A juventude será representada nas eleições de Volta Redonda deste ano por uma cara completamente nova da habitual no cenário político do município. A professora e mestre em História Juliana Pereira de Carvalho é aposta do PSOL para concorrer ao Palácio 17 de Julho.
Filiada desde 2007 ao Partido Socialismo e Liberdade, a pré-candidata de 35 anos é mãe de dois filhos e tem na origem na periferia da cidade a experiência de superar obstáculos. Foi assim que a ex-aluna do Colégio Estadual Santos Dumont, no bairro Niterói, construiu sua trajetória até concluir o mestrado na Universidade Rural Federal Rural do Rio de Janeiro (UFFRJ).  

Professora concursada no Estado e na rede pública municipal de Barra Mansa, Juliana Pereira agora mira outro desafio: a disputa pelo comando da maior prefeitura do Sul Fluminense. Ela não esconde que o desafio assusta, mas não o suficiente para intimidá-la. A confiança, segundo a historiadora, vem dos projetos que seu grupo tem para apresentar na campanha. “É assustador para qualquer pessoa, mas não me vejo sozinha. O caráter de construção da nossa pré-candidatura é coletivo. O PSOL, na verdade, é um partido diferente. A gente discute política o ano inteiro”, afirmou.

De origem simples, a neta de pedreiros que desembarcaram na cidade ainda na fase de construção, revela que a política sempre fez parte da sua vida. “A minha porta de entrada foi no Movimento Negro, em 2004”, orgulha-se. Foi no projeto que ela começou a militar em causas em defesa dos negros, contra a homofobia e em defesa dos menos favorecidos. “A participação da mulher na política do dia a dia é fundamental. Seria ótimo muitas mulheres se colocando com candidatura. Tem que pensar no processo de libertação como um todo”, destaca.

A pré-candidata tem na ponta da língua a resposta quando questionada sobre a primeira medida que tomará caso venha a ser a primeira mulher eleita pelas urnas em Volta Redonda. “Vou me debruçar sobre a Educação, porque escola não é só conteúdo, é afeto. É preciso discutir um novo protocolo para o trato no terreno pedagógico, como no sanitário pós-pandemia”, pontua.

Juliana Pereira também se preocupa com a sobrecarga doméstica das mulheres, dividida com a educação dos filhos. O aumento nos índices de violência contra a mulher é outro assunto observado por ela. “Na minha vida, tracei um caminho individual, sem abrir mão da luta coletiva. Talvez seja por isso que o partido me escolheu como pré-candidata”, analisou.

Como proposta para Volta Redonda, a jovem militante do PSOL pretende lutar pela melhoria na qualidade da alimentação oferecida aos alunos da rede pública. Outros projetos que serão defendidos na disputa pela prefeitura são a implantação na esfera municipal do “DesencatracaVR”, que visa a administração municipal assumir integralmente a gestão do transporte coletivo.

“A ideia é transformar todo transporte público em gratuito. A gente [partido] fez um estudo mostrando que com o dinheiro repassado pela prefeitura e pela iniciativa privada referente ao vale-transporte, mais uma participação, como da administração própria do estacionamento rotativo, é possível custear o transporte público de forma gratuita para a população. Além disso, a proposta é que a frota seja toda elétrica, reduzindo a poluição, inclusive a sonora”, exemplificou. 

Aliança

Na entrevista exclusiva à Folha do Aço, a pré-candidata do PSOL também fez uma breve análise sobre a gestão do prefeito Samuca Silva (PSC). “Na verdade, o que faz um político é a representatividade. Não adianta ser bom gestor, se não tem participação de todos”, disse Juliana Pereira.

Com cerca de 200 filiados em Volta Redonda, o PSOL, assim como o PCdoB, não descarta uma aliança com os demais partidos da esquerda. Juliana Pereira porém entende que o momento é de viabilizar ações para transformar a cidade. “Existe uma conversa com alguns partidos, só isso que posso dizer neste momento”, conclui a pré-candidata.    

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