A Polícia Civil investiga a morte de uma recém-nascida registrada no dia 5 de fevereiro no Hospital São João Batista (HSJB), unidade da rede pública de Volta Redonda. O caso foi registrado por familiares na manhã da última segunda-feira (dia 2), na 93ª Delegacia de Polícia de Volta Redonda, com suspeita de possível erro médico durante o parto e no atendimento prestado à bebê após o nascimento. O caso foi inicialmente classificado como homicídio culposo, quando não há intenção de matar.
De acordo com o Registro de Ocorrência nº 093.02445/2026, a mãe da criança, de 22 anos, compareceu à delegacia para relatar dúvidas sobre a condução dos procedimentos adotados pela equipe médica durante o trabalho de parto e no atendimento prestado à recém-nascida. Segundo o documento, o parto foi realizado no próprio HSJB. Após o nascimento, a bebê teria apresentado complicações clínicas e foi encaminhada à Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da unidade hospitalar, mas não resistiu. O sepultamento ocorreu no fim da manhã do dia seguinte (6 de fevereiro), no Cemitério Municipal do Retiro.
Ainda conforme o registro policial, a família questiona tanto as condutas adotadas durante o trabalho de parto quanto a assistência prestada à recém-nascida e as informações repassadas pela equipe médica após o óbito.
Família diz que tentou diálogo antes de procurar a polícia
O avô da criança, Moisés de Andrade, afirmou que os familiares buscaram esclarecimentos junto à direção do hospital antes de registrar a ocorrência. Segundo ele, houve uma reunião inicial com a administração da unidade, que contou com a participação do vice-prefeito Sebastião Faria (PL), mas novos encontros prometidos posteriormente não teriam ocorrido.
“Concordo plenamente em ouvir os dois lados, porque na verdade existem três verdades: a que eu conto, a que eles irão contar, e o que realmente é verdade. E era isso que eu busquei o tempo todo, entender com o [Sebastião] Faria e com a médica o que realmente aconteceu com minha filha e minha neta. E por isso busco outra alternativa, pois se entre as partes envolvidas não consegue o mínimo de um diálogo sobre uma fatalidade dessa, onde todos perdemos, não me deixou outra alternativa a não ser esta”, afirmou.
Moisés relatou que aguardava uma reunião envolvendo a mãe da criança, familiares, a médica responsável pelo parto e representantes da direção do hospital.
“Eu confesso que não sei o porquê o senhor Faria, de um diálogo na sua sala, onde fui muito bem recebido, foi categórico em afirmar que iria fazer uma reunião entre minha filha, minha esposa, a médica e ele, pois tinha prometido à minha filha, e depois não atender mais meus telefonemas”, disse.
Impacto na família
O avô destacou ainda o impacto emocional causado pela morte da recém-nascida e afirmou que a família busca respostas sobre o que ocorreu durante o atendimento. “Eu sou pequeno para brigar com ele e com toda a máquina pública. Confesso que não queria partir para esse lado, mas ver minha filha, minha esposa e meu genro chorando pelos cantos com essa perda e com as dúvidas me obriga a ir para cima, sem medir as consequências. Além da perda da neném, as nossas vidas estão de cabeça para baixo”, disse.
Segundo ele, o genro, que é militar, precisou ser afastado temporariamente do trabalho após acompanhamento psicológico na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), em Resende. “Minha neta não vai voltar, mas preciso de respostas para tentar ajudar minha filha. É só o que quero. Ela está totalmente descontrolada, e isso nos preocupa. O futuro dela pode piorar”, concluiu Moisés de Andrade.
Investigação
O caso está em fase inicial de apuração pela Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro. A investigação deverá analisar o prontuário médico, ouvir os profissionais envolvidos no atendimento e colher depoimentos de familiares, além de solicitar perícias e laudos técnicos para verificar se houve falha no atendimento ou eventual negligência. Até o momento, não há conclusão sobre eventual responsabilidade médica.
Hospital se manifesta
Em nota enviada à Folha do Aço, na noite de quinta-feira (dia 5), o Hospital São João Batista informou que abriu um procedimento interno para apurar o caso e lamentou o falecimento da recém-nascida. Leia a íntegra da manifestação:
“O Hospital São João Batista lamenta profundamente o falecimento de um recém-nascido ocorrido nas dependências da maternidade da unidade. Neste momento de dor, a instituição se solidariza com os familiares e manifesta seu respeito e apoio à família.
Referência em atendimento materno-infantil no Sul Fluminense, o Hospital São João Batista registra, em média, 1.800 nascimentos por ano e mantém equipes especializadas dedicadas ao cuidado com gestantes e recém-nascidos.
Quisera Deus que todos pudessem estar vivos e bem de saúde. Infelizmente, a realidade das maternidades, todas elas, não é essa.
Como ocorre em toda situação dessa natureza, o hospital abriu imediatamente um procedimento interno para apuração dos fatos. Trata-se de um protocolo padrão adotado pela instituição sempre que há qualquer intercorrência, com o objetivo de analisar, de forma técnica e responsável, todas as circunstâncias envolvidas.
Em respeito à família e também aos profissionais que atuaram no atendimento, o hospital entende que este é um momento que exige serenidade e responsabilidade. Por esse motivo, a instituição se resguarda de fazer comentários adicionais enquanto os fatos são devidamente apurados pelos canais competentes.
O Hospital São João Batista reafirma que, caso qualquer irregularidade venha a ser identificada ao longo da investigação, todas as medidas cabíveis serão adotadas.
Neste momento, a prioridade é garantir o respeito, a sensibilidade e o cuidado necessários diante de uma situação tão delicada.”











































