A retomada da atividade econômica no Brasil está sendo mais rápida do que o previsto. Pelo menos essa é a percepção do setor de aço. Hoje, a utilização da capacidade instalada é a mesma de janeiro deste ano (63%), uma capacidade instalada total de 51,5 milhões de toneladas ao ano. O percentual deve subir para perto de 70% até o final do ano.

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), por exemplo, trabalha com a projeção de reaquecer em novembro o Alto-Forno 2 da Usina Presidente Vargas, em Volta Redonda. Para isso, nas últimas semanas, a CBSI, um dos braços da empresa, acelerou o processo de contratação de funcionários para o reparo do equipamento. A expectativa é que nesta etapa sejam gerados 200 empregos.

A empresa do grupo do empresário Benjamin Steinbruch segue o cenário do mercado. Logo que os sinais de aumento da demanda de aço surgiram, o segmento começou a reativar sua produção, para atender com brevidade o retorno dos pedidos dos clientes.

“Começamos o ano com uma estimativa de retomada forte, com possibilidade de aumentar as operações. Mas, em março, com a pandemia e os efeitos gerados, enfrentamos uma gravíssima crise de demanda, com período mais agudo sendo sentido em abril. Por conta das medidas rápidas tomadas pelo governo – como a facilitação do acesso ao crédito, medidas para manutenção dos empregos e o pagamento do auxílio emergencial, por exemplo – tivemos uma vigorosa e rápida recuperação. Desde maio, mês a mês, estamos registrando resultados melhores. A recuperação é fantástica e voltamos a operar com a mesma capacidade do início do ano”, explica o presidente executivo do Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes.

Com a forte retomada da demanda, a queda na produção estimada para 2020 foi reduzida de 18,8%, previsto em abril, para 6,4% quando comparado com 2019. Ao todo, o volume estimado é de 30,4 milhões de toneladas de aço a serem produzidas este ano. O prognóstico atual é favorável à CSN. especificamente no segmento da construção civil, um dos maiores setores consumidores de aço, onde o grande consumo é de vergalhões.

A maior parte da produção de vergalhões é originária das mini-mills, plantas que não possuem altos fornos e utilizam, principalmente, a sucata reciclada de aço como matéria prima nas aciarias elétricas.

Uma menor parcela da produção de vergalhões é obtida a partir de rota integrada principalmente a carvão vegetal, que produz ferro gusa em fornos de menor porte e, em seguida aço, nas aciarias. Estas duas rotas de produção são versáteis e de mais fácil operação, respondendo ainda mais rapidamente ao eventual aumento da demanda, como a que acontece no momento atual.

Presentemente, as plantas dos grupos siderúrgicos que produzem os vergalhões utilizados na construção civil – CSN, ArcelorMittal, Gerdau, Aço Verde Brasil, Sinobrás e SIMEC – estão em pleno funcionamento, com produções acima dos patamares pré-crise.

“A indústria brasileira do aço tem plena capacidade de atender a demanda do mercado doméstico, como já o tem feito, e assegura ser esta a sua maior prioridade”, garante em comunicado o Instituto Aço Brasil, que apresentou, na quinta-feira-feira (dia 1º) a revisão da previsão de fechamento dos dados para 2020, com a redução das expressivas quedas previstas anteriormente para a produção de aço bruto, vendas internas, exportações, importações e consumo aparente.

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