Nascido em Volta Redonda, o musicista Diego Caruso mostra que mesmo com todas as dificuldades, acreditar em um projeto e se dedicar pode levar ao reconhecimento. Há dez anos morando na Suíça, ele se tornou o primeiro contrabaixista da segunda orquestra de filme, a City Ligth Symphony Orchestra.

Caruso conquistou o lugar de solista e artista exclusivo para a gravação na frente da orquestra em uma das salas de concertos mais famosas e renomadas do mundo, o Centro Cultural e de Convenções KKL, em Lucerna. “Nasci e cresci em Volta Redonda e aos 12 anos, por impossibilidades financeiras da minha família, me matriculei e comecei a estudar no Colégio Getúlio Vargas. As tardes, antes ocupadas pelas aulas de natação, começaram então a serem ocupadas pelo estudo de música”, relembra ele, que conheceu o contrabaixo por meio de uma amiga.

Na unidade de ensino administrada pela Fevre, o contrabaixista chegou a ser monitor do projeto ‘Volta Redonda Cidade da Música’. “Recebi a chance, incentivo e ajuda de custos para ir ao Rio de Janeiro e começar a estudar com o professor Sandrino Santoro e, logo depois de um ano, eu já estava me preparando para fazer audição para a Orquestra Sinfônica Brasileira Jovem, a qual eu passei”, destaca.

Em 2002, Diego Caruso passou no vestibular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), iniciando o curso de bacharelado em Contrabaixo. Conciliando com os estudos, ele continuou atuando na OSB Jovem. Foi quando teve a oportunidade de participar de um curso em outro país.”Foi através da ajuda de amigos que pude participar de uma convenção mundial de contrabaixos, em 2004, na República Tcheca. Fiz diversos contatos com professores e assim que me formei parti para o país. Estudei por nove meses no conservatório de uma pequena cidade chamada Kromeriz”. conta.

O contato com os professores e as apresentações fizeram com que o volta-redondense conseguisse conquistar uma vaga em um curso de aperfeiçoamento na classe do Solista da Ópera de Paris, em 2008. “No mesmo ano fui admitido, após audições mundiais, e selecionado junto de outros 90 músicos para fazer parte do renomado festival de Schleswig Holstein, na Alemanha. Fui então, durante 2 meses, morar num castelo no norte de Alemanha e fazer parte da orquestra do tal festival, com tudo pago pelo governo alemão. Toquei nas mais importantes salas de concertos da Alemanha com solistas como Anne Sophie Mutter, Lang Lang, Christoph Eschenbach e outros”, detalha Caruso.

Já estabelecido na Europa, o músico tornou-se mestre em performance pela Faculdade de Lucerna, na Suíça, tendo a oportunidade de atuar, a partir de 2009, em uma das primeiras orquestras especializadas somente em música de filme no mundo, a 21st Century Symphony Orchestra.

Trajetória

O caminho até alcançar o sucesso na música não foi tão fácil, como conta Diego Caruso. “Minha trajetória parece muito bonita, porém eu tive muitas dificuldades para chegar e me estabelecer onde estou atualmente. Minha família nunca pode pagar as minhas despesas para estudar aqui e ali, e eu sempre tive o patrocínio de pessoas que apareceram no meu caminho”, afirma o músico. “Nunca tive dinheiro para comprar um instrumento próprio para mim, sempre usei das escolas onde passei ou de professores que me cediam os seus. E para pagar os meus cursos na Europa, trabalhei limpando casas de amigos, em restaurantes ou fazendo doces e vendendo nos intervalos da orquestra para os meus colegas de trabalho”.

Todas as dificuldades superadas, hoje são motivo de orgulho para Diego Caruso. “Eu me orgulho muito de ter feito, pois qualquer trabalho que seja digno e correto engrandece o ser humano para enxergar e valorizar a vida de outra forma e com outra perspectiva. O meu atual instrumento, feito pelo mesmo luthier que constrói instrumento da filarmônica de Berlim, Viena, foi comprado após eu juntar anos de dinheiro trabalhando num café durante as tardes que eu não tinha ensaio ou concertos”, finalizou.

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