Um reencontro que parecia pouco provável foi registrado por uma família de descendentes japoneses. Após 64 anos, as irmãs Kayoko Kitano Nishimura, 81 anos, e Midori Matsumoto, de 85, conseguiram se reencontrar após uma mobilização familiar. O encontro aconteceu no dia 20 de maio, no Japão, após a organização e planejamento que envolveu toda família.

A história é detalhada pela filha da Kayoko, Ângela Mayumi, que é moradora de Volta Redonda. Midori se casou com Shizuo Matsumoto e teve três filhos no Brasil, mas decidiu partir para o Japão. Entre outras razões, ela alegava a dificuldade do marido com o idioma, obstáculo para conseguir emprego para manter a família. Já Kayoko decidiu permanecer no país, onde também criou os três filhos.

Ângela conta que foram vários anos acalentando a vontade de promover o reencontro das irmãs. “Enquanto minha avó estava viva, ela mantinha contato com minha tia. Após a morte de minha avó, há 22 anos, elas não se falaram mais, perderam todo o contato. Nós achávamos até que ela já tinha falecido, pois é a irmã mais velha. Perdemos todo o contato”, explicou.

A família decidiu levar Kayoko para o Japão na tentativa de promover o reencontro. Iniciaram então as buscas por informações que pudessem auxiliar na localização do paradeiro de Midori. “Pedi a um tio por parte do meu pai que mora no Japão para ligar para o número que estava anotado na caderneta da minha avó, guardada junto com umas fotos. Como minha mãe não tem contato mais com a língua, talvez não conseguisse conversar. Meu tio confirmou que o telefone era da casa dela e, assim, começamos os preparativos”, contou Angêla Mayumi.

Com o primeiro passo dado, faltava o reencontro. E ele levou um tempo para, de fato, se realizar. “Tivemos muitas dificuldades, principalmente com o idioma, mas mesmo com todos os contratempos, não desistimos. Ficamos na casa do meu tio Hideo, que foi nosso interprete, ele fez a ponte entre nós. Ele mora em uma cidade distante e marcamos de visitá-la em sua casa. A ansiedade foi tanta, que ela quis ir ao nosso encontro numa estação de trem próxima, que era muito grande. Não tínhamos telefone e nenhum contato para ligar para eles. E assim, foram quase três horas procurando dentro da estação e não nos encontramos. Mas como fomos em busca de um final feliz, nos encontramos no hotel que iríamos ficar. Foi uma das maiores emoções que já tivemos”, lembrou Ângela.

Feirante há mais de 50 anos, no dia 2 de setembro, dona Marli, como Kayoko é conhecida em Volta Redonda, completará 82 anos. Porém, para a família, a festa e os presentes vieram antes. “Foi o dia mais feliz da vida da minha mãe e da nossa família. Tivemos a ajuda de tios e primos que se empenharam numa corrente de amor muito grande e, graças a isso, conseguimos realizar esse sonho”, disse Ângela.

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