Está em fase avançada de estudos pelos executivos da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) a criação de um polo industrial e comercial no entorno de Volta Redonda, onde a empresa tem vários terrenos. Segundo reportagem publicada pelo Estado de SP, o grupo busca ainda um local para construir sua nova fábrica de cimento, que neste caso não seria na Cidade do Aço. A exploração dos novos negócios está sendo conduzida por Marconi Perillo (PSDB), ex-governador de Goiás.

Perillo não é executivo direto do grupo dos Steinbruch. Ele abriu uma consultoria com sua mulher, Valéria, a MV, para assessorar a CSN. Como consultor, tem explorado o mercado imobiliário, considerado um novo negócio e estratégico para a CSN. A experiência de Perillo como gestor público, dizem fontes ouvidas pelo jornal paulista, facilitaria o trânsito do grupo nas negociações com prefeituras.

Ainda segundo o Estadão, a CSN também quer tirar do papel os planos para construir um shopping na zona sul de São Paulo, onde também tem terrenos. A reportagem da Folha do Aço apurou que a área da Prada, em Santo Amaro, estaria entre as preferidas da direção da empresa, por estar próxima a estação do metrô, facilitando o acesso dos consumidores.

Além disso, Perillo está buscando outro lugar para a CSN construir sua terceira fábrica. O grupo já possui unidades em Arcos (MG) e Volta Redonda. O fato de Perillo ser alvo na Lava Jato não preocupa a CSN, uma vez que o ex-governador presta serviços como consultor, sem ser funcionário direto do grupo.

“Nos Estados Unidos, o lobby é considerado uma atividade comum e muitos executivos transitam da gestão pública para privada, sem problemas”, diz Herbert Steinberg, sócio da Mesa Corporate, especializada em governança. “A ação não tem nada de ilegal, desde que a migração para a companhia privada respeite uma quarentena.”

Segundo Steinberg, no Brasil, contudo, este tipo de contratação tem uma leitura diferente: de maior influência, uma vez que a relação com o governo ocorre em várias esferas, com bancos públicos, fundos de pensão e bancos de fomento, por exemplo. Números Com dívida líquida de R$ 26,6 bilhões no quarto trimestre de 2018, a CSN encerrou o ano passado com faturamento de R$ 22,9 bilhões.

Em 2015, durante a recessão do Brasil e crise global da mineração, o grupo colocou vários ativos à venda para reduzir seu pesado endividamento. No ano passado, vendeu sua siderúrgica nos EUA e está em negociações para vender as unidades de Portugal e Alemanha.

Com a recuperação dos preços do minério – e acordos de venda antecipada de matéria-prima para grandes tradings, como a Glencore –, as ações do grupo voltaram a se valorizar. Neste ano, a companhia acumula alta de 92% e está avaliada em R$ 23,2 bilhões. Esses últimos movimentos estão dando fôlego à companhia.

Foto: Arquivo/Divulgação SecomVR

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