20.6 C
V Redonda
domingo, junho 14, 2026
Início Volta Redonda Após resgate de cães mutilados, protetores cobram aplicação de multa contra responsável...

Após resgate de cães mutilados, protetores cobram aplicação de multa contra responsável por canil clandestino no bairro Água Limpa

A descoberta de um canil clandestino com 16 cães da raça American Bully – dos quais 11 apresentavam mutilações nas orelhas – continua repercutindo em Volta Redonda. Mais de uma semana após a operação que resultou no fechamento do local, entidades de proteção animal e ativistas cobram das autoridades a aplicação das multas previstas em lei e a responsabilização dos envolvidos.

O caso veio à tona no último dia 1° de junho, quando uma ação conjunta da Secretaria Municipal de Proteção e Defesa Animal, Guarda Municipal e Polícia Civil fechou o criadouro irregular na Avenida Visconde do Rio Branco, no bairro Água Limpa, instalado nos fundos de um estabelecimento comercial. Durante a fiscalização, foram encontrados indícios de criação e comercialização de animais sem licença, ausência de documentação obrigatória, falta de registros de vacinação, inexistência de emissão de notas fiscais e ausência de médico-veterinário responsável.

Além das irregularidades administrativas, os agentes constataram uma situação considerada ainda mais grave: 11 dos 16 cães apresentavam mutilações nas orelhas, prática proibida pela legislação brasileira. O vice-presidente da Sociedade Protetora dos Animais de Volta Redonda, Igor Reis, afirma que a sociedade espera uma resposta firme do poder público e cobra a emissão da multa decorrente da vistoria realizada pela SMPDA.

“A gente precisa que essa multa seja expedida e que essas pessoas sejam responsabilizadas. Isso não pode passar impune. É muito grave. O corte da orelha do animal é mutilação e a Lei de Crimes Ambientais é muito clara ao estabelecer que mutilar animais é crime”, afirmou Reis, ressaltando que, como o canil funcionava nos fundos de um estabelecimento comercial, as sanções não necessariamente se limitam a uma única pessoa.

“O próprio estabelecimento pode ser alvo de multas administrativas e todos os sócios eventualmente vinculados à atividade irregular podem ser responsabilizados”. Segundo Reis, a manutenção de criadouros clandestinos alimenta um mercado que se beneficia da exploração animal.

“Você que quer ter um cão de raça tem todo o direito. Porém, esse direito não pode violar o direito desses animais. Muitos deles são criados de qualquer forma, são mutilados e explorados de maneira deplorável. É uma verdadeira indústria do terror”, declarou.

Lei mais dura

A prática da conchectomia – corte estético das orelhas – é proibida no Brasil e configura crime ambiental previsto no artigo 32 da Lei Federal nº 9.605/1998, que trata dos maus-tratos a animais. A pena para esses casos envolve reclusão de dois a cinco anos, além de multa.

Em março, o Governo Federal publicou o Decreto nº 12.189/2026, conhecido como “Decreto Orelha”, que endureceu significativamente as punições para casos de mutilação e maus-tratos contra cães e gatos. Dependendo da gravidade e das circunstâncias, as multas administrativas podem chegar a R$ 1 milhão.

Outro ponto que pode ser alvo de apuração das autoridades é a eventual participação de profissionais da área veterinária. Conforme prevê a legislação e as normas dos conselhos de classe, médicos-veterinários envolvidos em procedimentos proibidos podem responder a processos éticos e até perder o registro profissional.

Após a operação, os 16 cães foram apreendidos e encaminhados para avaliação veterinária. Os animais permanecem acautelados pela Prefeitura, sob responsabilidade da Secretaria de Proteção e Defesa Animal.

Para os defensores da causa animal, a punição dos responsáveis é fundamental para impedir que a exploração clandestina de cães continue ocorrendo na cidade. “Não estamos falando apenas de uma infração administrativa. Estamos falando de seres vivos submetidos à dor e à mutilação para atender interesses comerciais. A sociedade espera que a legislação seja aplicada em toda a sua extensão”, concluiu Igor Reis.

Outro lado

Acionada pela reportagem, a Secretaria Municipal de Proteção e Defesa Animal informou que o caso já está na Justiça e aguarda o andamento dos trâmites judiciais para que todas as medidas cabíveis sejam tomadas o mais breve possível em relação à ocorrência.

Também procurado pela Folha do Aço na manhã de quinta-feira (dia 11), o delegado titular da 93ª DP, Vinícius Coutinho, informou que “não houve prisão em flagrante”. De acordo com a autoridade policial, “o caso segue em apuração, aguardando alguns documentos que foram requisitados às partes”.

A reportagem tentou contato com os responsáveis pelo estabelecimento comercial onde o canil clandestino funcionava, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição. O espaço segue aberto para a manifestação da defesa.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.