O lançamento da campanha à reeleição do deputado estadual Munir Neto (Solidariedade), na noite de terça-feira (dia 18), no Clube Náutico, ganhou um ingrediente fora do roteiro. Com cartazes em mãos, representantes das ocupações Reflexo do Amanhã e da Paz foram ao local para pressionar o parlamentar a interceder junto ao irmão, o prefeito Neto (PP), pela desapropriação da área onde vivem cerca de 50 famílias. O cumprimento do mandado judicial de reintegração de posse está previsto para 31 de agosto.
No evento, integrantes do movimento e a advogada da comunidade, Jad Tristinny, abordaram Munir para pedir uma intervenção junto ao governo municipal. Em um vídeo publicado pelo próprio movimento nas redes sociais, o deputado aparece se comprometendo a receber o grupo nos próximos dias para tratar do impasse.
Depois do encontro, a disposição dos moradores de acompanhar a agenda do parlamentar ficou explícita. “Nós vamos continuar indo nos espaços onde ele [Munir] estiver até ele sentar com a gente”, afirmou um representante do movimento.
Coro na Câmara
A pressão sobre Munir foi precedida por uma mobilização na Câmara Municipal de Volta Redonda. Na sessão de segunda-feira (dia 17), moradores das duas ocupações lotaram as galerias para pedir apoio dos 21 vereadores na tentativa de viabilizar a desapropriação.
Durante a sessão, o grupo entoou o grito “Neto, assina o decreto!”, cobrando uma posição do prefeito. O vereador Edson Quinto (PL) se comprometeu a articular uma reunião urgente com Neto e convocou os demais parlamentares a participarem da conversa.
“Existe o dinheiro disponível pelo governo federal e agora precisamos acertar com o prefeito Neto toda essa destinação da verba à prefeitura para viabilizar a desapropriação daquelas duas áreas. Todos os vereadores aqui estão abraçados com os moradores das ocupações nesta causa”, afirmou Quinto na tribuna.
Verba disponível, decreto ainda não assinado
A principal reivindicação dos moradores é a desapropriação da área. Segundo representantes das ocupações, em uma reunião realizada no mês passado com o Ministério das Cidades, o Instituto de Terras e Cartografia do Estado do Rio de Janeiro (Iterj) e representantes do município, a Secretaria Nacional das Periferias garantiu recursos federais para a desapropriação e posterior urbanização dos dois locais, que somam menos de um hectare.
Apesar das tratativas, segundo o movimento, o prefeito Neto ainda não assinou o decreto de desapropriação. Enquanto aguardam uma definição, as famílias convivem com a data prevista para o cumprimento da ordem judicial de reintegração de posse. A disputa envolvendo a área se arrasta desde 2021, quando a Mape Incorporação e Empreendimentos ingressou na Justiça para recuperar a posse do terreno.
Moradores rejeitam mudança
A defesa dos moradores também contesta a possibilidade de transferência das famílias para unidades do programa Minha Casa, Minha Vida. Segundo a advogada Jad Tristinny, o município teria prometido uma solução habitacional, mas as moradias ainda não estão prontas.
“Para onde vão essas famílias ao serem despejadas no dia 31 de agosto? Nós precisamos impedir com urgência que essas pessoas sejam retiradas de suas casas pelo Bope e pelo Batalhão de Choque”, afirmou a advogada.
Os moradores também argumentam que a ocupação se consolidou ao longo dos anos. Segundo os representantes, além das moradias, as famílias mantêm plantações e criação de animais para consumo próprio. Na Reflexo do Amanhã, existe ainda um barracão comunitário usado para aulas de reforço, reuniões e atividades coletivas.
Apelo ao prefeito
Nas redes sociais, a moradora Adelaide Rodrigues, da ocupação Reflexo do Amanhã, publicou um vídeo dirigido ao prefeito Neto. No depoimento, ela pediu que o chefe do Executivo assine o decreto e afirmou que os moradores não querem deixar o local.
“Nós não queremos sair daqui, ainda mais pelas forças da polícia e da tropa de choque soltando spray de pimenta na nossa cara. Não queremos perder as nossas coisas, os nossos animais, as nossas plantações e os nossos barracos que construímos com muito sacrifício”, afirmou.
Com o prazo de 31 de agosto se aproximando, os moradores ampliaram a pressão sobre o poder público. Depois de ocupar as galerias da Câmara e abordar Munirem seu lançamento de campanha, a estratégia agora é conseguir uma reunião com o deputado e seus advogados até segunda-feira (dia 24) e tentar colocar a desapropriação novamente na mesa de negociação.













































