A secretaria municipal de Políticas para Mulheres, Idosos e Direitos Humanos (Smidh) promove neste mês a campanha “Em briga de marido e mulher, como meter a colher?”. De acordo com a coordenadora do Centro Especializado de Atendimento a Mulher (Ceam), Ludmila Aguiar de Assis, a ideia é gerar reflexão na sociedade sobre como fazer esse enfrentamento diariamente.

“Ditos populares normalmente apresentam fundo de verdade, mas nem sempre por isso podem representar uma regra de conduta saudável. O fato é que muitas vezes somos chamados a ‘meter a colher’ em conflitos de casais, seja na família ou amigos, não com o motivo de se intrometer, mas porque nos vemos diante da necessidade de prestar esse auxílio”, explicou Ludmila.

Como parte da campanha, foi aberto um chamamento público para que as mulheres levem à Smidh (Rua Antônio Barreiros, 232, Nossa Senhora das Graças) uma colher e deem um depoimento, respondendo à pergunta da campanha: “Em briga de marido e mulher, como meter a colher?”. As colheres e os depoimentos irão compor uma exposição que será realizada na Smidh. A exposição terá QR-Codes permitindo o público ler e ouvir os depoimentos.

Um dos primeiros depoimentos foi da funcionária pública Regina Pereira, que ressaltou o impacto que a violência contra a mulher causa na sociedade.

“Penso que todos nós precisamos desenvolver essa solidariedade. Enquanto uma mulher sofrer violência, violação dos seus direitos, todos nós estamos sofrendo, mulheres e homens. Em momentos graves de violação, a gente precisa se apresentar e falar com a mulher: estou aqui, você precisa de ajuda? Há momentos que tem que acionar mesmo a polícia, mas às vezes é importante nos aproximar e dizer que estamos ali e perguntar se ela precisa de ajuda”, explicou Regina.

Campanha direciona para serviços de enfrentamento à violência

Segundo dados do Dossiê Mulher de 2018, apresentado pelo Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro (ISP) as mulheres continuam sendo as maiores vítimas dos crimes de estupro (84,7%) ameaça (67,6%), lesão corporal dolosa (65,5%) assédio sexual (97,7%) e importunação ofensiva ao pudor (92,1%).

Ainda de acordo com o estudo, boa parte dos crimes contra as mulheres são cometidos por pessoas com algum grau de intimidade ou proximidade com a vítima, ou seja, são companheiros e ex-companheiros, familiares, amigos conhecidos ou vizinhos.

A secretária municipal de Políticas para Mulheres, Idosos e Direitos Humanos, Dayse Penna, considera que em pleno século XXI, não cabe mais uma postura de omissão de socorro da população a qualquer pessoa em risco de violência. “O disque 180, por exemplo, pode ser a ‘colher’ que vai se meter em casos de violência doméstica. A denúncia pode salvar a vida de uma mulher. Queremos com a campanha, refletir sobre como fazer esse enfrentamento diariamente”, comentou Dayse Penna.

O prefeito Samuca Silva (PSDB) destacou a estrutura de atendimento à mulher em Volta Redonda. “Aproveitamos a ocasião para chamar a atenção para esse enfrentamento, mas também é importante que as mulheres saibam que podem contar com nossa rede de serviços, como a própria secretaria, a Casa da Mulher Bertha Luz, a Central de Atendimento à Mulher (180), a Casa Abrigo, a Policlínica da Mulher, a Deam (Delegacia da Mulher), entre outros”.

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