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domingo, março 1, 2026
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PMVR apresenta projeto de restaurante popular exclusivo para servidores, mas descentralização pode limitar alcance

O subsolo do Palácio 17 de Julho, sede do governo municipal, poderá ganhar nova função nos próximos meses. O espaço, que já abrigou agências bancárias, do extinto Banerj ao Itaú, deve passar por reforma para sediar uma unidade do Restaurante do Servidor, voltada exclusivamente aos funcionários da Prefeitura de Volta Redonda.

Tratada como projeto piloto, a proposta começou a ser debatida formalmente na quarta-feira (25), quando representantes da Secretaria Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional (Sesan) se reuniram com o Sindicato dos Funcionários Públicos do Município para discutir a minuta de intenção do projeto.

Segundo a Sesan, a iniciativa não implicará perda de direitos. “O projeto é opcional. O funcionalismo não perderá qualquer direito adquirido. Pelo contrário, trata-se de uma ampliação de benefícios, fortalecendo um dos direitos básicos, o acesso à alimentação adequada e saudável”, informou a pasta. A secretaria acrescenta que a proposta está alinhada ao Plano Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional (Plamsan).

A expectativa é que entre 1.000 e 1.500 refeições sejam servidas diariamente. Estudos preliminares indicam que o servidor que optar pelo restaurante pagará entre R$ 4,90 e R$ 5,90 por refeição. O custo total será superior a essa quantia, sendo a diferença integralmente subsidiada pelo município.

Benefícios atuais entram no debate

Atualmente, os servidores da Prefeitura recebem auxílio-alimentação de R$ 350. Aposentados e pensionistas contam com cesta básica no mesmo valor. Entre os funcionários ouvidos pela reportagem, a avaliação é de que, antes da criação de uma nova estrutura física concentrada no bairro Aterrado, poderia ser discutida a ampliação do auxílio já existente.

“Hoje o auxílio é de R$ 350. Se há recurso para investir em reforma, estrutura e manutenção de restaurante, por que não aumentar esse valor? Isso beneficiaria todos, independentemente de onde trabalham”, afirmou um servidor da área administrativa, sob condição de anonimato.

Outro funcionário, lotado em unidade descentralizada, questiona a viabilidade prática da proposta. “Para quem está longe do Aterrado, fica difícil atravessar a cidade para almoçar. O tempo de deslocamento pesa.”

Sindicato defende exclusividade e alerta para deslocamento

Em contato com a Folha do Aço, o presidente do Sindicato dos Funcionários Públicos do Município, Ataíde de Oliveira, afirmou não se opor ao projeto, mas defende que o restaurante atenda exclusivamente a categoria, incluindo aposentados. “Sem penetra”, declarou. “É para quem realmente precisa, no caso os servidores públicos do município.”

O sindicalista, contudo, demonstrou preocupação com a situação de trabalhadores que atuam em repartições distantes do Aterrado. “Na reunião com os representantes da Prefeitura, expressei minha preocupação com a questão do deslocamento dos nossos servidores. Quem for de carro terá custo com combustível, e quem for de ônibus terá gasto com passagem. O restaurante pode acabar causando mais despesas do que benefícios à categoria”, observou.

Proximidade com o Restaurante Popular

A menos de um quilómetro do local sugerido para o Restaurante do Servidor funciona o Restaurante Popular, na Avenida da Integração, também no Aterrado. O espaço oferece atualmente 1.500 refeições diárias no almoço e 600 no café da manhã. Usuários em geral pagam R$ 3,50 pelo almoço e R$ 1,50 pelo café da manhã. Beneficiários de programas sociais, como Bolsa Família e BPC, pagam R$ 2 pelo almoço, sendo reservadas 350 refeições desse total. Frequentadores do Centro POP têm gratuidade, com 150 refeições disponibilizadas no almoço e no café da manhã.

Desde 29 de setembro de 2025, o Restaurante Popular passa por reforma estrutural. Segundo o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Volta Redonda, a obra tem custo superior a R$ 3,1 milhões e deve ser concluída no final de março. As intervenções incluem modernização da cobertura, atualização das instalações elétricas e hidrossanitárias, nova climatização, reforma de sanitários, adequações de acessibilidade e reformulação visual da fachada, entre outras melhorias.

A proximidade entre as duas estruturas e a diferença nos valores cobrados ampliam o debate sobre racionalização de recursos públicos e o modelo mais eficiente para atender o funcionalismo municipal.

Segurança

A escolha do local, situado no térreo do antigo imóvel da sede da Prefeitura, também passou a ser alvo de questionamentos internos. Servidores ouvidos pela reportagem apontam que, neste primeiro momento, não foram apresentados detalhes técnicos sobre a instalação de uma cozinha industrial no espaço, estrutura que exige adequações específicas de ventilação, exaustão, rede de gás, energia elétrica e sistemas de prevenção contra incêndio. Segundo esses relatos, a adaptação do ambiente poderá demandar intervenções estruturais significativas para garantir segurança e conformidade com as normas vigentes.

Logística, impacto financeiro e escolha política

Embora o governo trate a iniciativa como ampliação de benefício, ainda não foram detalhados publicamente os custos da reforma no subsolo do Palácio 17 de Julho, o modelo de gestão da nova unidade nem o impacto orçamentário mensal do subsídio das refeições.

Entre servidores e representantes sindicais, cresce a comparação com alternativas como o reajuste do auxílio-alimentação ou a implantação de cartão específico, o que poderia ampliar o alcance do benefício, movimentar o comércio local e evitar concentração em um único ponto da cidade.

Por ora, o debate permanece aberto. Entre a criação de uma nova estrutura física e o reforço direto no contracheque, a decisão envolverá não apenas planejamento técnico, mas também uma definição política sobre qual modelo atende de forma mais ampla e equilibrada o conjunto do funcionalismo municipal.

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