O Sindicato dos Metalúrgicos do Sul Fluminense recebeu, na quinta-feira (dia 5), em sua sede, em Volta Redonda, estudantes da Universidade Federal do Paraná (UFPR) para uma palestra sobre a história do movimento sindical na região e a luta dos trabalhadores metalúrgicos.
A atividade integrou as discussões do curso de Geografia, ministrado pelo professor Danilo Volochko, na disciplina Produção do Espaço Brasileiro, e proporcionou aos universitários uma oportunidade de conhecer de perto a trajetória do Sindicato e sua importância na história política, social e econômica do Sul Fluminense.
Durante o encontro, foram abordados temas como a criação e o desenvolvimento da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), a atuação do Sindicato ao longo das décadas, a repressão aos trabalhadores durante a ditadura militar e a importância da organização coletiva na defesa dos direitos trabalhistas.
Um dos principais momentos da palestra foi a abordagem da histórica greve de 1988 na CSN, marcada pela resistência dos trabalhadores e pela violenta intervenção militar ocorrida em 9 de novembro, que resultou na morte de três operários. Os estudantes também conheceram os desdobramentos da mobilização, a importância do chamado abraço simbólico à Usina e a luta pela preservação da memória daqueles que fizeram parte dessa história.
Ao longo da atividade, os alunos puderam fazer perguntas, esclarecer dúvidas e trocar conhecimentos com os representantes da entidade, aproximando o conteúdo acadêmico da realidade e das experiências de quem acompanha e constrói diariamente a luta sindical.
Para o presidente do Sindicato, Odair Mariano, receber os estudantes é uma oportunidade de compartilhar uma história que precisa continuar sendo conhecida pelas novas gerações.
“É muito importante receber os estudantes e apresentar a história do nosso Sindicato, que se confunde com a própria história de Volta Redonda e da classe trabalhadora. Conhecer as lutas do passado é fundamental para entender os direitos conquistados e perceber que eles precisam ser defendidos todos os dias. A memória dos trabalhadores não pode ser esquecida.”
O diretor de Organização por Local de Trabalho, André Alves, também destacou a importância de aproximar a universidade do movimento sindical e apresentar aos estudantes a realidade dos trabalhadores.
“Momentos como esse permitem mostrar que o Sindicato vai muito além das negociações salariais. Existe uma história de organização, mobilização e resistência construída pelos trabalhadores. É importante que os estudantes conheçam essa trajetória, compreendam o papel da organização coletiva e levem esse conhecimento para suas pesquisas e para a sociedade.”
A visita reforça a importância do diálogo entre universidade e movimento sindical, contribuindo para a preservação da memória da classe trabalhadora e para a construção de novas reflexões sobre o mundo do trabalho, o território e as transformações sociais.
Preservar essa história é reconhecer a luta de quem veio antes e fortalecer as próximas gerações de trabalhadores.















































Na condição de funcionário da CSN, que fui no período entre 1980 e 1998, não me lembro de nenhuma conquista nos acordos coletivos firmados pelo sindicato. Lembro sim de perdermos a girafa, a PLR, reposição do plano Bresser (perdemos 7 salários), centenas de metalúrgicos demitidos e outros benefícios. Na greve de 1989, lembro-me com muita clareza, eu estava lá, do então Juarez Antunes, discursando sobre o carro de som que estava parado perto de onde é hoje o Mac Donald, na Vila Santa Cecília, num momento crucial da greve pois já se avizinhava a a vitória das nossas reivindicações, o famoso discurso dele (Juarez): “A greve é como subir uma montanha… Chega um ponto, onde não dá mais para subir e então começamos a descer” . E então a greve acabou, depois de três metalúrgicos mortos, não ganhamos nem mesmo 100% da inflação. Esse é o sindicato dos metalúrgicos que hoje está devendo a apuração de inúmeros acidentes fatais na CSN. É a nossa história.