O caso recente da escritora e atriz Fernanda Young, de 49 anos, que morreu após uma crise de asma, ligou o sinal de alerta para a doença. Segundo o médico José Nereu Militão Filho, muitas vezes o paciente esquece que tem o problema e isso é um grande risco. “As asmas são graduadas em leve, moderada e grave. O que acontece com a maioria das pessoas que vêm com a doença desde a infância, é que elas acostumam. As crises que na infância eram frequentes e tinham complicações, à medida que a pessoa vai crescendo, vão espaçando, e acabam não continuando o tratamento”, disse o alergista.

O médico alerta que é uma doença inflamatória crônica, que não tem cura, mas tem controle com medicamentos e adaptações do estilo de vida dos pacientes. A estimativa é de que o Brasil tenha 20 milhões de pessoas com asma, que é responsável por uma média três mortes de brasileiros todos os dias.

“Não é porque não se está em crise que não tem o problema. No verão, o pulmão também inflama, mas com as condições climáticas estão favoráveis, não há crise. Mas começa a chegar abril e aparecem as complicações”, afirmou Nereu.

Um dos maiores erros cometidos pelos asmáticos é achar, após um período sem crise, que estão curados e dispensar a medicação. A negligência pode ser fatal porque, por se tratar de um tipo de inflamação, durante uma crise os brônquios ficam inchados, edemaciados, vermelhos e podem ficar contraídos, o que aumenta o risco de uma parada respiratória e cardíaca. A asma varia de pessoa para pessoa, ou até em um mesmo indivíduo em situações distintas. Outro problema relacionado com as crises são as oscilações climáticas e a poluição. “Em um mesmo dia há uma variação de temperatura muito grande, e nossa região é extremamente poluída e seca”, lembra Nereu.

O médico também esclarece que 80% das pessoas que têm asma, sofrem também com rinite. Para José Nereu, é preciso tratar a doença para que não evolua. O profissional lembra que a medicação é disponibilizada gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “A bombinha consegue disponibilizar os medicamentos em uma dose muito inferior do que se fosse feito em xarope, nebulização ou comprimido. Um puff de Salbutamol tem 50 microgramas e um comprimido tem 5 miligramas. Ou seja, tem quase mil vezes menos concentração. Ele dá taquicardia por entrar no pulmão e tem uma pequena circulação, que sai do pulmão e vai para o coração. Mas relaxa a parede dos brônquios, mas não desinflamam. Por isso, usamos também os corticosteróides”, explicou o médico em entrevista ao programa Dário de Paula.

Pneumologista explica tratamento da doença

 Embora seja amplamente controlável e prevenível, a asma mata – e não é pouco. De acordo com o médico Gilmar Zonzin, presidente do conselho deliberativo da Sociedade de Pneumologia e Tisiologia do Estado do Rio de Janeiro (Sopterj) e professor do UniFoa, cerca de 2,1 mil pessoas morrem por ano no Brasil devido a crises asmáticas. Essas mortes, segundo a pneumologista, poderiam ser evitadas em 90% dos casos. Em entrevista à Folha do Aço, o especialista fala sobre o tratamento a doença. Confira:

Quais os sintomas da asma? Em qual faixa etária é mais comum?

A asma-brônquica se caracteriza por sintomas episódicos que apresentam falta de ar, tosse seca, chiado no peito e dor torácica. Os episódios de asma podem ser motivados por fatores desencadeantes como exposição a poeiras, ácaro, mofo e mudanças climáticas, entretanto, eventualmente a doença pode se manifestar sem que nenhum fator desencadeante seja bem identificado. A asma costuma ser mais comum durante a infância, mas também pode se manifestar em outras faixas etárias.

De que forma é feito o tratamento para asma?

A base do tratamento inclui medicamentos inalatórios, que devem ser utilizados de forma regular (diariamente), conforme a orientação médica. Eles costumam ser acompanhados de outros tipos de medicamentos, conhecidos como bronco-dilatadores, que podem ser administrados de forma regular ou, em alguns casos, somente nas crises (chamados de resgate). Um equívoco é utilizar os medicamentos de resgate como se fosse o tratamento de base. Esse é um dos principais erros e um dos maiores fatores associados aos casos de morte por asma. Além do tratamento medicamentoso, recomendamos a redução da exposição aos fatores desencadeantes, pelo menos no domicílio, eliminando carpetes, tapetes, cortinas, estofados de tecido, bichos de pelúcia. Caso o paciente com asma possua outras doenças respiratórias, como rinite alérgica etc, é necessário que ele também faça paralelamente o tratamento para a doença a fim de garantir maior eficácia no tratamento da asma.

Por que uma crise de asma pode ocasionar em morte?

As crises de asma são caracterizadas por uma extrema dificuldade de respiração, onde as vias respiratórias que levam o ar para os pulmões sofrem um fechamento. Dependendo do impacto da crise, essa obstrução das vias respiratórias pode até mesmo impedir, em casos extremos, que a pessoa consiga ter uma respiração de forma minimamente satisfatória. Nessas situações, o coração pode entrar em parada cardíaca, levando a pessoa à morte. É como se fosse uma morte por asfixia, mas uma asfixia Zinterna, provocada pela obstrução dos canais por onde o ar passa no interior do organismo até chegar aos pulmões.

Quais são os principais riscos para quem não trata a doença?

Os ricos são inúmeros, o maior deles é o risco de morte associado a uma crise grave de asma. Mas, além disso, as crises recorrentes determinam um grande grau de perda de qualidade de vida, com internações hospitalares ou idas frequentes às emergências e pronto-socorro, além de prejuízo da capacidade pulmonar no decorrer da vida. A pessoa que não faz o tratamento adequado para a asma também dorme mal, tem redução das suas capacidades de atividades diárias. Existem, por exemplo, várias crianças do sexo masculino que afirmam que não gostam de jogar futebol e, quando aprofundamos na questão, percebemos que eles se sentem desconfortáveis porque apresentam falta de ar ocasionada pela asma, que sequer foi diagnosticada.

Existem cuidados gerais que os pacientes asmáticos devem adotar em seu estilo de vida?

Além dos cuidados ambientais, uma pessoa com asma deve redobrar os cuidados com a própria saúde e manter uma boa alimentação, praticar atividades físicas regularmente, beber líquido e não fumar. Esse é um estilo de vida recomendado a todas as pessoas, obviamente, mas para os pacientes asmáticos esses cuidados devem ser reforçados. Entretanto, é importante lembrar que o estilo de vida saudável é muito importante. Mas o paciente com asma deve associar o estilo de vida ao tratamento médico para manter a doença sob controle.

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