Por Adelson Vidal Alves

A reportagem do site The Intercept sobre as conversas secretas do procurador Deltan Dellagnol e o juiz Sergio Moro revelam relações proibidas e ilegais, que comprometem a imparcialidade da Força tarefa da Lava Jato. Moro aparece orientando e até cobrando ações de membros do Ministério Público Federal. As notícias chegaram como uma bomba no já efervescente clima político brasileiro, e provocou reações de duas torcidas fanáticas: os lulistas e os lavajatistas.

Os primeiros, óbvio, não perderam tempo. Estaria comprovada a inocência do ex-presidente Lula, que deveria ser solto imediatamente. As conversas caíram como uma luva nas pretensões petistas de criar uma narrativa onde o esquema de corrupção montado e dirigido pelo PT seria, na verdade, uma farsa, trama maligna do Judiciário contra a esquerda. Lula, claro, seria um preso político.

Os lavajatistas seguiram o mesmo tom de fanatismo. Moro e Dellagnol agiram pensando no combate à corrupção, e a reportagem seria peça de ofensiva contra a Lava Jato. A prova disso? O jornalista responsável pelo site, Glenn Greenwald, é marido do deputado do PSOL David Miranda.

A exemplo de Adélio Bispo, eis mais uma vez o PSOL agindo contra o Brasil. Assim raciocina as mentes estúpidas da seita lavajatista. Mas o que os fatos mostram são bem mais graves que as pretensões oportunistas de alguns grupos políticos.

A matéria do The Intercept pode ter sido montada em cima de um ataque hacker aos celulares de membros da Operação Lava Jato. É gravíssimo saber que representantes dos poderes da República estejam vulneráveis diante de articulações criminosas que violam privacidades. A seita Lulista resolveu naturalizar, afinal, o juiz Sergio Moro já teria agido de forma semelhante fazendo vazar áudios que prejudicaram o ex-presidente Lula e a ex-presidente Dilma.

Se Moro cometeu crime, qual o problema de ser vítima de crime parecido? É a lógica da democracia lulista. Seja lá como as conversas tenham vazado, no entanto, seu conteúdo é estarrecedor. Não se combate corrupção burlando a normalidade processual. Tanto Dellagnol como Moro jogam descrédito na Lava Jato, que tanto fez pelo Brasil ao desvendar o mecanismo perverso da roubalheira no seio do Estado brasileiro.

A princípio, a matéria não compromete a validade das sentenças judiciais contra Lula e outros presos. O ex-presidente foi condenado por tribunais coletivos em instâncias superiores, e só foi preso depois do pronunciamento do TRF4. Não há evidências de produções de provas, de modo que falar em inocência de Lula é no mínimo uma precipitação.

O que me parece claro é a desmoralização da Lava Jato. Tudo na vida tem fim, e mesmo uma Operação com tanto apoio popular e que virou a página da história de impunidade do país, uma hora precisa saber que deve parar. Em meio a egocentrismos, arbitrariedades, excessos autoritários e sentimentos messiânicos, os “heróis” do judiciário começam a mostrar sua face errante e até mesmo criminosa.

O legado da Lava Jato fica, mas não faz sentido seguir dando status de imaculado aos seus membros. Lavatistas e lulistas, então, se abraçam em suas decadências.

* Adelson Vidal Alves é historiador

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