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Caso raro acompanhado no H.FOA vira artigo científico produzido por estudantes de Medicina do UniFOA

Um caso clínico raro acompanhado no Hospital da Fundação Oswaldo Aranha (H.FOA), em Volta Redonda, saiu da rotina hospitalar e chegou às páginas de uma revista científica ligada ao Instituto Nacional de Câncer (INCA). O trabalho foi desenvolvido por estudantes e professores do curso de Medicina do Centro Universitário de Volta Redonda (UniFOA) e publicado, em julho deste ano, na Revista Brasileira de Cancerologia.

            O artigo relata o caso de um paciente diagnosticado com carcinoma espinocelular do canal anal e sorologia positiva para HIV. O estudo aborda a complexidade do tratamento e chama atenção para a necessidade de acompanhamento e diagnóstico precoce em pacientes que apresentam maior risco para esse tipo de câncer.

            A ideia de transformar o caso em produção científica surgiu durante a própria rotina de atendimento no H.FOA. O professor Biazi Ricieri Assis, cirurgião responsável pelo atendimento, identificou o potencial acadêmico do caso e convidou estudantes a acompanhá-lo. O professor Igor Dutra Braz assumiu posteriormente a orientação do trabalho.

            Entre os alunos envolvidos está Gabriela Caravana Silva São Thiago, que já buscava uma oportunidade para desenvolver uma pesquisa que pudesse contribuir para sua formação acadêmica.

            “Quando iniciei o módulo em que precisaríamos desenvolver o Trabalho de Conclusão de Módulo, eu já tinha um objetivo muito claro: queria produzir uma pesquisa relevante, que agregasse valor ao meu currículo acadêmico e também contribuísse para minha futura residência médica”, contou.

Da rotina hospitalar à pesquisa

            O trabalho começou em agosto de 2024 e foi concluído em dezembro de 2025. Nesse período, os estudantes participaram da revisão da literatura, organização das informações clínicas, elaboração do manuscrito e das discussões científicas, além do processo de submissão e acompanhamento editorial.

            O projeto também foi transformado em uma pesquisa de iniciação científica, ampliando a experiência dos alunos para além da sala de aula. A escolha do periódico foi outro desafio. Gabriela sugeriu a submissão à Revista Brasileira de Cancerologia, publicação científica vinculada ao INCA, mesmo diante do processo de avaliação do periódico.

            “Sabíamos que era uma revista de grande qualidade e que a aprovação seria um desafio. Mesmo assim, sempre acreditei que o caso tinha relevância suficiente para ser publicado. Costumo dizer que o não eu já tinha; eu estava em busca do sim”, afirmou.

A aprovação veio depois do processo editorial, e o artigo foi publicado em julho de 2026.

            Para a estudante Lara Francisca Vaz de Oliveira, a experiência mostrou que a pesquisa científica pode começar ainda durante a graduação. “Muitas vezes, a gente acaba vendo a pesquisa como algo distante da nossa realidade, mas participar desse trabalho me mostrou que, com a orientação dos professores, é possível fazer parte desse processo”, disse.

            Gabriel Mohamad Arieira de Souza Ghazzaoui, que acompanhou o caso na prática, também participou da transformação da experiência clínica em relato científico. Segundo ele, o processo exigiu olhar para o mesmo caso de duas maneiras diferentes.

            “O que mais me marcou foi essa sensação de estar contando a mesma história duas vezes, de formas completamente diferentes. Primeiro eu vivi o caso, as consultas, as dúvidas do paciente, a cirurgia e a recuperação. Depois precisei recontá-lo com outro olhar, mais técnico, pensando em quem fosse ler”, explicou.

Estudantes como autores

            Professor do curso de Medicina do UniFOA e diretor de Ensino do H.FOA, Igor Dutra Braz afirma que os estudantes participaram de diferentes etapas da produção, desde a identificação do caso e organização dos dados até a revisão da literatura e redação do artigo.

            Para ele, a experiência permite ao aluno compreender que a pesquisa também pode nascer da própria assistência médica. “A proximidade entre os serviços assistenciais, os professores e os estudantes cria oportunidades para que casos relevantes sejam identificados, investigados e convertidos em produção científica de qualidade”, afirmou.

            O professor também destacou a atuação de Gabriela na condução do trabalho, especialmente na articulação entre estudantes, professores e serviços envolvidos.

Ensino, assistência e pesquisa

            A publicação reúne três ambientes ligados à formação médica: a graduação do UniFOA, a assistência realizada no H.FOA e a produção científica. Para os professores envolvidos, a experiência mostra como situações encontradas no atendimento podem se transformar em oportunidade de investigação e aprendizado.

            O artigo publicado na Revista Brasileira de Cancerologia tem como autores Gabriela Caravana Silva São Thiago, Lara Francisca Vaz de Oliveira, Gabriel Mohamad Arieira de Souza Ghazzaoui, Biazi Ricieri Assis e Igor Dutra Braz.

            O trabalho foi desenvolvido ao longo de aproximadamente um ano e meio, desde o início, em agosto de 2024, até a conclusão, em dezembro de 2025, e chegou à publicação em julho de 2026.

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