Uma disputa política e jurídica envolvendo uma cadeira na Câmara Municipal de Volta Redonda colocou em lados opostos os diretórios locais do PT e do PSB. No centro da polêmica está o vereador Raone Ferreira, que deixou recentemente o PSB, partido pelo qual foi reeleito em 2024, para se filiar ao PT, onde também se apresenta como pré-candidato a deputado estadual.
A mudança partidária levou o PSB a ingressar na Justiça Eleitoral com uma ação para tentar garantir a manutenção de duas cadeiras da legenda no Legislativo municipal. Em nota, o partido afirma que a medida busca respeitar a vontade dos mais de 11 mil eleitores que votaram na sigla nas últimas eleições proporcionais.
Segundo o diretório municipal do PSB, o entendimento da Justiça Eleitoral no sistema proporcional é de que o mandato pertence ao partido, e não ao candidato. Com base nisso, a legenda solicita a posse imediata do primeiro suplente na vaga atualmente ocupada por Raone Ferreira.
“O dever do partido é garantir aos eleitores o mandato de dois parlamentares da legenda, conforme a vontade expressa nas urnas”, diz trecho da nota oficial.
Vereador fala em perseguição política
Por outro lado, Raone Ferreira reagiu duramente à iniciativa do PSB e classificou a ação como uma tentativa de cassação política de seu mandato. O posicionamento do parlamentar foi divulgado nesta sexta-feira (dia 1º).
O vereador afirma que sua saída do partido ocorreu com anuência da direção nacional da legenda, presidida por João Campos.
Raone sustenta que a mudança partidária tem respaldo constitucional, citando a Emenda Constitucional nº 111/2021, e acusa o diretório local do PSB de agir sem autorização da executiva nacional.
Na manifestação pública, ele também atribui a ofensiva a interesses políticos locais e à sua pré-candidatura a deputado estadual.
“O que está por trás disso é uma ação política. Querem o meu mandato porque sabem que nossa pré-candidatura cresce dentro e fora da região”, afirmou.
Ele ainda aponta que integrantes do diretório municipal e o suplente estariam ligados a um grupo político específico dentro do partido, o que, segundo ele, evidenciaria tentativa de fortalecimento interno.
Aliança nacional contrasta com conflito local
A disputa em Volta Redonda chama atenção por ocorrer entre dois partidos historicamente aliados no campo progressista. PT e PSB integram a base de apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e mantêm articulações conjuntas em diversos estados.
Raone Ferreira argumenta que sua filiação ao PT não rompe esse alinhamento político mais amplo e menciona acordos nacionais entre as siglas, inclusive com apoio mútuo em disputas estaduais.
Já o PSB local sustenta que a questão é estritamente legal e ligada à fidelidade partidária, sem relação com alianças nacionais.
Decisão caberá à Justiça Eleitoral
O caso agora será analisado pela Justiça Eleitoral, que deverá decidir se o mandato permanece com o vereador ou se retorna ao partido por meio da convocação do suplente.
Enquanto isso, o episódio expõe um racha político em Volta Redonda e antecipa um cenário de disputa mais acirrada na esquerda da Cidade do Aço, especialmente com a proximidade das eleições estaduais de 2026.










































