Na última edição antes do recesso de final de ano, a Folha do Aço entrevista um dos principais personagens da política do Sul Fluminense em 2019: o prefeito Samuca Silva (PSDB). Em pouco mais de 40 minutos, o chefe do Palácio 17 de Julho fez um resumo dos últimos 12 meses de sua administração, falou sobre a sua relação com os servidores públicos, a perspectiva de crescimento na arrecadação e a aproximação com o governador Wilson Witzel (PSC).

Caminhando para o quarto ano de mandato, Samuca também falou sobre eleições 2020. O uso deliberado das famosas Fake News preocupa o político. “2020 vai ser ano de Fake News, mentiras, oportunismo eleitoral e pessoas que não têm responsabilidade com a cidade, mas com o poder”, diz Samuca. Confira a seguir a entrevista completa com o prefeito de Volta Redonda.

2019 foi o ano mais difícil neste período como prefeito?

Não, o ano mais difícil foi 2017, quando chega um orçamento diferente, a prefeitura sem licitação, os contratos todos vencidos, cheio de casca de banana. Mas 2019 foi um ano do desafio de gestão. Eu posso falar que 2019 foi quando nós tivemos a oportunidade de implementar algumas ações que vamos colher frutos daqui a pouco. Então, 2017 de chegada, 2018 de mudança e 2019 de implementação de uma política de gestão que vai render frutos no futuro. Então eu posso dizer que 2019 não foi um ano tão difícil, mas foi um ano de complexidade da minha forma de fazer gestão interna.

Como isso aconteceu?

Talvez a complexidade maior. Consolidei algumas mudanças e de dedicação maior, essa é a palavra. Eu me dediquei mais em 2019 do que nos outros anos pela responsabilidade de implementar mudanças estruturantes.

Terceiro ano como prefeito

Eu percebi que ninguém faz nada sozinho, que efetivamente você precisa de uma equipe de pessoas empenhadas com o mesmo intuito. Você é uma pessoa que faz a tocada da máquina, mas eu percebi que como a gente precisa de pessoas empenhadas em fazer o bem. Uma cidade que tem também uma responsabilidade regional, 1,5 milhão de pessoas que dependem da gente. Como é desafiador você montar uma equipe e em 2019 eu percebi como é importante ter uma equipe afinada. Em 2017 e 2018 eu fui muito duro sob o ponto de vista interno, em 2019 eu chamei mais para dentro da gestão os atores. Fiz eles [secretários] participarem mais do processo de decisão. Este ano consegui sair um pouco mais do gabinete, descentralizar e colocar os secretários, por exemplo, para processos decisórios maiores, e que 2020, efetivamente, comece a dar resultados nas ruas.  

Relação com os servidores

Tanto eu como o servidor, a gente não tem culpa do descaso ou da falta de gestão do passado. Eu não posso reclamar do servidor, que foi leal demais com essa mudança da cidade. Quero, até o fim do meu mandato, dar uma resposta de forma geral. Mas posso afirmar que nós atendemos a reivindicação de várias categorias. A Guarda Municipal teve seu plano de cargos construído; coloquei mais quase R$ 200 agora no PCCS de todos servidores na Justiça, aumentei em R$ 50; a carreira de fiscal do Saae; carreira do fiscal de renda; carreira do auditor fiscal; carreira do procurador-geral; os arquitetos e engenheiros, que é uma questão de mais de 20 anos.

Benefícios para a categoria

Apesar de forma geral eu não ter dado alguma coisa para os servidores, quando você analisa individualmente as carreiras eu consegui. Tiveram avanços, não em 2019, mas num balanço em geral. O vale-alimentação, que eu aumentei de R$ 115 para R$ 250; a Gratificação Social que o Sindicado ganhou na Justiça a incorporação. Enfim, o Faps não existia quando eu cheguei aqui. Aliás, desde 2013 o Faps não existia. Eu que criei o VR Assistência. Agora eu sempre falei que não tenho como dar a cirurgia e exame, mas a consulta eu consigo, e implementamos. Hoje, qualquer médico de Volta Redonda que quiser cadastrar no VR Assistência consegue. A partir de fevereiro do próximo ano vou começar a pagar 1/12 por mês no contracheque referente ao adiantamento do 13º. Então, o servidor de forma em geral, eu acho que consegui atender vários pleitos históricos da categoria. Falta algo maior que a gente está preparando o caixa da prefeitura para dar esse retorno para eles.

Projeção 2020

Eu tenho a meta de entregar o Município sem déficit financeiro. Eu assumi com R$ 106 milhões de déficit financeiro, que não é dívida, mas tudo aquilo que você precisa pagar de forma imediata. O caixa eu peguei com R$ 17 milhões e R$ 106 milhões de déficit. Não fecha a conta. A minha meta sob o ponto de vista de gestão é zerar. Obviamente se eu conseguir superávit financeiro, melhor ainda. Então a minha meta ano que vem é essa: no mínimo entregar o Município no zero a zero e cumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Investimentos

Ano que vem vai ser de muitos investimentos na cidade, de movimento de aumento de arrecadação forte, gastar o que é necessário. Mas a meta final é de derrubar esse déficit financeiro que deixaram de herança.   

Aumento da arrecadação

Fechei meu orçamento em R$ 1,4 bilhão, aprovado na Câmara. Estou arrecadando já R$ 1 bilhão. Peguei o Município com R$ 840 milhões de receita, então estou crescendo R$ 160 milhões efetivamente. Vou terminar este ano com quase R$ 1 bilhão de receita arrecadada. Estou estimando mais R$ 400 milhões para o ano que vem: R$ 130 milhões da dívida ativa, R$ 80 milhões da Caixa e R$ 190 milhões de projetos que tenho aprovado com os governos estadual e federal.

Cenário eleitoral

O final de 2019 já provou como será  o ano de 2020, ou seja, de Fake News, mentiras, oportunismo eleitoral e pessoas que têm responsabilidade com o poder, não com a cidade. Só que enquanto eles ficam fazendo isso, eu acelero. Vou lançar um grande programa da cidade. Em cada dia de 2020 uma obra e um investimento novo para a cidade. Mas vai ser um ano pesado sob o ponto de vista eleitoral, já avisei a equipe que eles jogam pesado, porque o governo está bem visto pela sociedade. As pessoas veem e reconhecem essa dificuldade, reconhecem nosso trabalho, nosso esforço. A rede social traz isso também, dá coragem para as pessoas falarem mentiras atrás de um perfil falso. Tem uma investigação aberta sobre isso e tomara que consigam concluir antes do processo eleitoral.  

Adversários

Tem um grupo que afundou o Estado do Rio de Janeiro na maior crise política, moral e ética, e que quer o poder, não só em Volta Redonda, mas em várias cidades, e vai jogar pesado no processo eleitoral. Vai ser muito difícil, pesadíssimo, mas estou preparado para os desafios.

Relação com o governador

Eu sou do grupo do governador Wilson Witzel, meu governador é o Wilson Witzel. O que ele pedir para fazer, eu farei. A nossa relação é ótima. A gente conversa sobre o Estado, Volta Redonda e a região.

Principais conquistas

Uma em especial é a assinatura do Polo Metalmecânico. Existe uma Volta Redonda antes e depois desse Polo Metalmecânico. É um anseio da nossa cidade, o ‘Cinturão do Aço’. Todo mundo falou na história de Volta Redonda e nós conseguimos um feito, que sob o ponto de vista imediato da população pode passar despercebido. Mas sob o ponto de vista de futuro da cidade, lá é o grande legado para a nossa cidade. Consolida a nossa vocação de metalurgia e coloca em Volta Redonda os investimentos das indústrias de transformação. Esse ato do governador de assinar o Polo Metalmecânico, com incentivos fiscais, é o investimento do futuro. Além da nossa participação, destaco a atuação do ex-prefeito Gothardo Netto, do secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Lucas Tristão, e o olhar diferenciado da CSN. Desde a construção da Usina Presidente Vargas, não há um fato tão relevante para a história da cidade como a assinatura deste ato. Talvez a privatização, que há uma discussão se prejudicou ou não.

Ações

Sob o ponto de vista imediato, o Restaurante Popular, que para as pessoas passa despercebido, mas efetivamente foi este ano, em janeiro, que reabrimos. A questão das empresas de ônibus, com o Decreto de Caducidade da concessão das linhas da Viação Sul Fluminense, foi um ato de coragem, que mostra a vontade nossa, junto com a reabertura do Restaurante Popular, de olhar sempre para quem mais precisa: o povo.

Frustração

A Justiça não deixar a gente dar um próximo passo que é essa licitação das linhas da Viação Sul Fluminense. Antes do dia 31 de dezembro eu vou dar alguma solução temporária sobre este assunto até a licitação.

“Orgulho de Volta”

Vamos lançar para 2020 o programa ‘Orgulho de Volta’. Serão 365 dias, e no mínimo 365 obras, ou seja, todo dia terá uma inauguração ou um novo investimento iniciando na cidade. Este pacote inclui o Hospital Santa Margarida, que vamos abrir até o mês de abril com quatro andares. A cidade estava cansada, as pessoas não aguentavam mais a forma que vinham conduzindo antes de assumirmos. O programa é por isso, o resgate da autoestima da população de Volta Redonda.

Último ano de governo

Para você dar voos mais altos, construir um prédio de 20 andares, é preciso fazer a fundação bem feita, pavimentar e construir. Acho que é isso, consolidar este trabalho em Volta Redonda. Não me preocupo com processo eleitoral. Não estou pensando na eleição, porque se eu tivesse pensando em eleição, não estaria lançando um programa que vai ter obra até o dia 31 de dezembro do ano que vem. Estou pensando na cidade. Serão 12 meses de investimento na cidade.

Sonho alto

Obviamente que não deixei minha carreira profissional, acadêmica, de professor, servidor e especialista para ser só prefeito. Estou prefeito, quero me dedicar, mas acho que posso me dedicar mais a nível estadual e federal. Significa que estou pensando em voos mais altos, mas deixa a vida se encarregar dela. Não tenho vocação para Legislativo, então posso falar que deputado estadual e federal não passa pela minha cabeça. Pode ocorrer, mas sou um cara de resolver as coisas, não o cara de ser mais um dentro de uma assembleia.

Prazo para equipe decidir candidatura

Vou definir essas candidaturas ao Legislativo até 30 de março. Aí tem o mês de abril para fazer as transições necessárias. Provavelmente vou colocar no cargo quem já está carregando o piano, pessoas que já estão na estrutura e já conheça a máquina.

Oposição

Nós crescemos cerca de 20% a receita municipal, se eu não tivesse feito isso, a previsão dele [o ex-prefeito Antonio Francisco Neto] estaria certa [que o governo Samuca não conseguiria pagar a folha de pagamento a partir de agosto de 2017], e eu não teria pago a folha, precatórios, a dívida que ele deixou e fornecedores.

Foto: Felipe Carvalho

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