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sábado, junho 27, 2026
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Sobretaxa americana no aço pode provocar fechamento de 37 mil postos de empregos e afetar CSN, ArcelorMittal e Saint-Gobain

O aumento das tarifas de importação de aço impostas pelos Estados Unidos ameaça diretamente o mercado de trabalho no Sul Fluminense. A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), em Volta Redonda, a ArcelorMittal, com unidades em Barra Mansa e Resende, e a Saint-Gobain, que produz tubos de aço em Barra Mansa, estão entre as empresas que podem ser mais afetadas. Segundo projeção do Instituto Aço Brasil, se a trajetória de importações continuar, o setor siderúrgico nacional pode perder até 37,6 mil empregos, número que representa uma fatia significativa dos 117 mil postos de trabalho da indústria no país.

Segundo apurou a Folha do Aço, algumas dessas empresas na região já analisam a possibilidade de reduzir a escala de trabalho para minimizar os impactos da sobretaxa americana.

Importações em alta e capacidade ociosa

Em coletiva de imprensa na quarta-feira (dia 27), o presidente do Conselho Diretor do Instituto Aço Brasil, André Gerdau Johannpeter, alertou para o aumento das importações de aço no país. “Somente entre janeiro e julho deste ano, o volume subiu 40%, variando de 457 mil toneladas a 3,6 milhões de toneladas. Esse volume representa 30% do consumo interno”, explicou. Johannpeter ressaltou que, historicamente, a importação deveria se manter em torno de 10% a 12% do consumo interno, e que atualmente existem 6,1 milhões de toneladas em produtos que contêm aço, como máquinas e veículos, que poderiam estar sendo fabricados no Brasil.

Atualmente, a indústria siderúrgica nacional opera com 66% da capacidade, “muito abaixo” dos 80% esperados para o setor. Segundo o Aço Brasil, caso as importações continuem em trajetória ascendente, a utilização da capacidade produtiva pode cair a 40%, forçando a eliminação de cerca de 37 mil empregos. Em contrapartida, se as indústrias atingirem 80% da capacidade, cerca de 17 mil vagas poderiam ser abertas.

Impacto das tarifas americanas

O cenário é pressionado pelo conflito comercial entre Brasil e Estados Unidos, desde que o presidente americano, Donald Trump, impôs tarifas de 50% sobre exportações brasileiras de aço. A indústria enfrenta taxas específicas: em março, passaram a valer 25% e, em junho, alcançaram 50%. “A situação não está sustentável. Nosso maior desafio é com a importação, com risco de desemprego e investimentos que podem ser postergados ou até cancelados, a depender da empresa”, afirmou Johannpeter.

Ferro-gusa mantém certa vantagem, mas tensão persiste

Enquanto isso, produtores brasileiros de ferro-gusa que exportam para os EUA mantêm negociações com compradores americanos, à medida que aumentam as preocupações sobre tarifas. Por enquanto, o ferro-gusa é poupado das tarifas mais pesadas, com uma taxa de 10%, e representa cerca de um terço das exportações brasileiras desse produto no primeiro semestre de 2025.

Impacto regional

No Sul Fluminense, a possibilidade de cortes e ajustes de escala já preocupa trabalhadores e sindicalistas. A CSN em Volta Redonda, a ArcelorMittal em Barra Mansa e Resende, e a Saint-Gobain em Barra Mansa podem sentir de forma direta a pressão das importações e das tarifas internacionais. A redução da produção ou fechamento parcial de turnos afetaria não apenas os empregos diretos nas unidades, mas também toda a cadeia de fornecedores e serviços que dependem da siderurgia.

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