Após duas semanas consecutivas de portas fechadas, o comércio de Volta Redonda tem previsão de reabertura para domingo (dia 12). Com a medida anunciada pelo prefeito Samuca Silva (PSC), a expectativa dos comerciantes é de dias melhores. Na Cidade do Aço, o setor tem cerca de 10 mil estabelecimentos comerciais, sendo o principal gerador de empregos do município. De acordo com o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), antes da pandemia gerava em torno de 40 mil postos de trabalho.

Com o fechamento do comércio, segundo a Câmara de Dirigentes Lojista (CDL-VR), esse número sofreu uma queda em torno de 20%. A estimativa da entidade empresarial é de que pelo menos 200 empresas tenham fechado as portas definitivamente. O cenário agora é um pouco mais otimista. O novo decreto que será publicado pela prefeitura neste sábado (dia 11), além de autorizar a reabertura do comércio, amplia o horário de funcionamento de lojas e shoppings centers. Bares e restaurantes poderão funcionar com 30% de sua capacidade, com espaçamento entre as mesas de dois metros.

No início da flexibilização adotamos horários alternativos, visando assim evitar aglomerações nas ruas principalmente pela manhã. Entretanto, vamos adotar agora o horário ampliado, espaçando assim melhor o tempo das pessoas frequentarem as atividades econômicas. Mas pedimos à população para ir às ruas apenas em caso de necessidade e usando máscaras. O grupo de risco deve permanecer em casa”, afirmou o prefeito. O decreto, porém, manterá restrições para o acesso ao comércio para pessoas de 60 ou mais. Estes poderão frequentar apenas no horário de 8h às 10h. Os idosos também voltam a ter gratuidade nos ônibus municipais até o meio dia.

Por determinação da Justiça, as academias e estúdios de atividades físicas seguem com restrições de funcionamento. O mesmo ocorre com as igrejas e templos religiosos. “Reforçamos que as aglomerações seguem proibidas na cidade. E que a força-tarefa segue atuando na cidade para garantir o cumprimento das medidas de combate ao coronavírus”, disse Samuca.

Fechamento

Em Volta Redonda, há uma decisão judicial que impede a reabertura das atividades, onde o autor é o Ministério Público. O retorno do comércio só é possível através de um acordo judicial, que estabelece seis eixos de monitoramento: a ocupação dos leitos de UTI não ultrapassar 50%; a ocupação dos leitos do Hospital de Campanha não passar de 60%; o número de casos suspeitos não aumentar mais de 5% por três dias seguidos; o uso obrigatório de máscaras; proibido qualquer aglomeração; e grupo de risco permanecer em isolamento.

Na última quarta-feira (dia 8), o município conseguiu autorização para voltar a regular pacientes para o Hospital Regional Zilda Arns, no bairro Roma. Além disso, a prefeitura viabilizou a abertura de mais dez leitos de UTI. O prefeito Samuca Silva explicou que o município aumentou a capacidade de atendimento à população e que o comércio e demais atividades ficaram abertos por 50 dias.

“Aumentamos de 19 para 27 leitos de UTI para atendimento de Covid-19. Isso nos permitiu garantir o comércio aberto por mais de 50 dias. Vemos cidades do tamanho de Volta Redonda que ainda não retornaram as suas atividades. Algumas outras estão fechando novamente. Agora, estamos ampliando o número de leitos para que possamos retomar as atividades no próximo domingo”, disse Samuca.

As atividades econômicas, com exceção às essenciais, foram fechadas no dia 29 de junho, diante de uma das metas condicionantes para a reabertura ter sido extrapolada. É que o município passou de 50% de ocupação dos leitos de UTI/CTI destinadas para tratamento da Covid-19. “Iniciamos o novo tratamento para casos de Covid-19 na última quinta-feira (dia 9), em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Acreditamos que nas próximas duas semanas já teremos um impacto positivo do tratamento, conseguindo diminuir o número de casos graves, internações e, consequentemente, óbitos. Pedimos, diante desse novo protocolo, que as pessoas com os primeiros sintomas do coronavírus procurem nossas unidades de referência para começar a receber o medicamento, que visa diminuir a força do vírus e o consequente agravamento dos casos”, finalizou o chefe do Palácio 17 de Julho.

Notas da CDL e da FCDL apontam divergência

A polêmica do fechamento do comércio em Volta Redonda teve mais um capítulo na sexta-feira (dia 10). Desta vez, não se tratou de manifestação nas ruas ou vídeo publicado nas redes sociais. Uma nota enviada pela CDL-VR divergiu de um comunicado da Federação das Câmaras dos Dirigentes Lojistas do Rio de Janeiro (FCDL-RJ).

A informação controversa diz respeito ao fato a um comunicado da entidade local afirmar que Volta Redonda seria a única cidade com restrições ao comércio. Na verdade, há outros municípios que ainda estão com o comércio fechado, como é o caso de Macaé, na Região dos Lagos, que está flexibilizando gradativamente as medidas de isolamento, mas que manteve fechada lojas de roupas e calçados, shopping centers. O decreto para a reabertura vou publicado apenas na noite de sexta.

Verificando o site da própria Federação, foi possível verificar que a entidade não afirmou que a Cidade do Aço é a única do Estado, mas sim, que é “uma das poucas cidades do estado em que o setor ainda não está aberto, gerando o encerramento de atividades de empresas e mais de 8 mil demissões”.

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