Agentes da Guarda Municipal de Volta Redonda (GMVR) realizam, na manhã desta segunda-feira (dia 9), uma manifestação em frente à sede da corporação, na Ilha São João. O ato acontece justamente no dia em que a Guarda completa 71 anos de criação e tem como pauta principal a cobrança por melhores salários, valorização profissional e condições dignas de trabalho.
Criada em 9 de fevereiro de 1955, a Guarda Municipal é uma das instituições mais antigas do município e chegou a ser, em determinado período, a única força policial da então recém-emancipada Barra Mansa. Hoje, a GMVR conta com mais de 160 agentes, patrulhas especializadas – como Maria da Penha e Proteção ao Idoso – e Unidades de Guarda Comunitária (UGCs), sendo considerada uma referência estadual na área de segurança pública.
Apesar da data simbólica, os guardas afirmam que o momento é de insatisfação. A concentração do protesto foi marcada para as 9h, na sede da GMVR, com caminhada prevista até o Palácio 17 de Julho, sede do governo municipal. Segundo a categoria, o descontentamento é antigo, mas se agravou nos últimos anos.
“Praticamente não tem mais Guarda. Uns estão se aposentando, outros fazem concurso e saem”, relatou um agente com quase 20 anos de corporação. Outro ponto levantado é a precariedade da frota. “Não temos viaturas para andar; praticamente todas estão sucateadas. Enquanto isso, na Ordem Pública, só tem carro zero quilômetro”, afirmou.
A diferença no valor do Regime Adicional de Serviço (RAS) também é alvo de críticas. Enquanto policiais civis recebem R$ 604,85 por 12 horas de plantão, guardas municipais recebem cerca de R$ 207 pelo mesmo período. Além disso, agentes apontam que cargos comissionados da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Semop) recebem salários superiores aos de servidores concursados, o que amplia a sensação de desvalorização.
A insatisfação aumentou após a assinatura de um convênio entre a Prefeitura de Volta Redonda e a Polícia Civil, no último dia 2. O acordo prevê mais de 90 vagas mensais de RAS para reforçar o efetivo da 93ª DP e da Deam. Embora o governo municipal destaque o investimento como fortalecimento da segurança pública, os guardas avaliam que a medida evidencia desigualdade de tratamento entre as forças de segurança.
Diante desse cenário, a categoria articula a criação de uma associação para evitar que reivindicações como a implantação do Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS), reajuste salarial e melhorias estruturais fiquem restritas a discursos oficiais.
Discurso oficial
O protesto ocorre poucos dias após o prefeito Antonio Francisco Neto (PP) afirmar, em entrevista, que a Guarda Municipal é uma referência e que o trabalho da corporação é “aplaudido por todos”. Para os agentes, no entanto, há um distanciamento entre o discurso e a prática.
Enquanto os guardas protestam, a Prefeitura de Volta Redonda divulgou nota celebrando os 71 anos da GMVR, destacando investimentos superiores a R$ 12 milhões desde 2021, incluindo aquisição de veículos, equipamentos, uniformes, pagamento de horas extras, ingresso de novos agentes e a modernização da sede da corporação. O governo municipal também ressaltou que a Guarda é “a corporação mais próxima da comunidade” e peça-chave nos bons índices de segurança da cidade.
Mesmo com os investimentos anunciados, os agentes afirmam que a manifestação simboliza um alerta: a de uma corporação histórica que completa mais de sete décadas cobrando reconhecimento efetivo, estrutura adequada e valorização compatível com as responsabilidades que exerce diariamente.












































