O fracasso da licitação para conceder à iniciativa privada a administração da Rodoviária Prefeito Francisco Torres fez a Prefeitura de Volta Redonda voltar a olhar para um projeto antigo: a construção de um novo terminal rodoviário às margens da Rodovia Presidente Dutra. A proposta, no entanto, dependerá da confirmação de uma estação do trem de alta velocidade (Trem-Bala) no município.
A declaração foi feita pelo prefeito Neto (PP) na manhã de quinta-feira (dia 30), durante entrevista à Rádio Sintonia do Vale. Ao comentar o resultado da concorrência pública, que terminou sem interessados, o chefe do Palácio 17 de Julho indicou que, pelo menos neste momento, a administração municipal não deverá insistir em um novo edital para a concessão do atual terminal, localizado na Avenida dos Trabalhadores, no bairro Laranjal.
“A Rodoviária está limpinha, o banheiro agora está funcionando, ficou muito bonito, mas precisamos dar um trato. Estávamos tentando licitar para que alguém tomasse conta, explorasse ela, mas ninguém quis. Vida que segue”, afirmou o prefeito.
Na sequência, Neto revelou que o governo voltou a analisar a construção de um novo terminal, mas condicionou o projeto ao avanço da ferrovia de alta velocidade. “Estamos esperando só a definição do Trem-Bala. Está tudo indicando que ele vai parar em Volta Redonda e, se isso acontecer, vamos fazer lá”, disse.
Questionado se a expectativa em torno do trem-bala não seria uma utopia, já que o tema costuma reaparecer em períodos eleitorais, o prefeito respondeu de forma objetiva: “Eu não sou candidato. Vamos esperar para ver”.
Projeto antigo volta ao radar
A construção de uma nova rodoviária próxima ao entroncamento da Rodovia Presidente Dutra com a Rodovia dos Metalúrgicos não é uma ideia nova. Em gestões anteriores, Neto chegou a anunciar estudos para implantar um complexo que reuniria terminal rodoviário, centro de convenções, hotel e empreendimentos comerciais em uma área estratégica, no bairro Rio das Flores, aproveitando a logística da principal rodovia do país.
O projeto, entretanto, nunca saiu do papel. Agora, diante da licitação deserta para a concessão da atual estrutura, a proposta volta ao debate, mas totalmente vinculada à eventual implantação de uma parada do trem-bala em Volta Redonda.
Trem-bala ainda depende de investidores
A expectativa do prefeito Neto ocorre em meio às negociações conduzidas pela TAV Brasil para viabilizar a ferrovia de alta velocidade entre Rio de Janeiro e São Paulo. Segundo o presidente da empresa, Bernardo Figueiredo, a prioridade atual é definir um grupo investidor internacional para a estruturação financeira do empreendimento. As tratativas, que antes envolviam empresários chineses, avançaram recentemente com grupos europeus.
O projeto prevê uma parada no Sul Fluminense, com disputa aberta entre Volta Redonda e Barra Mansa. Entretanto, o próprio Figueiredo reconheceu que as conversas com a Prefeitura de Barra Mansa estão mais adiantadas, o que aumenta, neste momento, as chances de o município vizinho sediar a estação regional.
A previsão da TAV Brasil é iniciar as obras em 2027 e colocar o sistema em operação em 2032, condicionada à conclusão do licenciamento ambiental e ao fechamento do aporte financeiro.
Concessão fracassou
A mudança de rumo do Executivo municipal ocorre poucos meses depois de a concorrência pública para a Rodoviária Prefeito Francisco Torres fechar sem propostas. O edital previa a concessão do espaço por dez anos, renováveis por igual período.
Pela proposta, a concessionária assumiria operação, manutenção, segurança e acessibilidade, explorando receitas de tarifas de embarque, locação de lojas, estacionamento e banheiros. A outorga mínima exigida era de 20% do faturamento bruto mensal ou R$ 17.674,99. Mesmo após meses de modelagem econômico-financeira iniciada no ano passado, nenhuma empresa apresentou oferta.
Gargalo estrutural
Inaugurada em 1972, a rodoviária acumula histórico de reclamações sobre conservação, iluminação e segurança. Em resposta, o município realizou reformas pontuais recentes no espaço e nos sanitários. A gestão defendia que a concessão privada seria a única via para garantir aportes contínuos e definitivos.
Com a ausência de investidores no modelo de concessão, a promessa de um novo terminal ressurge na agenda pública. Desta vez, contudo, pendurada na promissória de um empreendimento federal que ainda engatinha no papel.













































O resultado da licitação, demonstrou que o edital estava fora da realidade, a rodoviária é deficitária e exigir um alto percentual com garantia mínima de repasse, inviabilizou as empresas de apresentarem proposta, o edital deveria focar mais em qualidade dos serviços e não em arrecadação.