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terça-feira, fevereiro 17, 2026
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Marino Clinger eternizado na história de Volta Redonda

Volta Redonda perdeu nesta semana um dos personagens mais ilustres de sua história política. O ex-prefeito de Volta Redonda, Marino Clinger, morreu na quarta-feira (dia 26), aos 88 anos, em decorrência de falência múltipla dos órgãos. Ele estava internado no Hospital Unimed e seu corpo foi sepultado no Portal da Saudade.

Nascido em 16 de outubro de 1933, Marino Clinger Toledo Netto formou-se em medicina. Além do ofício de cuidar das crianças, como pediatra que foi, o mineiro da cidade de Manhuaçu desde jovem chamou a atenção por defender causas de interesse da sociedade.

Esta característica o levou a aceitar o desafio de ingressar na carreira política. Em 1982, Dr. Clinger, como era conhecido, elegeu-se vereador na legenda do Partido Democrático Trabalhista (PDT) com mais de seis mil votos – número este que até hoje não foi superado. Em 1985, ainda vereador, foi eleito prefeito de Volta Redonda pela mesma sigla, governando a cidade em um mandato “tampão” de três anos. Clinger foi o primeiro chefe do Executivo a administrar o município depois de o município ser considerado área de segurança nacional.

Voltou ao cenário político em 1990 concorrendo a uma vaga na Câmara dos Deputados. Eleito primeiro suplente da lista de candidatos pedetista, assumiu o mandato em 19 de março de 1991, na vaga de Brandão Monteiro, que foi nomeado secretário de Estado de Transportes pelo então governador do Rio de Janeiro, Leonel Brizola (1991-1994).

Durante a legislatura, Clinger foi titular da Comissão de Economia, Indústria e Comércio e suplente da Comissão de Viação e Transportes, Desenvolvimento Urbano e Interior da Câmara. Na sessão da Câmara dos Deputados de 29 de setembro de 1992, votou a favor da abertura de um processo de impeachment contra o presidente Fernando Collor de Mello, acusado de crime de responsabilidade por ligações com um esquema de corrupção liderado pelo ex-tesoureiro de sua campanha presidencial, Paulo César Farias.

Em janeiro de 1993, Clinger tomou posse definitiva como deputado federal em substituição a César Maia, que se elegera prefeito do Rio no ano anterior.

Governo Clinger

Em seus três anos de mandato como prefeito de Volta Redonda, o ex-prefeito Marino Clinger direcionou seu governo para a realização de obras voltadas para a infraestrutura, aquelas que são consideradas que não dão “voto”. Foram investidos milhões em saneamento e pavimentação de bairros inteiros, como Belmonte, Siderlândia e Padre Josimo.

Áreas críticas da cidade, como o complexo da Vila Brasília, foram beneficiadas com a contenção de encostas, colocação de cortina atirantada, que preserva vidas até hoje. O mesmo foi feito em outros bairros onde existiam constantes desabamentos de barrancos e morros, como Eucaliptal, Jardim Ponte Alta e São Cristóvão.

Em outros setores da cidade a prefeitura usou uma técnica de solo e cimento para conter beiras de córregos e morros, garantido a segurança da população.

Coragem

Um dos grandes feitos do ex-prefeito Marino Clinger foi sancionar e colocar em prática a lei do vereador Vander Lucas, que criou a Funerária Municipal. A decisão quebrou um monopólio de anos e anos. Naquele período, ele chegou a sofrer ameaças da chamada “máfia das funerárias”, mas manteve-se firme em sua decisão.

Em medida acertada, Clinger colocou a frente do projeto que mudou a vida das famílias da cidade na hora do maior sofrimento: a morte. Acertadamente, escolheu Isidoro Ribeiro como executor do projeto.

Reconhecimento

Para o engenheiro Sérgio Sodré, secretário de Obras no governo Clinger, a marca da administração já estava estampada no slogan “Governo Democrático”, onde não existiam barreiras para as comunidades carentes e população em geral, tendo o diálogo como carro chefe.

O coordenador geral do Movimento Ética na Política, José Maria da Silva, o Zezinho do MEP, resumiu o que representou o ex-prefeito. “Dr. Clinger, sem dúvida, foi um marco no processo da democratização do Brasil e em especial por ter exercido um mandato que marca o resgate de Volta Redonda na sua soberania eleitoral, com fim da área de segurança nacional e também pela sua capacidade de escuta aos movimentos, fortemente sintonizado com Dom Waldyr Calheiros”, destaca.

Como forma de eternizar o legado deixado por sua atividade política na cidade, Marino Clinger deixou uma última obra. Desta vez no campo editorial, com o livro “Volta Redonda que vivi”, com redação de Edson Sepulveda. Certamente, a história merece ser preservada. 

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