Volta Redonda encerrou 2025 com o pior desempenho na geração de empregos formais dos últimos cinco anos. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram que o município registrou saldo negativo de 1.260 vagas no ano, resultado de 34.047 admissões contra 35.307 demissões.
Desde 2020, no auge da pandemia da Covid-19, a cidade não apresentava retração na geração de empregos com carteira assinada. O resultado interrompe uma sequência de recuperação observada nos anos anteriores.
Reversão após forte alta em 2024
O contraste com 2024 é expressivo. No ano anterior, Volta Redonda havia encerrado o período com saldo positivo de 4.508 postos formais, indicando expansão consistente do mercado de trabalho. A reversão em 2025 não apenas anulou o avanço recente, como colocou o município na contramão da maioria das cidades do entorno.
Na comparação regional, a Cidade do Aço teve o pior desempenho do Sul Fluminense. Barra Mansa fechou o ano com saldo positivo de 509 vagas. Resende registrou 132 novos empregos formais. Angra dos Reis apresentou resultado expressivo, com 3.801 vagas criadas.
Também encerraram o ano no azul Valença (592 vagas) e Três Rios (482). A única outra cidade da região com saldo negativo foi Piraí, com perda de 99 postos.
No cenário estadual, o Rio de Janeiro fechou 2025 com saldo positivo de 100.920 empregos formais, mantendo crescimento no estoque total de trabalhadores com carteira assinada.
Queda no estoque e retração de 3,7%
Ao final de 2025, Volta Redonda contabilizava 80.859 vínculos formais ativos. O número representa uma retração aproximada de 3,7% em relação ao estoque anterior, recuo significativo para um município de porte médio e com forte dependência industrial.
Para economistas, a queda no estoque é um sinal mais preocupante do que oscilações mensais. “Quando há redução no estoque total, não se trata apenas de uma variação pontual entre admissões e demissões, mas de encolhimento efetivo da base de trabalhadores empregados”, explica o economista Marcelo Tavares.
Indústria concentra dois terços das perdas
A análise setorial revela forte concentração das perdas na indústria. O segmento fechou 839 postos de trabalho, o equivalente a cerca de dois terços de todo o saldo negativo do município no ano.
A construção civil perdeu 281 vagas, enquanto o setor de serviços encerrou 342 postos. Apenas o comércio apresentou desempenho positivo, com 195 novas vagas, e a agropecuária registrou leve alta de sete empregos.
A forte presença da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e da cadeia metal-mecânica mantém a economia local altamente concentrada na indústria de base. Oscilações na produção, ajustes operacionais ou redução de investimentos no setor costumam produzir impacto direto nos indicadores de emprego da cidade.
“Volta Redonda tem uma estrutura produtiva menos diversificada que municípios como Resende. Quando a indústria reduz contratações ou passa por ajustes, o efeito é mais intenso”, afirma Tavares.
Impacto direto na vida dos trabalhadores
Os números se traduzem na rotina de trabalhadores como Carlos Henrique Almeida, de 42 anos. Após mais de uma década atuando como operador de produção, ele foi desligado no primeiro semestre de 2025.
Desde então, busca recolocação no mercado formal enquanto realiza trabalhos informais para complementar a renda da família. “A gente nunca espera que vai acontecer, mas quando acontece percebe como está difícil voltar, ainda mais aqui na cidade e na minha profissão”, relata.
Perspectivas para 2026
A expectativa para 2026 está ligada à retomada de investimentos industriais e à consolidação de projetos anunciados para a região, incluindo ampliações produtivas e novos empreendimentos comerciais. Caso avancem dentro do cronograma previsto, poderão influenciar positivamente o ritmo de contratações.
Ainda assim, o resultado de 2025 acende um sinal de alerta sobre a resiliência do mercado formal local. Se a retração representa apenas um ajuste pontual após a forte alta de 2024 ou o início de um ciclo mais prolongado de desaceleração dependerá, em grande parte, da capacidade de diversificação econômica do município.
Os próximos relatórios do Caged indicarão se Volta Redonda retomará a trajetória de crescimento ou enfrentará um período mais desafiador no mercado de trabalho formal.












































