Mesmo diante de uma grave crise humanitária provocada pela pandemia da Covid-19, a Câmara de Volta Redonda pretende gastar mais de R$ 319 mil na aquisição de cinco veículos zero quilômetro para modernizar a frota que atende a Casa Legislativa. O edital da licitação foi aberto no dia 1º de abril, a partir daí, foram apresentados documentos para credenciamento, a declaração de que os interessados cumprem os requisitos de habilitação e os envelopes contendo a proposta preços e documentos de habilitação.

A ordem da direção da Câmara de Volta Redonda, presidida pelo vereador Nilton Alves de Faria, o Neném (PSB). é não economizar em conforto para seus pares. O termo de referência do edital 04/2020 deixa isso explícito, ao estabelecer que quatro modelos terão câmbio manual – ao custo unitário de R$ 62.304,55 – e um deles automático – R$ 70.411,75.

De acordo com a especificação, obrigatoriamente, os automóveis serão equipados com ar-condicionado, direção eletro-hidráulica, airbag (no mínimo duplo), computador de bordo, rádio com leitor de MP3 e conexão Bluetooth, entre outros itens. “A renovação da frota de veículos se faz necessária haja vista oferecer a esta Casa Legislativa menor custo em manutenção corretiva, proporcionando maior produtividade nos trabalhos e segurança aos seus usuários”, justifica o edital autorizado pelo vereador Neném.

A empresa vencedora da licitação receberá em até 15 dias úteis após a entrega dos veículos. A homologação do pregão, na modalidade presencial, ainda não foi publicada.

Valor daria para montar 45 leitos hospitalares

Em plena era de corte de gastos, devido à crise econômica mundial e a pandemia do novo coronavírus, a concentração de investimentos na área de saúde também é pauta constante dos debates em Volta Redonda. Nas últimas duas semanas, vereadores da base de oposição ao governo do prefeito Samuca Silva (PSC) questionaram os gastos do município com o combate à Covid-19.

A ala capitaneada pelos vereadores Neném, Jari, Granato, Carlinhos Santana e companhia, que tanto brada em plenário e nas redes sociais pedindo fiscalização sobre os gastos públicos, porém, até o momento se mantém calada (ao menos publicamente) quando o assunto é renovação da frota de automóveis que lhes beneficiará. É o famoso dois pesos e duas medidas. 

Eles poderiam, por exemplo, sugerir que o recurso de R$ 319 mil fosse revertido na compra de testes do método PCR (reação em cadeia da polimerase em tempo real), que consiste na coleta de secreções do nariz e garganta, permitindo detectar o vírus com altíssima precisão nos primeiros dias dos sintomas graves. Cada exame custa, em média, cerca de R$ 130,00, ou seja, dava para comprar aproximadamente 2.450 testes.

Outro setor que o recurso do Legislativo poderia ser empregado é na assistência social, custeando milhares de cestas básicas, como ocorre no projeto “Cidade Solidária”. Os alimentos estão sendo entregues às famílias de alunos matriculados na rede pública de ensino desde a última segunda-feira (dia 20) e visa proporcionar uma alimentação saudável enquanto as aulas estão suspensas. Detalhe: no Royal Supermercados, uma cesta básica custa, em média, R$ 94. Portanto, com R$ 319 mil dava para alimentar mais de 3 mil famílias.

Ainda na área da Educação, os recursos da compra dos carros pagariam um mês de ensino online dos alunos da rede pública, atendendo 39 mil alunos da rede. Segundo a prefeitura, o custo mensal por estudante com plataforma digital é de R$ 7,00.

6 COMENTÁRIOS

  1. Não estão trabalhando presencialmente para estar precisando de carro e mesmo que estivessem não precisam de carros agora.
    No momento a cidade precisa de produtos hospitalares, leitos, respiradores, médicos, enfermeiros e profissionais de limpeza.

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