19.4 C
V Redonda
terça-feira, junho 23, 2026
Início Volta Redonda VR fica fora de complementação federal do Fundeb por não cumprir exigências...

VR fica fora de complementação federal do Fundeb por não cumprir exigências previstas em lei

Volta Redonda está entre os 62 municípios fluminenses que não cumpriram as condicionalidades exigidas pela legislação federal para ter acesso à complementação VAAR (Valor Aluno Ano Resultado), uma modalidade de repasse da União vinculada ao desempenho e à gestão da educação pública. A situação foi destacada durante as discussões do Projeto de Lei nº 6.659/2025, aprovado pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), que regulamenta a distribuição do chamado ICMS Educacional entre os 92 municípios fluminenses.

De acordo com informações apresentadas pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), Volta Redonda e outros 61 municípios não estavam aptos a receber os recursos adicionais da União por não atenderem às condicionalidades previstas no artigo 14 da Lei Federal nº 14.113/2020, que regulamenta o Fundeb.

Isso significa que, mesmo que a regulamentação estadual tivesse sido aprovada anteriormente, essas cidades continuariam sem acesso à complementação VAAR enquanto não cumprissem os requisitos estabelecidos pela legislação federal. Embora não exista uma estimativa oficial do valor que cada município deixou de receber individualmente, o impacto financeiro é considerado significativo.

Em 2026, os municípios fluminenses deixaram de acessar cerca de R$ 117 milhões em recursos federais vinculados à complementação VAAR. Projeções apresentadas durante os debates na Alerj apontavam que, caso a legislação estadual permanecesse sem regulamentação, as perdas poderiam chegar a R$ 700 milhões em 2027.

A discussão ganhou força durante reunião da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Alerj realizada em maio. Na ocasião, a promotora de Justiça Agnes Mussliner, integrante do Grupo de Atuação Especializada em Educação, do Ministério Público (MPRJ), ressaltou a necessidade de regulamentação do ICMS Educacional para adequação do estado às exigências estabelecidas pela Lei do Fundeb.

Novos critérios

A legislação aprovada pela Alerj cria o Índice de Progressão da Aprendizagem com Equidade do Estado do Rio de Janeiro (Ipaerj), que servirá de base para a distribuição da parcela do ICMS vinculada à educação. Pela Constituição Federal, 25% da arrecadação do ICMS deve ser repassada aos municípios. Desde a Emenda Constitucional 108/2020, 10% desse montante precisa ser distribuído com base em indicadores de melhoria da educação, levando em consideração critérios como aprendizagem, redução de desigualdades e equidade.

O novo índice reunirá indicadores relacionados à aprovação escolar, evolução da aprendizagem, alfabetização, educação em tempo integral, fatores associados ao desempenho dos estudantes e ampliação da oferta de vagas em creches.

Integrante da CCJ e professora de carreira, a deputada estadual Elika Takimoto (PT) defendeu a inclusão de critérios voltados à educação infantil e ao ensino integral. “As experiências mais modernas de ICMS e educação no Brasil mostram justamente que os modelos mais consistentes são aqueles que incorporam critérios de equidade, alfabetização, nível socioeconômico, educação integral e expansão do acesso escolar”, afirmou.

Entre os critérios que passarão a influenciar a distribuição dos recursos estão a participação dos estudantes nas avaliações educacionais, a comprovação de avanços na aprendizagem, a redução das desigualdades associadas a fatores socioeconômicos e a ampliação da oferta de vagas em creches e escolas de tempo integral.

Combate à aprovação automática

O texto aprovado também determina que a aprovação automática ou mecanismos equivalentes não poderão ser utilizados para composição do Indicador de Aprovação Escolar (IAPE). Autor de emendas sobre o tema, o deputado estadual Vinicius Cozzolino (PSD) afirmou que a medida busca impedir distorções nos indicadores educacionais.

“Temos que evitar esse mecanismo para assim garantir que esse ICMS seja efetivo. Só assim iremos diminuir as desigualdades educacionais”, declarou.

A nova legislação deverá ser regulamentada pelo Governo do Estado em até 90 dias após sua publicação oficial. A expectativa é que os novos critérios incentivem os municípios a aprimorar seus indicadores educacionais e a cumprir as exigências necessárias para acessar recursos federais vinculados ao desempenho da educação básica.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.