A crise provocada pela pandemia do novo coronavírus alterou o planejamento de multinacionais com atividades no Brasil. Um dos setores atingidos foi o automotivo. Montadoras chegaram a suspender a produção e estão revendo investimentos para 2020 e os próximos anos. 

Na esteira dos acontecimentos recentes, o Sul do Estado acompanha com apreensão cada sinalização do mercado. Afinal, a região concentra o polo automotivo das Agulhas Negras, com fábricas instaladas nas cidades de Porto Real, Resende e Itatiaia. 

Uma dessas empresas é a Nissan, que está com a produção suspensa até o próximo dia 22. Indagado sobre os rumores do possível fechamento da fábrica de Resende, o presidente no Brasil da empresa, Marco Silva, disse que não comenta sobre o que acontecerá no futuro, mas afirmou que a montadora apresentará até o fim deste mês, um novo plano estratégico para os próximos anos. Segundo ele, o país está incluído nesses projetos de médio e longo prazo.

“A gente não comenta agora nada que vai acontecer no futuro, só que existe um plano global da marca a ser divulgado agora, no fim de maio, que inclui o Brasil e a América Latina em um planejamento de médio e longo prazo. Existe o lado especulativo agora, e a gente precisa tomar cuidado”, afirmou Silva em participação na live do jornal O Tempo, na terça-feira (dia 5).

A respeito de novos investimentos, o presidente da Nissan é sincero ao afirmar ser inevitável que a pandemia provoque reflexos. Marcos Silva falou, inclusive, sobre a manutenção de postos de empregos. A montadora tem 2.500 funcionários na fábrica brasileira.

“Há impacto nos produtos futuros, não só no Brasil, mas o Japão e os EUA têm sofrido também, assim como México e China. A empresa como um todo está sendo impactada e vai haver reflexo em alguns investimentos. Com relação aos empregos, é muito claro: temos uma grande responsabilidade com a saúde das pessoas e temos trabalhado de forma consciente e responsável sobre como lidaremos com isso no futuro. Queremos que o mercado volte no Brasil. Estamos mantendo todos os empregos e aproveitando a Medida Provisória (MP 936/2020), trabalhando com o ‘lay-off’ e tivemos que trabalhar com redução de jornada de alguns trabalhadores. Isso foi estendido até o dia 22 de maio”, explicou.

Marco Silva também comentou sobre as consequências da crise do coronavírus na Nissan, no momento em que a empresa completa 20 anos no Brasil e seis anos desde que instalou a fábrica em Resende.

“É um momento importante para a Nissan no Brasil. A pandemia traz impacto para todos, mundialmente e ainda mais para o nosso país, que está voltando da crise de 2015 e 2016. Neste momento de retomada, viemos com uma redução drástica da indústria automobilística no Brasil. Os impactos são vários e estamos convivendo com eles”, opinou.

A Nissan prepara o lançamento do Versa, vindo do México. Marco Silva confirmou que a crise do coronavírus vai atrasar esse cronograma. Ele também respondeu se essa nova versão “aposenta” a que é atualmente vendida no Brasil. 

“A nossa ideia sempre foi manter os dois carros no mercado, porque há o segmento B, em que sedans como o Versa atual com um nome forte no mercado, e o novo competiria com outras marcas em um segmento que ainda está crescendo. Nossa história mostra que temos uma forma muito clara de ver o mercado e entendemos que esse mercado vai continuar crescendo. Temos controle dos nossos fornecedores e do pessoal que trabalha na planta de Resende, mas o problema é que um produto novo, vindo do México, está sendo impactado por fornecedores, pelo parque de desenvolvimento de peças e pela paralisação da planta do México. Vai haver atraso dos nossos planos”, projeta.

Sobre os planos de retomada da produção, o presidente da Nissan respondeu na live se a pandemia adia investimentos no país. 

“O impacto é gigante, principalmente no fluxo de caixa, no curto prazo. Há um fluxo de entrada interrompido e continua tendo que fazer pagamentos. Toda indústria é impactada por isso. Os investimentos seriam feitos baseados em entradas vindas da matriz e com fundos próprios do Brasil, mas essa ideia se encerrou com a pandemia. Há impacto nos nossos investimentos e programas, e vamos refazê-los conforme o andamento da pandemia, da melhoria do mercado e do país”, concluiu Marco Silva.

O panorama segue de incerteza para trabalhadores da Nissan de Resende e de todas as outras montadoras do Sul Fluminense. Tempos difíceis.

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