Enchentes, deslizamentos, ondas de calor, períodos de estiagem, queimadas e ventos fortes têm se tornado desafios cada vez mais presentes na rotina dos moradores do Sul Fluminense. Diante desse cenário, Volta Redonda, Barra Mansa e outros sete municípios da região foram incluídos em um programa do Governo do Estado que prevê a elaboração de Planos Locais de Ação Climática (PLACs), com o objetivo de preparar as cidades para reduzir os impactos provocados pelas mudanças do clima.
A iniciativa faz parte do Programa Ambiente Resiliente, desenvolvido pela Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade em parceria com o Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat) e o ICLEI – Governos Locais pela Sustentabilidade. Ao todo, 34 municípios fluminenses, distribuídos pelas sete regiões hidrográficas do estado, participarão da elaboração dos planos.
Além de Volta Redonda e Barra Mansa, o programa contempla Angra dos Reis, Barra do Piraí, Mangaratiba, Paraty, Resende, Rio Claro e Valença.
Eventos extremos
A elaboração dos planos ocorre em um momento em que os efeitos das mudanças climáticas já são sentidos pela população da região. No último dia 29 de julho, a passagem de uma frente fria provocou uma forte ventania no Sul Fluminense e na Costa Verde, causando transtornos em diversas cidades.
Em Volta Redonda, as rajadas de vento espalharam novamente a poeira proveniente da área da Usina Presidente Vargas, da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), cobrindo bairros da cidade e gerando preocupação entre moradores sobre a qualidade do ar. O fenômeno costuma ocorrer durante períodos de estiagem, quando a ausência de chuvas favorece a dispersão do material particulado.
Na Costa Verde, Angra dos Reis registrou rajadas superiores a 100 km/h, com queda de árvores em diversos pontos da cidade, incluindo trechos da BR-101 (Rio-Santos) e da RJ-155 (Rodovia Saturnino Braga), que liga o município a Barra Mansa. Em Paraty, as fortes rajadas também assustaram moradores, enquanto em Resende registros mostraram a intensidade dos ventos e a movimentação de poeira e árvores.
Além dos ventos fortes, a região também enfrenta períodos de calor intenso e baixa umidade. Nesta semana, a Defesa Civil de Barra Mansa alertou para os efeitos do fenômeno El Niño, com previsão de temperaturas acima da média para o inverno, umidade relativa do ar próxima de 30% e aumento do risco de incêndios em áreas de vegetação.
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o fenômeno deverá permanecer ativo pelo menos até o início de 2027, podendo influenciar o regime de chuvas, as temperaturas e os índices de umidade em diferentes regiões do país.
Planejamento
Os Planos Locais de Ação Climática servirão de base para que as prefeituras estabeleçam políticas públicas de prevenção, adaptação e resposta aos efeitos das mudanças climáticas, considerando as características e vulnerabilidades de cada território. Entre os temas que deverão ser avaliados estão enchentes, deslizamentos de encostas, ondas de calor, queimadas, preservação de áreas verdes, infraestrutura urbana, abastecimento de água, mobilidade e gestão de riscos.
Na prática, os planos deverão orientar investimentos e ações voltados à redução dos impactos de eventos climáticos extremos, além de auxiliar os municípios na busca por recursos destinados a projetos de adaptação e resiliência urbana. A primeira etapa do trabalho consiste na realização de oficinas participativas abertas à população, nas quais serão identificados os principais problemas e prioridades de cada cidade. As contribuições servirão de base para a elaboração de um diagnóstico climático municipal.
Em novembro, um segundo ciclo de oficinas discutirá as estratégias que irão compor os Planos Locais de Ação Climática. A conclusão dos documentos está prevista para 2027.
Cronograma regional
No Sul Fluminense, o cronograma das oficinas já está definido. Paraty abriu a programação regional na quarta-feira (dia 5), com encontro realizado no Cinema da Praça da Matriz. Angra dos Reis recebeu a oficina na quinta-feira (dia 6).
Mangaratiba sediará o encontro nesta sexta-feira (dia 7), das 14h às 18h, no Auditório do Condomínio Reserva do Sahy, no Condado Aldeia dos Reis, às margens da Rodovia Rio-Santos. Na sequência, Valença receberá a oficina no dia 26 de agosto, das 14h às 18h, no UniFAA.
Barra do Piraí será sede no dia 27, no Centro Cultural Rosemar Muniz Pimentel (antiga estação ferroviária). Barra Mansa receberá o evento no dia 28, das 14h às 18h, no Parque Natural Municipal de Saudade.
Em setembro, Resende sediará a oficina no dia 2, das 14h às 18h, no Auditório da Firjan, no bairro Jardim Jalisco. Rio Claro receberá o encontro no dia 3, das 13h às 17h, no Centro de Convenções Professor Walma Pereira. Já Volta Redonda encerrará a programação regional no dia 4 de setembro, das 13h às 17h. O local da oficina ainda será divulgado pela organização.
Metodologia
A elaboração dos planos seguirá a metodologia CityRAP, desenvolvida pelo ONU-Habitat para apoiar municípios na construção participativa de estratégias de resiliência urbana. O trabalho envolve representantes de diferentes áreas da administração pública, como Defesa Civil, Meio Ambiente, Saúde, Educação, Infraestrutura, Habitação, Mobilidade Urbana e Gestão de Riscos, além da participação da sociedade.
Para a chefe do Escritório do ONU-Habitat no Brasil, Rayne Ferretti, a metodologia é especialmente importante para cidades de pequeno e médio porte. “Esperamos um papel ativo dos municípios na construção dessa agenda transversal, para que os planos reflitam as especificidades territoriais, as oportunidades e os desafios de cada localidade”, afirmou.
As oficinas são abertas à participação da população. Após a conclusão da etapa de diagnóstico, prevista para este ano, os municípios voltarão a se reunir em novembro para definir as ações prioritárias de cada cidade. A conclusão dos Planos Locais de Ação Climática está prevista para 2027.












































