A morte do ex-prefeito de Volta Redonda Juarez Antunes completou 30 anos no último dia 21 de fevereiro sem nenhum evento oficial para lembrar a data. Marcado na história do sindicalismo do município, Juarez morreu após 51 dias no exercício do mandato de prefeito. Ele sofreu um acidente de carro fatal, perto da cidade de Felixlândia (MG), quando ia a Brasília devolver as chaves do apartamento funcional a que tivera direito durante o mandato de deputado federal.

As circunstâncias do acidente e o conturbado contexto político em Volta Redonda naquele ano levaram alguns líderes sindicais e comunitários a suspeitarem de assassinato. Existiu até rumores, sem qualquer fundamento, que Juarez teria fugido para Cuba. O comando do Palácio 17 de Julho foi assumido pelo vice-prefeito Vanildo de Carvalho, que morreu no dia 1º de abril do ano passado.

Juarez Antunes nasceu em Estrela D’Alva (MG) no dia 7 de fevereiro de 1935, filho de José Antunes Filho e de Guaraciaba Jardim Antunes. Foi empregado da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), na função de mestre de forno de aço. O trabalho e a atividade política o impediram de terminar o curso da Faculdade de Engenharia Civil de Barra do Piraí.

A vida política de Juarez iniciou no Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido de oposição ao regime militar instaurado no país em abril de 1964. Com o fim do bipartidarismo em 29 de novembro de 1979 e a consequente reformulação partidária, filiou-se ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), criado para substituir o MDB. Posteriormente, transferiu-se para o Partido dos Trabalhadores (PT). Em dezembro de 1982, foi desligado da CSN por causa de sua militância sindical.

No ano seguinte, foi eleito presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Volta Redonda, Barra Mansa e Resende, tendo exercido o cargo por dois mandatos consecutivos, e participou da fundação da Central Única dos Trabalhadores (CUT), da qual seria eleito sucessivamente membro da direção nacional. Em junho de 1984, liderou a primeira greve da história da CSN, quando 28 mil empregados paralisaram suas atividades. Neste ano, viajou à União Soviética como representante da CUT.

Em 1985, desfiliou-se do PT por divergências com a direção. No mesmo ano, viajou a Cuba como representante da CUT. No pleito de novembro de 1986, foi eleito deputado federal constituinte pelo Rio de Janeiro na legenda do PDT. Empossado em fevereiro seguinte, tornouse membro da Subcomissão dos Direitos dos Trabalhadores e Servidores Públicos, da Comissão da Ordem Social.

Constituinte

Na Constituinte, Juarez Antunes votou a favor do rompimento de relações diplomáticas com países de orientação racista; da limitação do direito de propriedade privada; do mandado de segurança coletivo; da legalização do aborto; da remuneração 50% superior para o trabalho extra; da jornada semanal de 40 horas; do turno ininterrupto de seis horas; do aviso prévio proporcional; do voto facultativo aos 16 anos; do presidencialismo, entre outros.

Votou contra o mandato de cinco anos para o presidente José Sarney e a legalização do jogo do bicho. Com a promulgação da nova Carta em 5 outubro de 1988, continuou no exercício de seu mandato regular como deputado federal. No mês seguinte, liderou a maior greve da CSN até então, que culminou com a invasão de tropas do Exército, apoiadas por quatro carros blindados, resultando na morte de três metalúrgicos.

Alguns dias depois do fim da greve, no pleito de 15 de novembro de 1988, Juarez Antunes foi eleito prefeito de Volta Redonda na coligação Pacto Democrático-Trabalhista – composta pelo PDT e pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB), e apoiado por alguns setores do PT – obtendo mais de 40% dos votos válidos. Renunciando com isso ao mandato federal, foi empossado na prefeitura de Volta Redonda em 1º de janeiro de 1989, sendo substituído na Câmara pelo suplente Jaime Campos.

Juarez Antunes ocupou a principal cadeira do Palácio 17 de Julho por apenas 51 dias, até o fatídico dia 21 de fevereiro de 1989, quando sofreu um acidente automobilístico. O motorista do carro sobreviveu. O sindicalista foi homenageado dando nome a uma escola municipal do bairro São Luiz e uma praça na Vila Santa Cecília, próxima a Passagem Superior da CSN. Ele era casado com Leda Siderlei Antunes, com quem teve um filho. Relatos sobre a história de Juarez constam nos arquivos do Centro de Pesquisa e Documento de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Foto: Acervo Sindicato dos Metalúrgicos do Sul Fluminense

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