A situação do pó da CSN preocupa desde os mais novos até os antigos moradores de Volta Redonda. Um dos primeiros a chegar na cidade aniversariante, Manoel Luiz da Cunha tem 89 anos de idade, desembarcou por aqui em 1955. Por 35 anos trabalhou na CSN e sempre esteve atento às questões ambientais. Chegou, inclusive, a gravar um vídeo demonstrando a atração entre as partículas de ferro e um imã.

“Se vai para o chão também vai para os pulmões”, comentou nas imagens, ressaltando que na parte da noite, no bairro Limoeiro, é possível ver a situação ainda mais crítica com a descarga das chaminés. O vídeo tem aproximadamente oito anos e, para o aposentado, o problema só aumenta a cada dia.

Apesar das festividades programadas pela administração municipal, neste momento em que Volta Redonda completa 68 anos, o que seria motivo de comemoração, para Manoel é razão de preocupação. “Acho que a empresa (CSN) poderia se importar mais com vidas. Uma vez ouvi de um legista que as necropsias de moradores de Volta Redonda apresentam pulmões mais escuros. Eu noto, por exemplo, que quando vou para outra cidade minha respiração até melhora. Lamentável”, define.

História

No aniversário de Volta Redonda, Manoel Cunha acredita que faz parte da história da cidade. Sempre preocupado com o desenvolvimento do município e o bem-estar da população, ele chegou a escrever uma carta ao prefeito sugerindo a construção de uma ciclovia na Avenida Almirante Adalberto de Barros Nunes, a Beira-Rio. O documento, datado de 3 de agosto de 1979, foi endereçado ao então chefe do Executivo na época, Aluízio de Campos Costa (1979-1982).

Políticos se posicionam

As cobranças nas redes sociais e nas ruas fez com que os representantes do município aderissem ao movimento pela melhoria da qualidade do ar na cidade. Na Câmara Municipal, a expectativa é pela instalação de uma Comissão Especial para apurar a responsabilidade dos fatos.

Os vereadores Rodrigo Furtado (PSC) e Betinho Albertassi (União Brasil) pretendem promover uma nova audiência pública para tratar da poluição na Cidade do Aço. “Eu não acreditei na nota simplória que a CSN soltou à imprensa dizendo que o pó ‘não está em níveis críticos à saúde'”, reagiu Rodrigo.

O parlamentar questiona também os métodos adotados pela empresa para afirmar que a saúde da população não está sendo afetada. “Respiramos essa substância derivada do ferro há décadas e agora percebe-se um aumento a ponto de as pessoas estarem enchendo garrafinhas e postando na internet de forma irônica. Quais parâmetros técnicos a CSN se baseou para alegar que não faz mal à nossa saúde essa quantidade de pó preto? Foi a mesma usada para afirmar que a escória enterrada no Volta Grande ou empilhada na Brasilândia não era prejudicial? Até o Superior Tribunal Federal reconheceu em 2020 que esse material representa uma iminente ameaça de danos ambientais e à saúde pública, além do risco concreto de contaminação do Rio Paraíba”, criticou.

A proposta de Rodrigo Furtado é reunir pessoal qualificado em uma audiência pública para se estabelecer um debate acerca da poluição causada pela CSN a fim de pressionar as forças políticas, a Justiça e a própria empresa para que evite a emissão desenfreada do pó preto. “Este é um assunto sério. Precisa ser bem fundamentado. Vamos reunir as autoridades tais como os ministérios públicos Federal e Estadual, Inea, secretarias municipal e de Estado de Meio Ambiente, Comissão Estadual da Alerj, Cúria Diocesana e outras instituições, inclusive representantes da sociedade civil. Não podemos deixar a população sem uma resposta plausível”, destacou.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.