26.9 C
V Redonda
terça-feira, fevereiro 17, 2026
Início Volta Redonda Neto não recebe trabalhadores da construção civil demitidos por falta de liberação...

Neto não recebe trabalhadores da construção civil demitidos por falta de liberação de novos projetos imobiliários

A demora da Prefeitura na liberação de alvarás de projetos de construção de conjuntos habitacionais em Volta Redonda provocou mais de 150 demissões no setor apenas no mês de julho. A postura do governo municipal causou revolta entre os trabalhadores da Construção Civil, que se reuniram na quarta-feira (dia 2) para uma manifestação em frente ao Palácio 17 de Julho. O grupo, em seguida, saiu em caminhada pelas ruas do bairro Aterrado.

Os mais afetados com as demissões são os funcionários da construtora Aceplan. A empresa alega ser alvo de “perseguição” por parte do poder público, que estaria impondo restrições que extrapolam a legalidade na liberação de autorização de projetos imobiliários.

A situação preocupa a cidade, que perde investimentos e empregos, além de impactar na arrecadação municipal. Único vereador presente no ato, Rodrigo Furtado (PSC) criticou a falta de garantia do direito ao trabalho por parte do município e apontou a Aceplan como exemplo, alegando que a Prefeitura não estaria aprovando os projetos imobiliários da construtora de forma intencional.

“É um absurdo a gente ver dezenas de trabalhadores pedindo pelo direito de trabalhar, o que deveria ser uma garantia que o Município deveria estar cumprindo, conforme consta na Constituição. A Aceplan está com vários projetos imobiliários, cumprindo todos os requisitos para fazer as obras, com crédito da Caixa já liberado”, ressalta o parlamentar.

Segundo Furtado, o prefeito Neto vem ferindo o princípio da impessoalidade e da moralidade. “Ele [Neto] cuida da cidade como se fosse dele, violando os preceitos constitucionais. Aqui se fala da dignidade da pessoa humana e do trabalhador. Não está se pedindo nada da prefeitura, apenas que possa deixar as pessoas trabalharem e empreenderem, gerar receita e desenvolvimento econômico para a cidade. Eu, como parlamentar e representante do povo, fico triste de ver um movimento pacífico na porta da prefeitura e ninguém do governo se pronunciar sobre esse assunto”, destaca Furtado.

O prefeito Neto (PP), como de costume, não se prontificou a receber em seu gabinete uma comissão representando os trabalhadores.

Sindicato

O presidente do Sindicato da Construção Civil de Volta Redonda, Zeomar Tessaro, expressou sua preocupação com as famílias dos trabalhadores que estão perdendo seus empregos, destacando que o emprego é essencial para a dignidade e sustento dos cidadãos. Zeomar ressaltou que o Sindicato não está preocupado com as adversidades políticas, mas sim com a manutenção dos postos de trabalho.

“A gente lamenta, pois perder em torno de 150 empregos na cidade é preocupante. A gente sabe que há uma legislação a cumprir por parte da empresa e cabe ao município avaliar. O que não pode é a briga política interferir neste processo. Perde o trabalhador, perde a população, perde a cidade. Nesses 150 empregos, se a gente for avaliar a média salarial, dá em torno de R$ 400 mil de perda mensal de valor aplicado na cidade”, pondera o líder sindical.

Por sua vez, o presidente da construtora Aceplan, Mauro Campos, afirmou que a empresa tem enfrentado “perseguição” por parte do poder público, que estaria impondo restrições ilegais na aprovação dos projetos imobiliários. Conforme a empresa, existem cinco projetos protocolados na prefeitura, com investimento total de R$ 333 milhões para a construção de 1.235 residências.

O projeto de habitação de interesse social, Jardim Mariana Safira, que beneficiaria famílias com renda familiar a partir de R$ 3 mil, está parado na Prefeitura desde novembro de 2020, gerando preocupação e incerteza para a população.

“O Jardim Mariana Safira é um projeto em área consolidada que receberia um investimento de R$ 36,4 milhões na cidade, beneficiando famílias com renda baixa, além de aquecer a economia local. No entanto, as constantes exigências da Prefeitura têm postergado a aprovação do empreendimento e afetado a vida dos trabalhadores e da população em geral”, destaca Mauro.

Nota da redação: A Folha do Aço questionou a secretaria de Comunicação sobre uma posição oficial da prefeitura de Volta Redonda em relação às alegações da construtora Aceplan. Também foi perguntado como a Prefeitura responde às acusações de restrições ilegais que estariam inviabilizando a liberação das autorizações.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.