Um procedimento em andamento no Ministério Público Federal pode ampliar o nível de proteção ambiental da Floresta da Cicuta, em Volta Redonda. A proposta em análise prevê a recategorização da unidade como área de proteção integral, modelo de conservação que restringe o uso direto dos recursos naturais e prioriza a preservação dos ecossistemas.
O tema foi citado durante uma vistoria técnica realizada na quarta-feira (dia 5) pelo procurador da República Jairo da Silva, que percorreu diferentes pontos da cidade associados ao depósito e à movimentação de resíduos siderúrgicos. Durante cerca de três horas, o procurador e técnicos do MPF visitaram a área de amortecimento da Floresta da Cicuta, seguiram pela Rodovia do Contorno e passaram por locais nos bairros Brasilândia, São Luiz e Volta Grande IV. Nas proximidades do bairro São Luiz, a equipe também esteve em áreas próximas ao córrego Ribeirão do Inferno.
Segundo o MPF, a inspeção teve como objetivo observar em campo situações relacionadas a investigações e ações judiciais que tratam do armazenamento e da movimentação de materiais provenientes da atividade siderúrgica no município.
Área estratégica
A Floresta da Cicuta está fechada ao público desde o ano 2000 e é considerada um dos últimos fragmentos remanescentes de Mata Atlântica do estado do Rio de Janeiro. A área, pertencente à Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), possui cerca de 131 hectares e abriga espécies da fauna e da flora ameaçadas de extinção.
Atualmente classificada como Área de Relevante Interesse Ecológico (ARIE), a unidade poderia passar a integrar o grupo de áreas de proteção integral previsto pelo Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza, instituído pela Lei nº 9.985.
Esse modelo de unidade de conservação tem como objetivo manter os ecossistemas com o mínimo possível de interferência humana, permitindo apenas usos indiretos, como pesquisa científica, educação ambiental e turismo controlado.
Diálogo com moradores
Ao final da vistoria, o procurador da República Jairo da Silva informou que pretende retornar às áreas visitadas e realizar uma reunião com moradores do bairro Volta Grande IV para discutir os encaminhamentos do caso. A visita contou com a participação de representantes da Comissão de Moradores de Volta Grande IV e do Movimento Ética na Política de Volta Redonda (MEP-VR), que acompanham discussões sobre impactos ambientais no município.












































