A Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) divulgou, na quinta-feira (dia 2), o desempenho dos emplacamentos no mês de março e do acumulado do primeiro trimestre de 2020. Apenas em Automóveis e Comerciais Leves, a queda foi de mais de 8%, no acumulado do trimestre, e de quase 22% na comparação entre os meses de março/ 2020 e março/2019.

O resultado negativo deve impactar a curto e médio prazo no chão das fábricas das empresas que integram o Cluster Automotivo Sul Fluminense. Formado há sete anos com o objetivo de alinhar a competitividade ao crescimento da indústria automotiva no Sul do estado, o grupo tinha estimado para os próximos anos um crescimento no setor de cerca de 5%.

Com a pandemia do novo coronavírus, que forçou no mês de março as montadoras a praticamente suspenderam a produção, a projeção sofrerá alterações. O cenário é de incerteza e há o temor demissões ao fim do período de quarentena. Atualmente, a cerca de oito mil trabalhadores estão empregados no setor, segundo dados da Firjan. Em números de empresas, fica atrás apenas de São Paulo.

O grupo composto por 20 indústrias instaladas nas cidades de Porta Real, Resende, Itatiaia e Quatis representa um faturamento de R$ 16 bilhões por ano, ou seja, quase 10% da indústria de todo o estado do Rio de Janeiro. Entre as plantas importantes do segmento e da cadeia produtiva, incluindo PSA Peugeot Citroën, Guardian do Brasil, Galvasud, Faurencia, Volkswagen Caminhões e Ônibus, Michelin, Hyundai, Heavy Industries, Nissan, Land Rover, Benteler e Suspensys.

Municípios

A arrecadação dos municípios também deve ser afetada pela queda no número de emplacamentos. Aos Estados, a Fenabrave solicitou suspensão de pagamento do IPVA. Apesar de ser um imposto estadual, seus recursos não ficam todos para o estado onde ele foi recolhido.

A distribuição do dinheiro arrecadado com o IPVA é feita da seguinte forma: 20% vão para o Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação) e o restante é dividido igualitariamente entre o Estado e o Município onde o veículo foi registrado, licenciado e emplacado. Em 2019, por exemplo, a prefeitura contabilizou o repasse de R$ 15,6 milhões somente com IPVA. Para Porto Real foram mais R$ 5,8 milhões.

Impacto direto

Sofrendo impacto direto da pandemia do coronavírus, e da consequente paralisação, quase que absoluta, das Concessionárias de Veículos, em todo o Brasil, em função dos decretos de quarentena, o setor da distribuição de veículos sofreu forte retração nas vendas, em março, revertendo a curva de crescimento que vinha sendo registrado no primeiro bimestre deste ano.

De acordo com o levantamento da da Fenabrave, em março, foram licenciados 249.158 veículos, considerando automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus, motocicletas, implementos rodoviários e outros veículos, o que reflete retração de 15,02% na comparação com fevereiro, quando foram emplacadas 293.211 unidades. Já na comparação com os 305.510 veículos, licenciados em março do ano passado,a baixa foi de 18,45%.

No acumulado do primeiro trimestrede 2020, foram emplacadas 840.800 unidades, o que representa uma queda de 7,06% em relação ao mesmo período de 2019, quando foram vendidos 904.698 veículos.

Os dados da Fenabrave mostram que os licenciamentos de automóveis e comerciais leves apresentaram baixade 19,11% em março, totalizando 155.810 unidades, contra 192.627 unidades registradas em fevereiro. Se comparado com março do ano passado, este resultado também aponta retração de 21,91% (199.516 unidades).

No acumulado do primeiro trimestre de 2020 (532.549 unidades), as vendas desses segmentos registraram queda de 8,18%, comparadas às realizadas de janeiro a março do ano passado, quando foram vendidos 579.988 automóveis e comerciais leves.

Para o Presidente da Fenabrave, Alarico Assumpção Júnior, o mês de março foi impactado, drasticamente, em função da pandemia do coronavírus. “Nosso setor, que representa 4,5% do PIB e gera, diretamente, mais de 315 mil empregos, por meio de 7,3 mil concessionárias, está, praticamente, paralisado, em função dos decretos de quarentena. Apenas algumas concessionárias estão com as oficinas abertas, para atender caminhões, ambulâncias e outros veículos essenciais para serviços de primeira necessidade, como os ligados à saúde e alimentação”, comentou

Segundo Assumpção Júnior, ainda não é possível revisar as projeções do setor para o ano de 2020, em função da falta de previsibilidade de retorno do comércio e dos reais impactos ao finaldo período de quarentena. “Sabemos que a prioridade é a saúde da população, mas, a continuar como está, em um mês de estagnação, cerca de 20% dos empregos do nosso setor podem ser comprometidos, pois os Concessionários estão sem receita e, ao contrário, têm despesas fixas. Por enquanto, as Concessionárias estão segurando a situação como podem, antecipando férias, utilizando banco de horas, mas, chegará um momento em que isso não se sustentará”, revela o presidente.

Pleitos

Para atenuar a situação dos empresários do setor, a Fenabrave tem solicitado diversos pleitos, tanto aos governos estaduais e municipais, como junto ao governo federal, BNDES, entre outros órgãos. Entre os pedidos, direcionados aos estados e municípios, estão alguns já atendidos, como a autorização de funcionamento das oficinas, em algumas cidades, para a realização de serviços essenciais e de garantia.

“Se não fizermos a manutenção dos caminhões, motos, táxis ou veículos que trabalham por aplicativos, como esses poderão transportar itens de primeira necessidade à população? Como as ambulâncias e ônibus poderiam atender e transportar as pessoas? Como a população será reabastecida, de alimentos, se os tratores e máquinas agrícolas não funcionarem?”, explica Assumpção Júnior.

Outros pedidos têm sido encaminhados às autoridades e entidades ligadas ao setor, como, por exemplo, a suspensão de pagamento do IPVA, aos estados; linha de crédito especial, ao BNDES, para empresas do setor; desoneração de Folha de Pagamentos e encargos, ao governo federal, a quem está sendo solicitada e, ainda, a redução ou postergação de tributos, por 120 dias; entre outras.

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