Samuca vai protocolar pedido de celeridade na investigação de suposto desvio de verba da saúde na gestão Neto

Passados quase sete anos do surgimento dos primeiros indícios do desvio de aproximadamente R$ 1 milhão da verba de Gratificação de Incentivo ao Desempenho (GID), da prefeitura de Volta Redonda, as investigações ainda não foram concluídas. Diante disso, e do dano ao erário público que pode ter sido gerado em 2012 (gestão do ex-prefeito Antônio Francisco Neto), o prefeito Samuca Silva (PSDB) irá pedir ao Ministério Público Federal celeridade na investigação.

A denúncia do desvio dos recursos do governo federal, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), repassados ao Palácio 17 de Julho, veio à tona em dezembro de 2012. Nenhuma pessoa foi presa. O que se sabe até agora é que a verba desviada não foi devolvida aos cofres públicos.

Segundo relatos, apenas cinco funcionários do departamento de Recursos Humanos da SMS foram afastados, à época do início das investigações. Informações apontam que eles estariam incluindo nomes indevidamente na lista de pessoas autorizadas a receberem a GID, um benefício pago trimestralmente aos servidores do órgão por cumprimento de metas.

Uma dessas pessoas, temendo represaria, teria se mudado do país. Confirmada a gravidade dos fatos, os autores da fraude podem responder pela prática de crime de peculato e de formação de quadrilha, com penas que vão de 2 a 12 anos de reclusão no primeiro caso, e de 1 a 3 anos no segundo. Além de improbidade administrativa, com penas de perda do cargo, multa, suspensão dos direitos políticos e indenização integral.

A população segue aguardando o desfecho do caso e a punição dos envolvidos. Em contato com a reportagem da Folha do Aço, em 2018, o Ministério da Saúde esclareceu que não faz o pagamento de salário ou outros benefícios a servidores que atuam em unidades hospitalares municipais ou estaduais, sendo esta responsabilidade do gestor local.

“Cabe ressaltar que a pasta repassa recursos, mensalmente, aos estados e municípios para o custeio e investimento dos serviços de saúde próprios e contratados pelas secretarias estaduais e municipais de saúde, a quem competem gerenciar a verba e distribuir para a rede de saúde conveniada para execução dos serviços”, destaca a nota.

De acordo com o MS, as transferências realizadas pela pasta utilizam critérios populacionais e epidemiológicos, adesão a programas, além de estarem, em boa parte, condicionados à existência e prestação de serviços no território municipal. São efetuadas em seis blocos: Atenção Básica, Média e Alta Complexidade, Vigilância em Saúde, Assistência Farmacêutica, Gestão do SUS e Investimento.

El-Hage foi procurador em VR e atualmente coordena a Lava Jato

Em 2014, o procurador federal Eduardo El Hage, atual coordenador da operação Lava Jato no Rio de Janeiro, em entrevista à Folha do Aço afirmou que existiam provas consideráveis quanto ao desvio de verba e que, para não haver duplicidade no processo de investigação, o caso está nas mãos da Polícia Federal, que tem maior estrutura.

“Para não ficarmos tomando depoimento em duplicidade, decidimos deixar a cargo da polícia federal, e com base no que eles concluírem no inquérito policial, nós vamos entrar com a ação penal e Ação Civil Pública de improbidade. Mas há tantas provas robustas que acho que esse será o desfecho”, informou El-Hage.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.