O aumento das importações de aço, principalmente de origem chinesa, voltou a colocar a indústria siderúrgica brasileira em estado de alerta e acendeu um sinal vermelho no Sul Fluminense, uma das principais regiões produtoras de aço do país. O Sindicato dos Metalúrgicos do Sul Fluminense afirma que o crescimento da entrada de produtos estrangeiros pode comprometer investimentos, reduzir a competitividade das empresas nacionais e colocar em risco milhares de empregos diretos e indiretos.
Dados do Instituto Aço Brasil mostram que o país importou, em 2025, um volume recorde de 6,4 milhões de toneladas de aço, crescimento de 7,4% em relação ao ano anterior. Grande parte desse material teve origem na China, que vem ampliando sua participação no mercado brasileiro com produtos comercializados a preços inferiores aos praticados pela indústria nacional.
O cenário preocupa empresas do setor, como a Gerdau, maior produtora brasileira de aço, que tem alertado para os impactos da concorrência internacional sobre a indústria nacional. Segundo a empresa, o excesso de aço importado reduz investimentos, pressiona os preços internos e compromete a capacidade produtiva das usinas brasileiras.
Embora ainda não exista um levantamento oficial que quantifique os prejuízos provocados especificamente pelo aço chinês no Sul Fluminense, indicadores econômicos apontam que a região está diretamente exposta aos efeitos desse avanço.
Levantamento da Firjan mostra que o Sul Fluminense movimentou cerca de US$ 6,3 bilhões em comércio exterior, dos quais aproximadamente US$ 4,6 bilhões correspondem a importações. A China está entre os principais parceiros comerciais da região, reforçando sua presença no mercado brasileiro.
A região concentra importantes empresas da cadeia siderúrgica e metalúrgica, como a CSN, em Volta Redonda, e a ArcelorMittal, em Resende, além de montadoras, fabricantes de autopeças e diversos fornecedores que dependem diretamente da produção nacional de aço. Qualquer redução na atividade dessas indústrias pode gerar impactos em toda a economia regional, refletindo na geração de empregos, na renda, no comércio e na arrecadação dos municípios.
Segundo o Instituto Aço Brasil, toda a cadeia produtiva do aço representa aproximadamente 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e responde por cerca de 2,9 milhões de empregos entre diretos, indiretos e induzidos, evidenciando a importância estratégica do setor para a economia nacional.
Diante desse cenário, o Sindicato dos Metalúrgicos do Sul Fluminense voltou a reforçar o alerta feito no início deste ano, quando liderou uma mobilização em Brasília para solicitar uma audiência pública destinada a discutir os impactos das importações sobre a indústria brasileira.
Para o presidente do Sindicato, Odair Mariano, a preocupação vai além dos indicadores econômicos e envolve a preservação dos empregos e da produção nacional.
“Estamos falando da sobrevivência da indústria brasileira e da proteção de milhares de empregos. O Sul Fluminense tem sua história construída pela força da siderurgia e da metalurgia. Quando o aço estrangeiro entra no país em condições desleais de concorrência, quem sofre é o trabalhador, são as empresas que deixam de investir e toda uma cadeia produtiva que perde competitividade”, afirmou.
Odair Mariano ressalta que os efeitos da concorrência não atingem apenas as grandes siderúrgicas, mas também centenas de empresas fornecedoras e prestadoras de serviços instaladas na região.
“Cada tonelada de aço que deixa de ser produzida no Brasil representa menos oportunidades de trabalho, menos renda circulando na economia e menos desenvolvimento para cidades como Volta Redonda, Barra Mansa, Resende e todo o Sul Fluminense. Nossa luta é para garantir igualdade de condições para quem produz aqui, gera empregos e movimenta a economia brasileira”, disse.
O presidente lembra ainda que o Sindicato foi uma das primeiras entidades sindicais do país a levar o debate ao Congresso Nacional e afirma que continuará mobilizado em defesa da indústria nacional.
“Não somos contra o comércio internacional. Defendemos uma concorrência justa. O Brasil precisa proteger sua indústria estratégica para que continue gerando empregos, tecnologia, investimentos e desenvolvimento. O Sindicato continuará dialogando com o Congresso Nacional, com o Governo Federal e com todos os setores envolvidos para defender os trabalhadores e fortalecer a indústria brasileira”, declarou.
A preocupação também é compartilhada por especialistas e representantes do setor siderúrgico, que alertam para o risco de aumento da ociosidade nas usinas, redução de investimentos e perda de competitividade caso o ritmo de crescimento das importações seja mantido.
Para o Sindicato dos Metalúrgicos do Sul Fluminense, o momento exige união entre trabalhadores, empresas, parlamentares e governo. A entidade afirma que continuará acompanhando a evolução do mercado e cobrando medidas que preservem a produção nacional, fortaleçam a indústria brasileira e garantam a manutenção dos empregos em uma das regiões mais importantes para a siderurgia do país.













































A CSN, o Sindicato, os funcionários da CSN, o governo e a comunidade comemoravam e festejaram o ritmo acelerado das exportações de minério de ferro para a China. Hoje, a China possui uma reserva de minério de ferro e outros fundentes aplicados na produção de aço, para abastecer suas siderurgicas para os próximos 40 anos. Países inteligentes não exportam comodities, exportam produtos. As maiores reservas de minério de ferro do mundo estão aqui, mas não damos valor. Agora a “boleta” está chegando.
Pior é que, o discurso inflamado é um, mas as atitudes são o contrário. Exportamos soja, milho, minério, madeira, ervas para pesquisas e importamos manufaturados. O Pecen em Fortaleza exporta placas de aço, que é fruto do processo mais danoso da produção de aço e depois importamos veículos, máquinas e demais manufaturados. Importamos remédios e produtos derivados da soja.