou o novo presidente como um executivo “brilhante”, destacando sua experiência e capacidade de trabalho.

            A decisão também tem um componente pessoal. Aos 73 anos, Steinbruch afirmou que pretende reduzir a rotina dedicada à operação da companhia e passar mais tempo com a família. Schvartsman passa, assim, a comandar a operação, enquanto Steinbruch permanece à frente do Conselho de Administração e mantém influência sobre as decisões estratégicas do grupo.

 

Novo presidente assume em momento decisivo

            Schvartsman chega à CSN com a missão de conduzir a empresa em um período de pressão financeira e reorganização dos negócios. A companhia busca reduzir o endividamento por meio da venda de ativos, incluindo operações nos segmentos de cimento e infraestrutura.

            O executivo possui experiência em grandes grupos industriais. Antes de assumir a presidência da Vale, em 2017, foi diretor-geral da Klabin por seis anos e passou 22 anos no Grupo Ultra. Depois de deixar a Vale, integrou o Conselho de Administração da Vibra.

Sua passagem pela Vale, entretanto, ficou marcada pelo rompimento da barragem de Brumadinho, em Minas Gerais, em janeiro de 2019, que deixou 272 mortos.

            Schvartsman é réu no processo criminal que apura responsabilidades pelo desastre. Em agosto deste ano, o Superior Tribunal de Justiça indeferiu recurso da defesa para retirá-lo da ação.

 

Mercado aprova mudança

            A reação dos investidores contrastou com as incertezas provocadas pela troca de comando. As ações da CSN chegaram a avançar 20% na quinta-feira, enquanto títulos de dívida da companhia também registraram valorização.

            A reação ocorreu em meio à expectativa de que a nova gestão acelere medidas de reorganização financeira e redução da dívida. Para o mercado, um dos pontos positivos da escolha de Schvartsman é a possibilidade de uma gestão executiva mais profissionalizada, enquanto Steinbruch permanece no Conselho e mantém influência sobre as decisões estratégicas.

 

O que muda para a Cidade do Aço?

            A permanência de Steinbruch no comando estratégico e a chegada de Schvartsman à gestão executiva colocam investimentos, empregos, questões ambientais e a relação com o município entre os principais pontos de atenção dessa nova configuração da CSN.

            A companhia nasceu em 1941, e a implantação da Usina Presidente Vargas foi determinante para transformar Volta Redonda em um dos principais polos industriais do país. Mais de oito décadas depois, a relação entre empresa e cidade continua marcada por uma dependência econômica mútua e também por cobranças.

            Para Volta Redonda, o efeito da mudança será acompanhado de perto. A nova configuração coloca à prova a capacidade da CSN de conciliar os planos de crescimento e reorganização da empresa com as demandas de uma cidade cuja história está diretamente ligada à companhia.

1 COMENTÁRIO

  1. Novos tempos para a CSN!
    Prosperidade, empregos e melhor remuneração para todos os metalúrgico que atuam dentro da Usina Presidente Vargas.
    O “seu sindicato”, orgulhoso da própria atuação, também faz parte desta conquista! A nova gestão da CSN certamente trará tempos melhores para os Operários da Siderúrgica. Parabéns a todos.

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