Quem pretende solicitar passaporte nos próximos dias pode enfrentar dificuldades. A Polícia Federal suspendeu, na quinta-feira (dia 19), os serviços de agendamento para emissão de passaportes e atendimentos relacionados a Colecionadores, Atiradores e Caçadores (CACs) na delegacia de Volta Redonda.
A medida acompanha decisão semelhante tomada pela maioria das unidades da corporação em todo o país. Também foram interrompidos os agendamentos para processos de autorização de compra de armas e concessão de porte.
De acordo com comunicado interno, cidadãos que já possuem passaportes prontos poderão realizar a retirada normalmente. Situações consideradas urgentes continuam sendo avaliadas pelos setores responsáveis, enquanto, na área investigativa, apenas casos emergenciais seguem em andamento.
Paralisação
Segundo informações da categoria, a suspensão dos atendimentos deve permanecer até que o Governo Federal encaminhe uma medida provisória ao Congresso Nacional. A urgência está relacionada ao calendário legislativo em ano eleitoral, cujo prazo para votação de medidas provisórias se encerra no início de abril.
A paralisação ocorre em meio a um cenário de mobilização interna na corporação. Em carta aberta enviada ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no final de janeiro, o presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), Edvandir Paiva, apontou desafios estruturais enfrentados pela instituição no combate ao crime organizado.
Segundo o documento, a estratégia atual da PF tem como foco a descapitalização das organizações criminosas, considerada essencial para enfraquecer suas atividades. Ainda assim, a entidade afirma que a corporação enfrenta limitações de pessoal e recursos.
Dados apresentados pela associação indicam que, em 2024 e 2025, a Polícia Federal recuperou cerca de R$ 6,9 bilhões e R$ 9,5 bilhões, respectivamente, provenientes de atividades ilícitas. No mesmo período, foram instaurados mais de 44 mil inquéritos, com índice de solução de 85,5%, além da realização de mais de 3.700 operações e mais de 9 mil prisões em flagrante.
Saída de delegados
Apesar dos resultados, a ADPF afirma que a carreira de delegado tem perdido atratividade. Nos últimos três anos, 104 novos delegados ingressaram na instituição, enquanto 50 deixaram o cargo para assumir outras funções públicas.
Para a entidade, a falta de valorização e as diferenças de condições de trabalho em comparação com outras carreiras jurídicas têm contribuído para o esvaziamento da função.
Como alternativa, a associação defende a criação do Fundo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (FUNCOC), proposta apresentada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. O projeto prevê a destinação de recursos provenientes de bens apreendidos do crime organizado para financiar investigações, modernização tecnológica e valorização profissional.
Enquanto não há definição sobre a proposta, a suspensão dos serviços administrativos segue impactando diretamente a população, especialmente cidadãos que aguardavam agendamento para emissão de passaportes ou regularização de processos relacionados a armas de fogo.












































