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quarta-feira, fevereiro 18, 2026
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Sem reajuste e sem transparência: Funcionários da coleta de lixo denunciam precarização em Volta Redonda

Funcionários da empresa responsável pela coleta de lixo em Volta Redonda denunciam uma série de problemas trabalhistas que vão desde a falta de reajuste salarial até a ausência de transparência por parte do setor de Recursos Humanos. As reclamações surgem no momento em que a Prefeitura prorrogou, por mais um ano e sem licitação, o contrato com a Inova Ambiental Assessoria e Comércio, responsável pelo serviço no município.

Conforme revelou a coluna Ferrinhos, da Folha do Aço, na última edição, a empresa recebe cerca de R$ 1,8 milhão por mês dos cofres públicos. Apesar disso, segundo os trabalhadores, não há qualquer previsão de reajuste salarial nem atualização no valor do cartão alimentação.

“Tem quatro meses que a gente entra às 19h e sai às 7h. Aí fomos pedir nosso banco de horas e eles falam que a gente não tem. Não repassam nosso espelho de horas nem o nosso contracheque”, relatou um funcionário da Inova Ambiental, que pediu para não ter o nome divulgado por medo de represálias. “Se alguém fala alguma coisa, eles mandam embora por justa causa”, completou.

Além da falta de informações básicas sobre a jornada de trabalho, os funcionários também afirmam que não há diálogo sobre benefícios. “Falam que não tem data pra estar repassando nosso aumento”, disse outro colaborador.

Sobrecarga

A sobrecarga de trabalho é outro ponto levantado. De acordo com os relatos, a empresa estaria operando com número reduzido de funcionários, obrigando trabalhadores a alternarem entre turnos diurno e noturno.

“Agora estamos fazendo setor do dia e da noite por falta de funcionários. Se não aguentar fazer ou se recusar, toma justa causa ou gancho de dois dias, além de trocar o turno”, contou outro funcionário à Folha do Aço.

As condições da frota também preocupam. Segundo os trabalhadores, os caminhões estariam em más condições de uso e em quantidade insuficiente para atender à demanda do município. Há ainda denúncias de que, com frequência, veículos saem para a coleta com apenas dois coletores, quando o correto seria três.

Os funcionários também criticam a atuação da entidade de classe que representa a categoria. “O Sindicato nunca é a nosso favor e nem aparece. Nós, coletores e motoristas, estamos precisando de ajuda”, afirmou um colaborador, referindo-se ao Sindicato dos Empregados nas Empresas de Asseio e Conservação (Seeacon) da Região Sul Fluminense, cuja sede fica no bairro Conforto, em Volta Redonda.

Fiscalização

Após as denúncias de falhas na coleta de lixo durante o fim de semana, o vereador Raone Ferreira (PSB) afirmou que esteve na sede da empresa responsável pelo serviço na manhã de quinta-feira (dia 12), às 7h, para acompanhar a saída dos caminhões e cobrar esclarecimentos.

De acordo com o parlamentar, a empresa admitiu deficiência no quadro de funcionários, o que teria comprometido a regularidade da coleta nos últimos dias. A direção informou ainda que está em processo de contratação de novos profissionais, promovendo a realocação de equipes e que iniciou o pagamento do dissídio da categoria.

Raone também destacou que o contrato com o município foi prorrogado por meio de aditivo pelo período de um ano. Conforme relatado a ele, os gastos mensais da Prefeitura com o serviço giram em torno de R$ 900 mil.

“Diante desse volume de recursos públicos, a fiscalização é obrigação do mandato. Estive na empresa acompanhando a saída dos caminhões e cobrando explicações. A população precisa de um serviço eficiente e os trabalhadores, de condições dignas”, afirmou.

Nota do MPT

Procurado, o Ministério Público do Trabalho (MPT), por meio de sua assessoria de imprensa, informou que, até o momento, não foram encontradas denúncias registradas contra a empresa citada. O órgão destacou que recebe denúncias por meio de seu site oficial e ressaltou que elas podem ser feitas de forma anônima.

Segundo o MPT, a denúncia deve ser a mais completa e detalhada possível, incluindo: descrição da irregularidade e setores afetados; número estimado de trabalhadores prejudicados; nome, endereço, atividade e contatos da empresa ou empregador.

Sem resposta

A reportagem tentou contato telefônico e por meio de e-mail com o Sindicato para comentar as denúncias apresentadas, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição. O espaço permanece aberto para manifestação. A reportagem também deixa aberto o espaço para que a Inova Ambiental e a Prefeitura de Volta Redonda se manifestem sobre os relatos apresentados.

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