16.7 C
V Redonda
quarta-feira, setembro 2, 2026
Início Volta Redonda Após 25 anos, Steinbruch deixa comando da CSN e passa a presidir...

Após 25 anos, Steinbruch deixa comando da CSN e passa a presidir Conselho

Um dos homens mais poderosos e influentes da história econômica de Volta Redonda está deixando o comando executivo da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) após 25 anos. Benjamin Steinbruch, de 73 anos, deixará a presidência da companhia a partir desta quinta-feira (dia 3), mas continuará à frente do grupo como presidente do Conselho de Administração.

A mudança foi anunciada pela CSN em fato relevante divulgado na noite desta quarta-feira (dia 2). Para o cargo de presidente executivo, o Conselho de Administração aprovou a eleição de Fabio Schvartsman, que presidiu a Vale entre 2017 e 2019.

Steinbruch, que também é controlador da CSN, afirmou ao jornal Valor Econômico que a sucessão vinha sendo discutida havia pelo menos três anos. Segundo ele, a escolha de Schvartsman ocorreu após conversas iniciadas há cerca de cinco meses.

“É uma das pessoas mais bem preparadas que conheço, um homem honesto, franco e correto. Um executivo brilhante com uma capacidade de trabalho incomum”, afirmou Steinbruch ao comentar a escolha do sucessor.

A mudança representa uma das principais alterações no comando da CSN em décadas. Embora deixe a presidência executiva, Steinbruch continuará tendo papel central nas decisões do grupo. No Conselho de Administração, pretende concentrar sua atuação na estratégia da companhia e no desenvolvimento de novos negócios.

Ligação histórica com Volta Redonda

A trajetória de Steinbruch está diretamente ligada à CSN e, consequentemente, à história econômica de Volta Redonda. A companhia, criada em 1941 e responsável pela implantação da Usina Presidente Vargas, transformou o município em um dos principais polos siderúrgicos do país.

À frente da CSN durante um quarto de século, Steinbruch comandou a empresa em diferentes ciclos da economia brasileira e em um período marcado pela expansão do grupo para segmentos como mineração, cimento, logística e infraestrutura.

Agora, segundo ele, a decisão de deixar o comando executivo também está relacionada a um desejo de reduzir a rotina à frente da operação e estar mais próximo da família.

“Quero poder ter uma convivência diferente, mais calma, do que tive com meus filhos”, afirmou ao Valor. Steinbruch contou que teve cinco netos em um intervalo de 14 meses.

Novo presidente

Fabio Schvartsman chega à CSN com uma longa trajetória no setor empresarial. Antes de assumir a presidência da Vale, foi diretor-geral da Klabin durante seis anos e passou 22 anos no grupo Ultra, onde ocupou diferentes cargos executivos. Depois de deixar a Vale, passou a integrar o conselho da Vibra.

Sua passagem pela Vale, no entanto, foi marcada pelo rompimento da barragem de Brumadinho, em Minas Gerais, em janeiro de 2019. O desastre deixou 272 mortos. Schvartsman é réu no processo criminal que apura responsabilidades pela tragédia.

Em agosto deste ano, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) indeferiu recurso apresentado pela defesa do executivo para retirá-lo da lista de réus. Em abril, uma decisão do próprio tribunal havia determinado seu retorno ao processo, depois de uma decisão anterior ter encerrado a ação contra ele.

Steinbruch, porém, demonstrou confiança no novo presidente e afirmou ser solidário às famílias das vítimas de Brumadinho. Segundo ele, Schvartsman voltará a provar sua inocência.

CSN busca reduzir endividamento

A troca no comando ocorre em um momento de mudanças importantes na estrutura da CSN. O grupo está negociando a venda de ativos com o objetivo de reduzir seu nível de endividamento.

A companhia deve receber ainda nesta semana propostas vinculantes para a venda de uma participação de 20% a 30% de seu negócio de infraestrutura. Segundo Steinbruch, o número e a qualidade das ofertas devem surpreender.

A CSN também recebeu, em agosto, propostas para a venda da CSN Cimentos. O negócio, segundo informações já divulgadas pelo Valor Econômico, foi avaliado em cerca de R$ 12 bilhões.

As movimentações ocorrem em meio ao aumento da dívida líquida do grupo, que encerrou o segundo trimestre em R$ 42,1 bilhões, alta de 18% em relação ao mesmo período do ano passado. A alavancagem, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda, chegou a 3,49 vezes, ante 3,24 vezes no segundo trimestre de 2025.

O endividamento é apontado por analistas como um dos principais pontos de atenção para a companhia.

Mercado reage à mudança

A expectativa de mudanças na estrutura do grupo já vinha movimentando as ações da CSN. Na terça-feira (1º), os papéis da companhia subiram 7% e lideraram as altas do Ibovespa, em meio à expectativa de anúncios envolvendo a CSN Cimentos.

Nesta quarta-feira (2), as ações voltaram a subir, com alta de 4,18%, encerrando o pregão cotadas a R$ 5,98.

Para Steinbruch, a mudança no comando pode inicialmente surpreender o mercado, mas tende a ser positiva para a companhia. Ele avalia que a chegada de um executivo de fora do grupo poderá contribuir para uma visão mais pragmática em um momento de mudanças nos negócios, investimentos, rentabilidade e liquidez.

No novo papel, Steinbruch pretende continuar participando das decisões estratégicas da companhia. Fora da CSN, também afirmou que pretende dedicar mais tempo ao agronegócio, setor pelo qual diz ter interesse.

A mudança, portanto, não representa uma despedida de Steinbruch da empresa que comandou durante 25 anos. Ele deixa a cadeira de presidente executivo, mas permanece no centro das decisões do grupo, agora com uma atuação mais voltada à estratégia e aos novos negócios.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

error: Esse conteúdo é autoral e protegido.