O ano de 2020 começou e as atenções no campo político se voltam para as eleições municipais de outubro. Antes de encarrar a rotina de campanha nas ruas, o prefeito Samuca Silva (PSDB) tem dividido a rotina de reuniões no Palácio 17 de Julho e a agenda externa de compromissos, que inclui o programa “Orgulho de Volta”. Durante a semana, em entrevista ao site Foco Regional, Samuca abordou as realizações de seu governo, o cenário político de Volta Redonda e fez um promessa: “Vamos manter o salário em dia até 31 de dezembro de 2020, é um compromisso meu”. Confira:

No seu governo há iniciativas visivelmente bem sucedidas, como o ônibus elétrico do Tarifa Comercial Zero. Outras precisariam, na avaliação de muitos, ocorrer antes da eleição para reforçar o senhor até lá, como o polo metalmecânico. E há uma terceira questão: ao ser eleito, o senhor disse que o grande legado que pretendia deixar para a cidade seria uma gestão deixando as finanças equilibradas. O senhor avalia que conseguirá isso até o final deste mandato?

Samuca: Sim. Na questão da gestão estamos em pleno desenvolvimento. Crescemos R$ 120 milhões em receita própria. As receitas dos governos estadual e federal seguem estabilizadas. Só fizemos o que fizemos na cidade porque aumentamos a arrecadação. Se não tivéssemos feito isso, estaríamos num colapso, porque era muita dívida em curto prazo. Precatórios, desapropriações, dívidas do FGTS, PIS, parcelamentos, fornecedores, restos a pagar… Tudo isso devidamente informado à Câmara e à sociedade, R$ 1,7 bilhão de dívida.

Nosso orçamento era R$ 812 milhões. Estamos em R$ 980 milhões este ano, com expectativa de crescer R$ 160 milhões, sem aumentar impostos para a sociedade, que não aguenta mais a carga tributária. Esta questão das finanças já está bem melhor. Claro que não serão em quatro anos que vamos resolver as finanças de uma cidade que está de joelhos, muito ruim financeiramente. Mas tenho certeza de que hoje já entrego uma cidade bem melhor financeiramente do que recebi em 1º de janeiro de 2017.

É um trabalho de gestão cujo legado já está aqui internamente. Ninguém vai entrar aqui e querer fazer um processo sem licitação, como era no passado, sem parecer jurídico. O legado de transparência está aí. Quanto ao polo metalmecânico também conseguimos. Efetivamente, a cidade maior geradora de empregos do estado do Rio de Janeiro em 2018 e 2019 é Volta Redonda, com ótimos resultados. Há uma questão pontual [do polo], de burocracia, mas 12 empresas já assinaram no Codin (Companhia de Desenvolvimento Industrial), do governo do estado o desejo de se instalar em Volta Redonda e estou trabalhando para que isso se materialize para a população. Mas este legado já aconteceu sob o ponto de vista interno, de atrair estas empresas para o estado e Volta Redonda.

O ônibus elétrico já é uma realidade. Precisamos agora estruturar os abrigos , mas já é uma realidade, dificilmente alguém conseguirá retirar este projeto, pois mexe com o dia a dia do universitário, do desempregado, do professor, daqueles que querem circular nos centros comerciais de forma gratuita. Creio que estamos adiantados em termos de legados, independentemente do processo eleitoral.

Nos últimos meses, pelo menos aparentemente, a prefeitura teve dificuldades para quitar os salários de seus servidores. Voltando um pouco ao ano eleitoral, o senhor pode assegurar que o funcionalismo terá o salário pago em dia?

Não atrasamos salários. Houve alguns contratempos. No final do ano passado houve um bloqueio judicial que afetou todas as contas da prefeitura. Causou um efeito cascata. Até conseguirmos desbloquear houve um atraso de um dia, de algumas horas, para quitar os salários. A dificuldade de caixa é mesma desde o primeiro dia, mas as obrigações aumentaram muito. Mesmo assim conseguimos incluir o início do PCCS (Plano de Cargos, Carreiras e Salários) dos servidores, demos auxílio-alimentação, acabamos com o RPA (Recibo de Pagamento a Autônomo), fizemos vários concursos públicos, encaminhamos à Câmara vários PCCSs pontuais para várias categorias, reconhecemos direitos de várias categorias também e não tivemos nenhuma greve até agora. O piso nacional dos professores está sendo cumprido. Não atendemos todas as reivindicações, mas adotamos e entregamos alguma coisa ao servidor.

E vamos manter o salário em dia até 31 de dezembro de 2020, é um compromisso meu. Ressalto que as questões do Hospital do Retiro e do Hospital São João Batista foram orçamentárias. O dinheiro estava na conta, só que não posso encaminhar R$ 3 milhões para uma entidade privada sem dotação orçamentária, sem empenho, liquidação e pagamento. O atraso não foi por questões financeiras. Evidente que um bloqueio nas contas hoje afeta toda a minha programação do mês, mas quero tranquilizar o servidor de que os salários serão pagos em dia, independente de questões eleitorais.

Se tivesse que dar uma nota de 1 a 10 para o seu governo, qual seria e por quê?

10, claro! Fazer um governo com o endividamento assumido e não fechar pontos de saúde, pelo contrário, abrir unidades de Saúde da Família, fazer concursos, contratar médicos, abrir creches e triplicar vagas em tempo integral, aumentar de 38 mil para 39,5 mil a oferta de vagas na rede pública de educação, fazer um concurso de verdade para os professores…

Investimos no esporte e lazer, no VR em Movimento, retomamos a viagem da terceira idade, reabrimos o Restaurante Popular… Fizemos o Hospital do Idoso, conseguimos – com articulação política em Brasília – abrir a Clínica de Diálise, colocamos R$ 1 milhão para abrir o Hospital Regional, que fortalece não só a rede de Volta Redonda, mas de toda a região…

Fizemos o Polo Metalmecânico, colocamos o Plano Diretor na Câmara para aprovação, aumentamos a capacidade de arrecadação, somos a cidade que mais emprega no estado do Rio de Janeiro. Fizemos articulações para a [abertura] da Rodovia do Contorno, que estava parada há muito tempo. E fizemos isso com muito endividamento. Dinheiro tem, faltava gestão. Esta marca do governo ninguém tira. Por isso daria 10.

Obviamente que a expectativa da população sob o ponto de vista de mudança é enorme, altíssimo. Mas ser prefeito com dinheiro jorrando no caixa é fácil. Fazer gestão pública com fluxo financeiro baixo não é para qualquer um. Daria 10 porque não jogamos as dificuldades para a população. Hoje o principal problema de Volta Redonda ainda é a saúde, porque todos olham para o SUS como um corte para o orçamento próprio: ele [cidadão] corta o medicamento da farmácia, corta o plano de saúde privado e olha a prefeitura como uma saída para diminuir os custos da família. E Volta Redonda aumenta seu atendimento regional. Por isso eu daria 10 para esta gestão que faz algo que outras prefeituras não conseguiram fazer.

O senhor tem dito que, sob seu ponto de vista, a eleição não começou, mas evidentemente que uma eleição começa assim que a anterior termina. Como pretende lidar com esta questão numa época cada vez maior de fake news, em que as coisas são disseminadas sem qualquer checagem, sendo o senhor que está no governo?

Trabalhando… Tenho que entregar resultados para a população para que ela possa me legitimar como um bom prefeito e, quem sabe, eu ter a decisão da possível reeleição que a lei eleitoral me permite. Mas quem vai decidir é o resultado do que vou entregar este ano. Claro que me entristece muito em ano eleitoral começar o ano de 2020 já antecipando este debate. Isso não atrapalha o prefeito Samuca, atrapalha a cidade, todo o trabalho de investimento, de atração de empresas, de desburocratização, investimentos de empresas privadas aqui, de pacotes que temos que fazer ainda do processo legislativo na Câmara de Vereadores. [São] Tantos ajustes necessários, numa dinâmica em que as pessoas ficam receosas de tomar decisões pensando na questão do voto, que é só lá em outubro.

São dez meses ainda pela frente! Isso trava um pouco. Obviamente, quando a gente lança um programa como o ‘Orgulho de Volta’ – que é todo dia um novo investimento – quero dar um recado de que vamos acelerar, entregar resultado e é desta forma como vou lidar com o ano eleitoral. A eleição já começou para aqueles que estão preocupados com a candidatura e, sinceramente, estou preocupado em entregar bons resultados. Obviamente, como a lei permite se eu puder vir, se a população quiser que eu continue o trabalho de reestruturação da cidade, dentro do que já entregamos, posso pensar na possibilidade [de reeleição], sim.

Volta e meia se fala que Samuca Silva, tendo passado por vários partidos e hoje estando no PSDB, pode mudar de sigla de novo para tentar a reeleição. Vai haver uma nova troca de partido?

Eu sempre digo que não temos partidos políticos. Temos siglas partidárias e que a legislação eleitoral exige que você esteja filiado a um partido. Até defendo que qualquer pessoa, independentemente de partido político, poderia se candidatar. Mas a legislação eleitoral nos obriga a estar filiado a um partido para sermos candidatos. Eu retornei ao PSDB, que foi o meu primeiro partido, acreditando num novo PSDB.  E talvez este novo PSDB não seja tão novo assim. Com toda sinceridade: eu trabalho com grupos. Hoje o governador Wilson Witzel olha para Volta Redonda. Não conversamos sobre questões partidárias, mas se ele achar que devo mudar do partido o farei normalmente. Até agora, entretanto, não há nada de concreto nisso. Há, sim, uma conversa entre o governador Wilson e o prefeito de Volta Redonda para estarmos juntos em prol do estado do Rio de Janeiro, da região Sul Fluminense e Volta Redonda. Mas esta questão tem até abril para ser decidida.

Hoje estou filiado ao PSDB, participo das reuniões, acreditei no novo PSDB – ao qual fui convidado para retornar -, mas vou fazer esta avaliação se o PSDB é o novo ou o velho PSDB de sempre. De qualquer forma

[haverá]

uma orientação muito forte do governador. O que ele me orientar a fazer o farei porque me sinto neste grupo político que ele está montando no estado do Rio.

O senhor acredita que a próxima eleição municipal tende a seguir a tendência nacional de polarização ou, no caso local é totalmente diferente?

Volta Redonda não vai ter a terceira via. Isso ocorreu na minha eleição. Volta Redonda vai ter um Fla-Flu entre dois modelos.

O senhor descarta que possa haver um candidato que saia de uma baixa intenção de votos para vencer a eleição, que o fenômeno que houve na sua eleição venha a se repetir?

Eu tinha [naquela eleição] pesquisa em mãos como tenho agora. Naquela eleição 40% do eleitorado queriam um novo nome. Foi nessa, com técnica do lado, que entrei, inclusive recusando convites para ser vice de vários candidatos que hoje, inclusive, estão me ajudando, com sua experiência, a construir Volta Redonda. É claro que a cidade mudou. É inovadora, com várias ideias, projetos e, por isso mesmo, é que tem tantas fake news, por causa de coisas novas que estão acontecendo. Porque quando não há nada novo ninguém critica. E você aguça a curiosidade das pessoas criticar um novo projeto.

É isso o que está acontecendo. Esta mudança ocorreu em Volta Redonda, houve inovação. A eleição deste ano é Fla x Flu: se querem voltar ao passado ou querem continuar a inovação! Dificilmente – e pesquisas mostram isso – as pessoas querem um novo nome, porque o novo nome já ocorreu. E quando falo eu Fla x Flu não me refiro a pessoas, estou falando de ideias: entre o que é novo, que está acontecendo na cidade e o que antigo, que é velho. Esta será a tônica de Volta Redonda na próxima eleição.

O senhor acredita que o ex-prefeito Neto conseguirá ser candidato? Se for, qual a intensidade ganha o Fla x Flu a que se refere?

Eu respeito o ex-prefeito pela sua história e sua identidade com Volta Redonda. Mas não o vejo como candidato. Temos que confiar na Justiça Eleitoral, na Justiça do país. Ele não pode ser candidato. Temos que ver e entender o cenário jurídico atual. Esta história de liminar [para Neto concorrer], possibilidades futuras, são conspirações de pessoas que querem construir nominatas, relações, ficar próximas do jogo político. Mas, sob o ponto de vista legal, o ex-prefeito não é candidato. Tem que esperar o prazo de inelegibilidade passar. Qualquer pessoa pública sabe disso. Nós, por exemplo, revertemos um parecer técnico contrário [às contas] e colocamos as nossas contas aprovadas porque fui lá [no plenário do TCE] defender. Então, não o considero candidato na próxima eleição, confiando na Justiça, por esta questão de inelegibilidade.

Obviamente, se ele conseguir a possibilidade de vir, ficará [a campanha] muito mais aguçada entre o novo e o velho. Entre quem ganhou a eleição [de 2016] saindo de 0,8% por cento e implementou uma política desenvolvimentista, de inovação, de mudanças para a cidade, com o modelo tradicional, de não deixar a cidade crescer, de pintar praça, de assistencialismo… Estes dois modelos é que estarão sendo discutidos na campanha eleitoral. Claro que, se ele for candidato, estes dois modelos ficarão muito mais aparentes para a sociedade.

Mas temos também a possibilidade – embora ele venha adiando esta posição – de o deputado federal Antônio Furtado vir também candidato. E o vereador Washington Granato, ex-presidente da Câmara, já se declarou pré-candidato. O senhor pensa que nem assim altera esta polarização entre o governo passado e o atual?

A polarização entre o novo e o velho! Nesta composição que você disse são dois candidatos do novo e dois candidatos do velho. Ou seja: a polarização da eleição entre dois modelos. A sociedade vai decidir se o velho é o que mais importa e funciona ou o novo que mais funciona. Nesta composição destes quatro candidatos, Furtado e Samuca representam a nova política e os outros dois, Neto e Granato, a velha política. É este Fla x Flu que estou mencionando e vai ocorrer na próxima eleição. E aí vamos ver, se eu for candidato, se o Furtado for candidato, se o Neto for candidato e se o Granato for candidato o que a sociedade vai encarar como melhor modelo para gerir Volta Redonda.

Foto: SecomVR

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