A confirmação, na segunda-feira (dia 18), pela secretaria municipal de Saúde, de que um recém-nascido, de apenas 3 meses, está entre as mais recentes vítimas fatais da Covid-19, comoveu a população de Volta Redonda. Mais detalhes sobre o óbito não foram repassados pela prefeitura, exceto que o bebê já apresentava comorbidades e estava internado em um hospital particular da cidade.

Em tempos de fake news, não demorou para que uma série de relatos desencontrados fossem compartilhados nas redes sociais e até por veículos de comunicação, provocando ainda mais sofrimento aos parentes da vítima. Uma das notícias falsas divulgadas foi que o vírus foi repassado à criança pela própria mãe.

A avó materna da criança, Delina de Fátima negou o boato e, em entrevista exclusiva à Folha do Aço, falou dos transtornos enfrentados nos últimos dias, além, é claro, da dor de perder um neto. Segundo a moradora do bairro Nova Primavera, sua filha e nenhum outro familiar sequer tiveram contato com o menino em seus 90 dias da curta vida.

“Meu neto nasceu com microcefalia e problemas respiratórios. Desde o parto, ele permaneceu na UTI neonatal”, afirmou dona Delina. “Ele foi infectado [pelo novo coronavírus] lá mesmo [no hospital]. Não estou dizendo que foi culpa do hospital, pois estamos vivendo uma pandemia mundial”, completou.

Conforme consta no site da Funerária Municipal, o bebê morreu no sábado (dia 16), às 23h20min, no Hospital da Unimed. O corpo foi sepultado no dia seguinte, no Cemitério Portal da Saudade.

Como se a dor do luto não fosse suficiente, Delina conta que vem sofrendo com uma enxurrada de informações falsas a respeito da saúde de seus familiares. “Estão dizendo que minha filha está com Covid-19. Isso é tudo mentira. Ela está livre para trabalhar, se for o caso, minha filha apresenta os exames atestando sua saúde”, pontuou Delina.

No momento em que o Brasil passa dos 250 mil casos e das 17 mil mortes por coronavírus, e que a dor de cada uma dessas famílias deveria ser respeitada, muitos ainda se dedicam a constranger aqueles que perderam entes queridos para doença, como dona Delina.

“O Facebook  de uma rádio, inclusive, chegou a publicar a foto de um caixãozinho, como se fosse o do meu neto, e colocaram uma matéria falando sobre ele. Foi uma falta de respeito muito grande o que fizeram com minha filha. Isso deixa todos muito tristes,” concluiu a avó do menino.

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