31.2 C
V Redonda
quarta-feira, fevereiro 18, 2026
Início Volta Redonda Prefeito Neto acompanha timidamente venda de ativos da CSN, enquanto população de...

Prefeito Neto acompanha timidamente venda de ativos da CSN, enquanto população de VR teme impactos

Enquanto cresce a especulação sobre a possível venda de ativos da CSN Siderurgia para reduzir a dívida bruta da companhia, hoje em cerca de R$ 34,5 bilhões, a postura do prefeito de Volta Redonda, Neto (PP) tem chamado atenção: otimista e sem demonstrar preocupação imediata, ele acompanha de forma tímida os desdobramentos de uma operação que pode afetar diretamente a economia e o dia a dia da cidade.

“Não importa quem vai investir na CSN, eu tenho certeza absoluta de que vamos vencer qualquer crise. O Município de Volta Redonda está parceiro e pronto para ajudar a superar desafios”, disse Neto, na manhã de quinta-feira (dia 12). O prefeito ainda reforçou: “Seja qual for a decisão da empresa, vamos trabalhar para minimizar qualquer impacto para a população e manter os empregos na cidade”.

Preocupação dos moradores

Apesar da confiança do prefeito, moradores e especialistas alertam que qualquer decisão sobre a venda da Usina Presidente Vargas, principal unidade do grupo liderado por Benjamin Steinbruch, terá efeitos imediatos sobre empregos, renda e áreas pertencentes à empresa.

“Tenho família que trabalha na Usina há décadas. Qualquer mudança na gestão provoca medo de demissões e insegurança. Além disso, várias áreas da cidade pertencem à CSN. Não sabemos se vão vender ou usar como garantia. Isso preocupa a todos nós”, disse Ana Paula Ferreira, moradora do bairro Santo Agostinho.

“Minha preocupação é com os imóveis que dependem da CSN. Se eles decidirem vender terrenos ou áreas industriais, não sabemos como isso vai afetar preços e a ocupação local”, comentou João Carlos Ribeiro, comerciante da região do Retiro.

Outro morador do bairro Retiro, Luiz Henrique Santos, acrescenta: “O medo maior é a incerteza. Você não sabe se vai ter corte de pessoal, fechamento de setores ou até desapropriação de terrenos. A CSN nunca comenta nada, então a população fica sem resposta.”

Setor siderúrgico em crise

O setor enfrenta uma forte crise global. Segundo o Instituto Aço Brasil, a produção nacional deve recuar 2,2% em 2025, enquanto as importações de produtos laminados atingiram 5,7 milhões de toneladas, o maior volume em 15 anos. A China, responsável por 64% das importações brasileiras, mantém política de subsídios que permite a venda abaixo do custo, prejudicando a indústria nacional.

Sem mudanças na política comercial, as importações devem continuar crescendo em 2026, com risco de mais demissões e paralisação de plantas, cenário que preocupa diretamente a população de Volta Redonda.

Posicionamento das entidades

Enquanto o debate público permanece tímido, algumas entidades locais monitoram a situação. A Aciap-VR debate internamente a operação e alerta sobre riscos e oportunidades. Para o presidente Maycon Abrantes, “por enquanto são apenas declarações de intenções, onde há cenários positivos e negativos para a nossa cidade”.          Maycon ainda observa: “Seja quem for o dono, cenário ruim para o negócio do aço é ruim para Volta Redonda. Mas podemos ver como uma oportunidade de renovação, planejamento e soluções para o futuro”.

Prefeito Neto acompanha timidamente venda de ativos da CSN, enquanto população de VR teme impactosAo menos três bancos avançam na corrida pela administração da venda dos ativos, enquanto a estratégia final ainda é discutida com Benjamin Steinbruch. O formato da operação pode envolver alternativas além de uma venda tradicional, mantendo em aberto o futuro das plantas industriais da CSN e dos imóveis que a empresa detém em Volta Redonda.

Plantas

Prefeito Neto acompanha timidamente venda de ativos da CSN, enquanto população de VR teme impactosA CSN possui três plantas siderúrgicas: duas no Rio de Janeiro (Volta Redonda e Porto Real) e uma no Paraná (Araucária). A venda de ativos e o destino de imóveis e áreas do grupo têm potencial de impactar empregos, renda, moradia e investimentos urbanos. Moradores e especialistas alertam que decisões de uma empresa privada em um setor estratégico têm efeitos diretos sobre a população, reforçando a necessidade de acompanhamento ativo das autoridades e da sociedade civil.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.