“Que frio é esse?” A pergunta virou comentário recorrente nas ruas e nas redes sociais do Sul Fluminense nas últimas semanas. Em setembro, chuva frequente e temperaturas mais baixas têm marcado os dias na região. Enquanto o tempo ainda lembra mais inverno do que primavera, porém, as prefeituras de Volta Redonda e Barra Mansa já trabalham com outro cenário para os próximos meses: calor, estiagem e, depois, chuva volumosa.
Em Barra Mansa, a Defesa Civil reuniu na quinta-feira (dia 17) equipes de diferentes setores da Prefeitura para discutir justamente esse cenário. A avaliação apresentada no encontro, realizado no Parque Natural de Saudade, considera a possibilidade de um período de seca e temperaturas elevadas entre outubro e dezembro, seguido por chuvas mais intensas entre janeiro e abril.
A reunião marcou o início dos trabalhos do Comitê Municipal de Enfrentamento aos Efeitos do El Niño, criado por decreto publicado no último dia 8. O grupo reúne secretarias e outros setores da administração municipal, além de contar com a participação convidada da Light e do Corpo de Bombeiros.
Segundo o coordenador da Defesa Civil de Barra Mansa, João Vitor Ramos, as equipes estão acompanhando as projeções do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Ele afirmou que já existem sinais de um possível “Super El Niño” e que o município precisa estar preparado para mudanças significativas no comportamento do tempo.
“Para o período de 2026/2027, precisamos acompanhar de perto os cenários climáticos e os efeitos que o Super El Niño pode provocar, como seca e altas temperaturas entre outubro e dezembro e chuvas volumosas de janeiro a abril”, afirmou Ramos.
A preocupação não se resume ao volume de chuva. Um período mais seco e quente pode aumentar o risco de incêndios florestais, pressionar o abastecimento de água e afetar a agricultura. Já as chuvas volumosas elevam a possibilidade de alagamentos, enchentes e deslizamentos.
Ramos citou ainda um dado que ajuda a explicar a atenção das equipes neste momento: Barra Mansa registrou 250 milímetros de chuva no último mês, enquanto a média indicada pela Defesa Civil para o período é de 80 milímetros. Para ele, a sequência de dias chuvosos nas últimas duas semanas também foge do padrão esperado para setembro.
“No último mês, registramos um acumulado de chuvas de 250 milímetros, sendo que o normal para este período é de 80 milímetros. Nas últimas duas semanas, choveu direto em nosso município, o que não é normal para o mês de setembro”, disse o coordenador.
Antes disso, segundo Ramos, o município já havia realizado medidas preventivas, como podas de árvores e mutirões de manutenção e limpeza com a participação de diferentes secretarias e do Saae-BM.
O comitê foi dividido em quatro câmaras técnicas. Elas vão tratar de saúde pública e proteção social; agricultura, pecuária e segurança alimentar; incêndios florestais e proteção ambiental; e infraestrutura, energia, saneamento e recursos hídricos.
A Defesa Civil também pretende manter o acompanhamento de previsões meteorológicas, níveis dos rios e outros indicadores de risco.
Ramos afirmou que o trabalho será mantido durante todo o período de atenção e que cada câmara técnica deverá elaborar ações específicas para situações de estiagem, chuvas intensas, alagamentos, deslizamentos, incêndios florestais e eventuais impactos no abastecimento de água e na segurança alimentar.
O prefeito Luiz Furlani (PL) também destacou a estratégia de antecipação das medidas.
“Nosso trabalho começa muito antes de uma ocorrência. Já realizamos ações preventivas e estamos reunindo as secretarias, a Defesa Civil, o Saae-BM e instituições parceiras para que todos estejam preparados, ainda mais, com planejamento e capacidade de resposta ao Super El Niño”, afirmou.
Em Volta Redonda
Em Volta Redonda, a preparação envolve também a rede de distribuição de energia elétrica. A Light apresentou à Prefeitura o Plano Verão 2026/2027, que considera os efeitos de chuvas fortes e temperaturas elevadas entre outubro deste ano e maio de 2027.
A empresa informou que vem adotando medidas preventivas, como poda de árvores, reparos na rede, revisão de cabos subterrâneos e substituição de transformadores. O plano também prevê acompanhamento das condições climáticas, reforço da comunicação e integração das equipes em caso de ocorrências.
Um dos pontos discutidos com a Prefeitura foi a poda de árvores. Atualmente, o município realiza a poda preventiva, enquanto a Light fica responsável pela chamada poda de desobstrução, quando há interferência da vegetação na rede elétrica.
Durante a reunião, o prefeito Neto (PP), que está em período de férias, pediu que a concessionária avalie a possibilidade de recolher os resíduos das podas e que o cronograma dos serviços seja compartilhado previamente com o município. A ideia é melhorar a organização dos trabalhos e reduzir problemas quando houver necessidade de atuação conjunta.
“Os municípios, muitas vezes, não têm condições de recolher o material gerado pelas podas de árvores feitas pela Light. Queria pedir, em nome de todos os prefeitos, que a empresa avaliasse a possibilidade de fazer esse serviço. E também que disponibilizasse, previamente, para a prefeitura uma programação dessas podas de árvores”, pediu Neto.
O Plano Verão também prevê uma estrutura de acompanhamento para situações de crise, com definição de canais de comunicação, logística e sincronização das ações entre a concessionária e o poder público.
Entre as medidas já adotadas pela Light estão podas preventivas de árvores, reparos na rede de distribuição, revisão de cabos subterrâneos e substituição de transformadores. A empresa também prevê monitoramento das condições climáticas, reforço dos canais de comunicação e preparação de uma estrutura de crise para eventuais ocorrências.
O que hoje aparece como uma pergunta nas ruas, “que frio é esse?”, pode dar lugar, nas próximas semanas, a outra preocupação. As prefeituras da região já estão se preparando para um período de calor e menor volume de chuva e, na sequência, para a possibilidade de chuvas mais fortes. A diferença é que, desta vez, a mudança no tempo já entra no planejamento das cidades.














































