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segunda-feira, junho 15, 2026
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Ministério Público do Trabalho convoca audiência pública após mortes e denúncias de adoecimento na CSN

O Ministério Público do Trabalho (MPT) em Volta Redonda convocou uma audiência pública para discutir as condições de saúde e segurança dos trabalhadores na Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). O debate está marcado para o dia 17 de junho, às 14h, no auditório da Universidade Federal Fluminense (UFF), no Aterrado.

A convocação acontece em um momento de forte cobrança por fiscalização na Usina Presidente Vargas. No último dia 18 de maio, Alfredo Jorge Toledo Moreira, de 51 anos, inspetor de manutenção da prestadora de serviços GGEX, morreu após se desequilibrar em uma viga e cair no interior da usina. Ele não resistiu aos ferimentos e faleceu no local. Na ocasião, a CSN limitou-se a emitir uma nota lamentando o ocorrido, e as causas do acidente ainda estão sob apuração.

O caso de Alfredo reforça os motivos do Edital de Convocação nº 3931/2026, assinado pela procuradora do Trabalho Juliana de Oliveira Gois. O documento faz parte de um procedimento promocional que investiga o meio ambiente de trabalho na siderúrgica.

Para fundamentar a audiência, o MPT utilizou dados do Observatório Digital de Saúde e Segurança do Trabalho. Os registros oficiais apontam a produção de laminados planos de aço em Volta Redonda como a principal atividade causadora de acidentes de trabalho, afastamentos pelo INSS e despesas previdenciárias na cidade.

Subnotificação na mira

O MPT listou 13 metas para o encontro. O principal objetivo é entender as causas estruturais da repetição de acidentes graves e fatais na CSN. O excesso de jornada e a precarização trazida pela terceirização – setor onde trabalhava o inspetor que faleceu em maio – também estão no centro do debate.

A procuradoria aponta falhas na gestão de segurança da empresa, citando a falta de treinamento adequado e o que chamou de “admissão de burlas nas tarefas diárias”.       Outro ponto crítico da audiência será dar visibilidade às mortes e aos casos de adoecimento de operários. O edital cita problemas de saúde recorrentes na planta da usina, como leucopenia, intoxicações, doenças respiratórias e osteomusculares, além de alcoolismo e drogadição. O Ministério Público quer cobrar o fim da subnotificação de acidentes e exigir transparência na emissão das Comunicações de Acidente de Trabalho (CATs).

Inscrições

O encontro é aberto a metalúrgicos, sindicatos, representantes da CSN, associações de moradores e qualquer interessado do município. Quem quiser falar na tribuna precisará se inscrever. As inscrições podem ser feitas com antecedência direto no processo do MPT ou no próprio local do evento, no dia 17, até as 13h50min. Cada participante terá até 5 minutos de fala.

A mesa será aberta às 14h pela procuradora Juliana de Oliveira Gois. Depois, representantes do MPT, do Poder Judiciário e de órgãos de defesa do trabalhador terão 10 minutos cada para expor suas análises. Após ouvir os operários inscritos, o MPT espera arrancar compromissos públicos da CSN e criar uma proposta de monitoramento contínuo na usina.

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