A história de Fhellipe Cesar de Menezes, de 26 anos, se confunde com a de milhares de brasileiros. Com um sonho na cabeça e muita determinação, ele deixou a pequena Unaí, município no sudeste de Minas Gerais, e mudou-se para Volta Redonda. O objetivo: cursar a faculdade de medicina. Mas para alcançar tal objetivo, ele precisa se dividir entre as aulas no 4º período do UniFoa e a venda de panos de pratos.

Com a venda dos produtos que são confeccionados por sua mãe, dona Maria José de Oliveira, Fhellipe custeia o valor da mensalidade. “Durante quatro anos, estudei muito para conseguir passar no vestibular de medicina. Sempre sonhei em ser médico. Consegui passar em algumas federais e na Faculdade de Medicina de Piauí, concorrendo como candidato de baixa renda. Só que minha mãe quebrou o braço e começou a receber um benefício do INSS, e por sermos somente nós dois, a renda passou R$ 235 do valor que eu poderia entrar”, lembra o universitário.

Os obstáculos encontrados não foram suficientes para fazer Fhellipe desistir. Enquanto tentava o vestibular, ele se dedicava a monitoria em um cursinho preparatório. Com o dinheiro recebido pelas aulas de Matemática, Química, Biologia e Física, o jovem pagou as despesas das inscrições para as provas.

“Foi assim que eu passei no UniFoa e decidi por ela pela estrutura e boa nota no MEC. Minha mãe fez um financiamento para fazermos a matrícula e, mesmo com as dificuldades, ficamos encantados pela faculdade e, apesar do valor alto, decidi vir pelo fato de conseguir a bolsa de estudos, no valor de 40%. Mas, mesmo assim, são muitas as dificuldades para conseguir arcar com as despesas”, confessa.

Filho de uma costureira, que atualmente mora em Brasília, e de um aposentado, que recebe benefício de um salário mínimo, o estudante tenta driblar as dificuldades para que no futuro oferecer uma melhor condição à família.

“Meu pai é cardiopata, tem Alzheimer e, recentemente, descobrimos o câncer de próstata. Minha mãe tem a lojinha e uma máquina de costura no fundo. Em fevereiro de 2018, depois que pagamos a primeira mensalidade, pegando dinheiro emprestado, vimos que não seria fácil fazer o curso. Pensamos em trancar a matrícula, mas minha mãe então teve a ideia de fazer os panos de prato para que eu pudesse vender aqui. E assim temos feito desde 2018”, relembra.

Kits

Dona Maria José também se mantém com a venda de panos de pratos na Capital Federal. Os produtos comercializados por seu filho, no entanto, são cuidadosamente produzidos em Volta Redonda. Para isso, ela se desloca com certa frequência até a Cidade do Aço. O deslocamento só é possível graças a uma carteira de idoso, que garante a gratuidade nas passagens.

“Cheguei aqui sem ter onde ficar. Procurei apartamento e não conseguia nada, pois precisava de fiador. Andando pela cidade, parei na porta de um senhor para pedir água e contei minha história. Ele se sensibilizou e me deixou ficar em um quartinho nos fundos de sua casa. Fiquei lá por dois meses, até conseguir alugar um apartamento com um colega da faculdade”, conta Fhellipe.

Em Volta Redonda, o estudante de medicina conta com ajuda de diversos incentivadores que conhecem a sua história. “Os professores me ajudam muito, pagam meu almoço na faculdade. Recebo uma cesta básica, que também me ajuda muito. Eles também compram panos de prato para me ajudar. Devagar as coisas vão dando certo”, afirma.

Natal

Em comemoração ao Natal, Fhellipe Menezes está vendendo panos de pratos temáticos. Cada kit vem com dois itens, ao custo de R$ 25. Aqueles que quiserem ajudar podem entrar em contato pelo telefone (24) 99909-3046. “Vou viajar para ficar com minha família na terça (dia 17) e volto no dia 12 de janeiro. Ainda tenho kits de Natal e outros para vender”, contou o futuro médico.

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